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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Guerrero suspenso por 1 ano por Dopping

Saiu a sentença do julgamento de Paolo Guerrero pelo Tribunal da FIFA. O julgamento começou em 30 de novembro e somente ontem foi dada a sentença. Guerrero foi condenado a 1 ano de suspensão. O jogador mostrou positivo para o metabólito de cocaína, a benzociônzona, uma substância incluída na Lista de Proibições de 2017 da WADA sob a classe "S6" - Estimulantes"

Para entendimento, a substância é encontrada em alguns chás de origem medicinal. Sua utilização é principalmente nos países andinos, como Bolívia ou Peru e uma de suas características é de aumentar a energia. A substância foi encontrada após um jogo em Buenos Aires, onde não existe problemas com altitude, nos dias que antecederam o jogo contra a Argentina. O atleta apresentava sintomas de gripe e a defesa do atleta afirma que ele ingeriu o chá de Coca sem o seu conhecimento.

A suspensão foi recebida com muita decepção pelos advogados de Guerrero, que prometem recorrer da decisão ao TAS. No julgamento foi ouvida a nutricionista da seleção peruana, Eudith Saavedra, que lhe receitou o chá. Também contou com o auxílio do bioquímico L.C. Cameron, coordenador do Laboratório de Bioquímica de Proteínas da UNIRIO, que conseguiu reunir provas de que a concentração do metabólito na urina do atleta era muito baixa.

A punição tem efeito a partir de 3 de novembro. Caso confirmada em segunda instância, Paolo Guerrero está fora da Copa do Mundo. O Flamengo também aguarda decisão definitiva, pois o contrato dele com o clube prevê a rescisão nesses casos. O contrato do jogador com o clube vai até a metade do ano que vem.

Confira a Nota Oficial da FIFA: 

Em 7 de dezembro de 2017, o Comitê Disciplinar da Fifa decidiu, após analisar todas as circunstâncias específicas do caso, suspender o jogador peruano Paolo Guerrero por um ano. O jogador testou positivo para o metabólico da cocaína Benzoilecgonina, uma substância incluída na lista proibida da Wada de 2017 sob a classe "S6. Estimulantes", depois de um teste de controle de doping conduzido após o jogo das eliminatórias da Copa do Mundo de 2018 na Rússia jogado em Buenos Aires, Argentina, em 5 de outubro de 2017.

Por testar positivo para uma substância proibida, o jogador violou o artigo 6 das Regras Antidoping da Fifa e, também, infringiu o artigo 63 do Código Disciplinar da Fifa.

O período da suspensão começa em 3 de novembro de 2017, a data no qual o jogador foi suspenso provisoriamente pelo presidente do Comitê Disciplinar da Fifa. Em acordo com o artigo 29 das Regras Antidoping da Fifa, a suspensão cobre, entre outras coisas, todos os tipos de jogos, incluindo domésticos, internacionais, asmistosos e jogos oficiais. Os temos da decisão foram devidamente notificados hoje.


terça-feira, 31 de outubro de 2017

Valentim é solução?

O  Palmeiras apresenta o terceiro técnico da temporada de 2017. O começo de 2017 apresentava Eduardo Batista como técnico que chegava no lugar de Cuca para iniciar um trabalho após uma temporada brilhante coroada com o título brasileiro.

Já na efetivação de Eduardo Batista, a diretoria e boa parte da torcida já falava na efetivação de Alberto Valentim. O time não foi bem e depois Eduardo Batista foi substituído por Cuca, com a esperança da experiência do técnico vitorioso para levar os investimentos a um título de relevância.

Os títulos não vieram, Cuca acabou sucumbindo em meio a várias desconfianças de racha no elenco. Assumiu então o técnico da torcida e de parte da diretoria, ainda como interino o técnico Alberto Valentim.

O começo foi arrasador, com três vitórias em três jogos e ontem o time somente empatou com o Cruzeiro, onde o técnico foi criticado por suas escolhas. Então cabe a pergunta: Valentim é a solução?

Pesquisando a carreira de Alberto Valentim, aparece apenas um time treinado por ele... o Red Bull Brasil, justamente nessa temporada, substituindo Mauricio Barbieri, que ficou três anos no comando no time.

