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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Pequenofobia

Ouvi e gostei muito do termo utilizado pelo jornalista Flavio Gomes no tratamento dado aos clubes de menor torcida que a mídia tem dispensado e os profissionais de futebol em geral tem demonstrado com relação aos campeonatos estaduais.

Atentem-se aos Campeonato Paulista, principal alvo da crítica ácida dos profissionais após a fase de classificação. A fórmula desse ano simplismente procurou garantir a participação de todos os times de maior torcida no estado na fase decisiva do campeonato. Os times que estão reclamando hoje, vem pressionando a federação por conta de uma não participação deles em uma fase importante do campeonato.

Para exeplificar: em 2007 tivemos uma semi-final envolvendo Bragantino e São Caetano. A final envolveu Santos e São Caetano. Palmeiras e Corinthians perderam dinheiro fora das semi e o São Paulo perdeu em não ir à final.

No ano seguinte, o pior dos mundos. Uma semi-final entre dois "pequenos", de um lado, um time de uma empresa, com sede itinerante baseado exclusivamente em procurar investimentos, hoje com sede em Americana e do outo lado a Ponte Preta, o que garantia uma final com um time pequeno. Desta vez, Corinthians e Santosficarm de fora do "filé", perdendo em arrecadação. Restou ao São Paulo, mais uma vez e reclamação da perda de cotas relativas as finais do campeonato.

Em 2009, o mundo dos sonhos... os 4 grandes nas finais. Aí a discussão foi outra. O fim do futebol do interior. Profetas do apocalipse decretavam o fim do futebol no interior, a falência de clubes tradicionais como Ferroviária e XV de Piracicana, por exemplo e finais esvaziadas pelo fraco nível do campeonato.

Ano passado, Santo André e outro time itinerante de empresários já em sua segunda sede em Presidente Prudente, garantiram uma nova final com um time pequeno.

Como vemos, em quatro anos tivemos somente uma vez os 4 clubes de maior torcida justificarem seu alto investimento. Não tem muito, ou quase nada a ver com competência ou valor técnico, mas sim com a divisão de arrecadação. Os grandes levam mais pessoas aos estádios e não admitem dividir o bolo com os menores. A recente discussão das cotas de televisão escancarou essa situação.

É Possível valorizar um campeonato onde somente quatro times se destaquem? Como fazer isso? Fácil, basta se espelhar em campeonatos melhor organizados. Na espanha, temos duas equipes disputando um campeonato a parte e de estádios lotados em todas as rodadas.

O primeiro passo para isso é reconhecer o papel e a importância dos pequenos. Temos público para todos os jogos, para todos os campeonatos do país.

São Paulo é um estado enorme! O campeonato pode ser muito bem organizado, mesmo sem os grandes. O futebol é um negócio lucrativo e extremamente popular, e como tal, deve ser tratado de maneira profissional de modo a que não se torne elitista. Se só os grandes clubes de grandes cidades tiverem times de futebol, e o resto do país que acompanhe pela TV,em breve teremos um novo esporte com a preferência nacional. Algo como o vôlei, por exemplo, que hoje preenche um espaço nas cidades do interior onde o futebol deixou de ser importante e o time de volei passou a ser o motivo de orgulho da cidade e da região. Assim que se faz esporte, na minha opinião.

Marcelo Alves Bellotti

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