A passagem dele foi pífia. Depois de muitas derrotas e salvar o time do rebaixamento na última rodada apenas e mesmo estando em um time de pouca tradição com relação a torcedores, o técnico foi dispensado sendo seu trabalho considerado como decepcionante.

Assim fica a pergunta, que cabe ao Palmeiras e a sua torcida analisar para ter a certeza da resposta. Alberto Valentim é a solução para o comando técnico do Palmeiras ou está somente de passagem? Pela movimentação da diretoria, a resposta só virá após os resultados, sem convicção, como no caso de Eduardo Batista.

Marcelo Alves Bellotti


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Levir Culpi... Mais do mesmo

Levir Culpi teve a oportunidade de ser diferente! Chegou do Japão ditado regras sobre comportamentos e mentalidades com relação à parte diretiva do futebol brasileiro! A cada entrevista se mostrava um cara diferente, disposto a mudar a mesmice existente no futebol no Brasil, falando com propriedade sobre ética e comportamento.

Mas enfim, não somos o que falamos e sim o que fazemos. Nesse sentido o técnico do Atletico mostrou ser mais do mesmo! Após reuniões para renovar o vínculo, não houve acordo e o técnico preferiu sair do time, deixando o trabalho a duas rodadas do fim do campeonato.

São várias as alegações, todas elas válidas e sinceramente não me sinto em condições para analisar o que aconteceu nesse caso específico! O fato concreto é que ele confirma a relação entre técnicos e clubes na estrutura do futebol no Brasil! Muito diferente do seu próprio discurso o técnico demonstrou ser igual aos demais, fez um acordo e saiu do time 

Pelas estatísticas dos clubes brasileiros somente o Corinthians até agora passou o ano sem trocar o seu comando técnico! Tite segue firme, mesmo sabendo como o sistema é estruturado no Brasil! 

No fim das contas, acredito que a postura igual de Levir Culpi só favorece a um acerto mais rápido com outro time e colabora com o sistema... Como diz o Capitão Nascimento: "O sistema é foda"

Marcelo Alves Bellotti 

terça-feira, 26 de maio de 2015

Dança dos técnicos

Mais um técnico de futebol demitido no país do futebol. Trata-se agora de Wanderley Luxemburgo no Flamengo, juntando-se a outros técnicos demitidos por ausência de resultados no meio do trabalho. É estranho como um profissional aceita trabalhar nas condições que oferecem aos técnicos brasileiros.

Fica fácil compreender quando falamos em salários. Certa ocasião em um programa na FOX, o técnico Vagner Mancini quando perguntado se o Botafogo lhe devia algo, disse que tinha assinado um contrato por Nove Milhões de reais e tinha recebido apenas os dois primeiros meses. Consultando as bases do contrato na época de sua assinatura, falava-se de um contrato de nove meses, Então pela conta o treinador ganharia um milhão por mês???

É incrível como se contrata e demite sem qualquer critério. A ignorância do dirigente brasileiro é tão grande que salta os olhos. Recentemente o Vasco contratou um treinador que ficou famoso por privilegiar a construção de uma equipe pela marcação forte e na sua apresentação, o dirigente máximo falava que tinha trazido um técnico que faria com que o Vasco jogasse privilegiando o ataque.

Não sabemos planejar, não temos noção do que são valores empresariais e tratamos tudo como resultado e business, sem saber ao certo o que significam gestão por resultados e bussiness plan. E assim vamos levando... pobre futebol!

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Felipão solta nota sobre sua saída do Grêmio

O técnico Felipão fez um acordo para definir a sua saída do Grêmio e muitas perguntas ficaram acerca da sua saída do comando técnico. Mais que depressa a assessoria do técnico soltou uma nota explicando essas situações, do ponto de vista do treinador.

Sobre a sua saída: "...num segundo objetivo, para que nós tivéssemos um ano tranquilo e projetos para o ano de 2015, que era a conquista do título Gaúcho, eu não consegui. E fiquei em débito junto ao doutro Fábio... E eu achei que em débito deveria conversar com o presidente atual e colocar o meu cargo à disposição”. 

Sobre a situação do Grêmio, Felipão disse: "O Grêmio de hoje não é o mesmo ambiente do Grêmio de dez anos atrás, ou cinco anos atrás. O Grêmio com problemas de facções. Muita gente dividida em relação à muitas coisas. E aí fica um pouco mais difícil de dirigir. Foi isso o que aconteceu".

Sobre o seu desempenho, declarou: "As contratações foram feitas com a minha concordância. E eu era o técnico. Então, se os erros aconteceram, aconteceram porque eu entendia que esses jogadores contratados podiam render. Se não renderam, o errado fui eu".

Confira a nota de Felipão

A novidade é o reconhecimento da responsabilidade pelo mal desempenho e da má formação da equipe. É hora de Felipão sair de cena (pelo menos no Brasil) para seu próprio bem.

Marcelo Alves Bellotti

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Santos define Vila Belmiro para enfrentar Palmeiras. Decisão errada?

As vezes a gente repete coisas e não se aprofunda em análises, apenas por observação e acabamos tendendo ao erro. Por essa razão acredito somente em fatos e dados. Análises superficiais, baseadas em observações em geral estão encobertas por valores pessoais e podem conter erros. A experiência me mostrou que é sempre mais indicado uma análise mais profunda para uma conclusão

Ouço que caso o Santos jogue na Vila estará "perdendo dinheiro". Em uma matemática própria, cronistas decretam que jogar na vila é falta de inteligência. Aceito isso de primeira como verdade, pois ao jogar em São Paulo, existe a possibilidade de arrecadar mais com vendas de ingressos em estádios maiores. 

Também temos que considerar que os envolvidos na análise tem suas crenças e costumes. Nas décadas passadas era comum que os clássicos fossem disputados em São Paulo, todos no velho e bom Morumbi. Mas os tempos mudaram, nessa época o Morumbi não tinha o monumento a seu proprietário, não estava loteado de camarotes, que dificultam o aluguel e outras questões comerciais. Hoje cada time joga em seu estádio, o que por si só justificaria o desejo Santista, não fosse o Pacaembu.

Pois bem, verifiquei os jogos do Santos esse ano e a conclusão é diferente do senso comum: Por exemplo... o Santos jogou no Pacaembu contra o Linense e teve esse resultado:

01/03/2015 - Santos 4x2 Linense
========================
Público Total: 12.897
Arrecadação Bruta: R$324.680,00
Despesas: R$343.793,05
Resultado: -R$19.113,05

Comparando com um jogo clássico na vila (no total foram dois, contra São Paulo e Palmeiras), tivemos o seguinte resultado:

11/03/2015 Santos 2x1 Palmeiras
========================
Público Total: 11.816
Arrecadação Bruta: R$360.960,00
Despesas: R$183.411,01
Resultado: R$177.548,99

O resultado fala por si, é uma reflexão bastante significativa do que significa fazer futebol nesse país. É simples analisar do alto de um escritório, com ar condicionado, condutas alheias definindo o que certo ou errado. Difícil é realmente defender que jogar na vila dá mais dinheiro que jogar no Pacaembu... tem que pesquisar, mostrar números! Isso não conclui a análise, mas somente mostra um ponto de vista diferente de um mesmo pensamento. 

Vale a pena jogar na Vila? Claro... e não só tecnicamente!

Marcelo Alves Bellotti

domingo, 22 de fevereiro de 2015

XV demite seu técnico

O XV de Piracicaba anunciou na manhã deste domingo a demissão do seu técnico. Roque Junior e a diretoria chegaram a um acordo. Em uma nota curta no perfil do Facebook, a diretoria anunciou:

Nota Oficial
O XV de Piracicaba informa que Roque Junior não é mais o treinador do clube alvinegro. Após a derrota para o Linense, o presidente Rodrigo Boaventura conversou com o técnico e, em comum acordo, Roque Junior deixou o comando da equipe.
Em breve, será anunciado o novo treinador para a sequência do Campeonato Paulista 2015.

A campanha de Roque Junior foi realmente pífia. Em seis jogos, o Nhô Quim chegou a apenas uma vitória no campeonato, acumulou cinco derrotas e está atualmente na zona do rebaixamento. O presidente do XV, Rodrigo Boaventura até tentou, garantiu a continuidade do trabalho, mas a gota d'água veio na derrota contra o Linense na noite de ontem. 

Após o jogo, o jornalista da Radio Jovem Pan News de Piracicaba, decidiu boicotar a entrevista coletiva do técnico do XV. O repórter conseguiu apoio das coirmãs Difusora de Piracicaba e Educadora de Piracicaba.

A alegação é: "Chegamos a um consenso que as respostas seriam as mesmas e que ele, de entrevistado, seria mais uma vez o entrevistador, questionando a nós com perguntas. Por isso, a gente achou que seria desnecessário participar da coletiva"

Uma situação delicada onde todos erram. O torcedor do XV, por mais que não goste do trabalho do técnico da sua equipe, e por mais que o trabalho do treinador, seus métodos ou sua educação sejam questionáveis, é dever da imprensa questionar o seu trabalho. Se no caso do repórter ele achou por bem não ouvi-lo isso deveria ser uma decisão de sua própria rádio, e não na forma de boicote!

Essa postura completamente equivocada e anti-profissional da imprensa Piracicabana torna-se  uma ameaça, pois imaginem se eles resolverem boicotar o atacante Paulinho, dizendo que ele sempre dá as mesmas declarações? Ou então boicotar o presidente do time, por questionar o entrevistador? 

Roque agradeceu a diretoria pela oportunidade: “Sei que o trabalho que estava realizando era bom, apesar dos resultados. Entendo a cultura de resultados imediatos no futebol brasileiro, embora não concorde. Agradeço ao presidente Rodrigo (Boaventura), que confiou no meu trabalho e me deu a oportunidade para iniciar a carreira de técnico”

O fato é que o time de Piracicaba está a procura de um novo técnico. A uma expectativa dos torcedores pelo retorno de Moises Egert, vamos aguardar...

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 31 de janeiro de 2015

SUPER SERIES de Manaus. Caso a ser explicado!

Recentemente acompanhamos a disputa da Super Series em Manaus, um torneio disputado por Flamengo, Vasco e São Paulo e que mostrou uma inovação muito interessante: Antes dos jogos eram cantados os hinos das equipes ao invés do hino Nacional. O torneio amistoso foi vencido pelo Flamengo, após duas vitórias contra Vasco e São Paulo

A expectativa da cidade de Manaus era poder concorrer a uma das sedes do futebol nos jogos olímpicos de 2016 que será realizado na cidade do Rio de Janeiro. Tradicionalmente os jogos de futebol nas Olimpíadas são disputados em locais diferentes das cidades-sede.

Porém um acontecimento pode ter atrapalhado as intenções da cidade. Uma briga generalizada entre as torcidas no jogo entre Flamengo e Vasco provocou mal estar entre os organizadores. Porém essa briga gerou uma desconfiança e algo ficou sem explicação. 

Os amigos da Radio Já Panamazônica trouxeram essa desconfiança à tona através de um texto que passo a reproduzir por aqui. Existem muitas coisas por trás de atos aparentemente simples no futebol, pode ser só uma "teoria da conspiração", mas penso que tudo isso deveria ser investigado.

Abaixo o texto dos amigos da Radio Já Panamazônica. 

Foto: Globoesporte.com
"Segundo uma fonte, a inteligência da PMAM repassou informação sobre a possibilidade de confronto entre as torcidas, para os responsáveis pela segurança privatizada da Arena da Amazônia.
Fonte ligada à segurança pública do Amazonas informou que, os responsáveis pela segurança interna da Arena Vivaldo Lima, foram informados pela Polícia Militar do Amazonas quanto à possibilidade de um confronto entre as torcidas do Vasco e Flamengo no jogo ocorrido na quarta-feira passada, dia 21 de janeiro, em jogo válido pelo torneio promovido pela Empresa M1 Eventos, denominado de Super Series.

Imagens desse incidente rechearam os noticiários dos principais telejornais, coincidentemente quando Manaus tenta ser escolhida como uma das sedes para a disputa das partidas de futebol pela olimpíada do Rio de Janeiro de 2016.

Esse fato ocorreu justamente no dia da assunção da alta cúpula da segurança pública do Estado, que, aliás, após a repercussão dada aos fatos, mereceu por parte do Secretário de Segurança, recém empossado, severas críticas, inclusive, apontando falhas cometidas pela segurança privada e, a precisa e pronta intervenção da Polícia Militar do Amazonas.

O Governador do Estado, José Melo, lamentou o ocorrido e concorda com a sua apuração e aplicação das devidas punições aos responsáveis. No entanto, apesar da indignação das Autoridades públicas, a mesma fonte que informou sobre o conhecimento dessa possibilidade de confronto pelos responsáveis pela segurança privada da Arena Vivaldo Lima, deixou claro que, essa atitude de omissão e irresponsabilidade, esconde um verdadeiro esquema que teria a finalidade, em razão desses problemas com a segurança, desqualificar Manaus como uma das sedes do futebol na olimpíada de 2016.

O que se esconderia por trás de tudo seria excluir Manaus das sedes do futebol de 2016 pela olimpíada do Rio.

Ainda, essa mesma fonte afirmou que, essa situação, guardaria uma oculta intenção política, com o claro propósito de desacreditar as autoridades locais, as quais teriam garantido a participação de Manaus nos jogos olímpicos de 2016."

Vamos aguardar o desdobramento desses fatos.

Marcelo Alves Bellotti

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Final do cameponato... Malas voando por aí

Os campeonatos estão acabando e com essa perspectiva do final do campeonato, chegam as notícias de malas brancas e pretas voando pelos gramados do país, além de declarações infelizes de um número cada vez maior de torcedores, cronistas e os envolvidos em geral no futebol.

Hoje no Brasil somos criados para não admitir qualquer derrota, com isso queremos criar "equipes de alta performance" ou "gerações campeãs". Porém em termos de esporte de alto rendimento, somente o primeiro lugar parece ser uma vitória. Qualquer coisa diferente disso soa como fracasso. Por isso surgem as "teorias de conspiração" e a existência das malas para favorecer esse ou aquele time.

Na série A e na série B temos clubes brigando contra o rebaixamento para ficar entre os quatro primeiros para, no caso da série A conseguir uma classificação a Copa Libertadores e na série B conseguir o acesso. Cabe explicar o que seria essa "mala". O termo é antigo e se remete a malas de dinheiro, que em geral eram pretas, tipo 007. O termo "mala branca" é novo e se refere a ajuda financeira vinda de um terceiro para que uma equipe derrote a outra. No caso da "mala preta", a intenção do terceiro é pagar pela derrota do time.

A discussão de hoje é que a mala preta é condenável, mas a mala branca não, uma vez que trata-se de um incentivo para vitórias. O mesmo recioncínio vale para as partidas onde duas equipes se beneficiam de um empate e jogam de uma maneira a que esse resultado seja conseguido, ou até de equipes que escalam reservas em partidas determinadas e não em outras.

Em todos os casos chovem justificativas. Porém a grande discussão nesse caso é ética. Todos sabem das necessidades dos times e do calendário confuso que temos. Um time não pode ser responsável pelo que acontece com um outro time, mas sem dúvidas que qualquer ato feito que desequilibre um confornto entra em uma discussão sobre o que é ético nas relações entre os clubes em um campeonato.

No caso das malas, além da discussão ética, há também o fator legal. Malas, sejam brancas ou pretas tem punições previstas pelo CBDJ (Código Brasileiro de Justiça Desportiva) através do seus artigos 237 e 238. O art. 237 fala de quem oferece vantagens e o 238 fala de quem recebe a vantagem. A pena é a mesma para os dois artigos. 

"Art. 237. Dar ou prometer vantagem indevida a quem exerça cargo ou função, remunerados ou não, em qualquer entidade desportiva ou órgão da Justiça Desportiva, para que pratique, omita ou retarde ato de ofício ou, ainda, para que o faça contra disposição expressa de norma desportiva.
PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais), suspensão de trezentos e sessenta a setecentos e vinte dias e eliminação no caso de reincidência. (NR).

Art. 238. Receber ou solicitar, para si ou para outrem, vantagem indevida em razão de cargo ou função, remunerados ou não, em qualquer entidade desportiva ou órgão da Justiça Desportiva, para praticar, omitir ou retardar ato de ofício, ou, ainda, para fazê-lo contra disposição expressa de norma desportiva.

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais), suspensão de trezentos e sessenta a setecentos e vinte dias e eliminação no caso de reincidência. (NR)."

Mais do que discutirmos o que é conduta usual, ou puritanismo, ou prática de mercado, ou hipocrisia (na conduta), ou um monte de "conceitos e verdades" que ouvimos em programas no melhor estilo "papo de bar", temos que discutir o que queremos como sociedade... do que adianta postar em redes sociais sua indignação sobre corrupção no poder público e quando nos deparamos em questões de ética profissional pregamos que um cidadão empregado de uma empresa A receba favorecimentos de uma empresa B? Mais do que pensar somente em punir ou não este ou aquele atleta ou dirigente, precisamos repensar nossa postura enquanto cidadãos. Assim teremos não só um futebol melhor, mas uma sociedade melhor!

Com relação ao que o STJD quer fazer com o Fernando Prass? Sem propósito... o campeonato está no final e o tribunal quer aparecer para a série A, já que ficou na suas mãos a decisão da série B com o julgamento do Icasa... mais um ano de confusões e holofotes no tribunal... 

Marcelo Alves Bellotti

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Caso Portuguesa. Holofotes e desencontros

Novamente retornamos ao caso da Portuguesa e a escalação irregular do meia Heverton no final do ano passado, que levou o time do Canindé de uma situação tranquila dentro da série A para um rebaixamento com a consequente perda de pontos.

Desde o começo das conversas ficou claro que a Portuguesa cometeu um erro ao utilizar o atleta irregularmente e pagou por esse erro. Porém o que se viu foi uma série de pré julgamentos de todos os lados da sociedade, sempre colocando como pano de fundo a possibilidade de rebaixamento de dois times cariocas.

Primeiramente vieram os "defensores do resultado de campo". Ou seja, escalem quem quiser, pois o que deve prevalecer é o resultado dentro de campo. Depois os defensores de que a pena foi desproporcional. Ora, esses "paladinos da justiça" não se pronunciaram quando do rebaixamento de outras equipes pelo mesmo caso (O Brasil de Pelotas, por exemplo, por escalação irregular de um atleta, onde não pareceu haver dolo). Depois ainda causídicos citaram a Lei Federal conhecida como "Estatuto do Torcedor" para comprovar um erro da CBF que revogaria o julgamento.

Agora, um promotor de justiça do consumidor em São Paulo que encampou o caso, envolvendo nele recursos públicos e um ano de investigação para uma denúncia envolvendo possível corrupção, afirma ter indícios do conhecimento de membros da direção da Portuguesa no caso, mas afirma que "a Portuguesa foi vítima".

Ora, se o presidente da Portuguesa e mais alguns funcionários tinham conhecimento do fato de que o atleta não poderia ser escalado e tomaram uma decisão, não vejo como isentar o clube de culpa. Então os atos de um presidente de clube no exercício do seu mandato não caracterizam atos do clube?  Se o presidente da Portuguesa sabia do fato então a Portuguesa sabia, se o presidente agiu errado, então a Portuguesa também agiu. Não vejo como isolar os atos do presidente de uma empresa aos atos da mesma.

Seguindo ainda nessa linha, em onze meses de investigação, que contou ainda com o GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) a promotoria pública movimentou todo um aparato do Estado (com o custo pago pelos contribuintes) para investigar a movimentação financeira dos dirigentes da Lusa.

No final do seu pronunciamento, o promotor afirmou que não há comprovação de irregularidade, apenas indícios. Jornais e meios de comunicação (sobretudo os sediados em São Paulo) de apressaram em estampar manchetes dizendo do suborno, isentando a Portuguesa de culpa e transferindo a culpa para dois times cariocas (Fluminense e Flamengo) que tinham total interesse nesse caso. Inclusive o próprio promotor paulista cita nominalmente esses dois clubes.

Raramente me posiciono com opiniões nesse blog, prefiro relatar os fatos e deixar que vocês cheguem a uma conclusão, porém nesse fato gostaria de me posicionar.

1 - Acho um absurdo que um órgão público utilize recusrsos dos contribuintes para assuntos de futebol, seja qual for a justificativa.

2 - A Portuguesa escalou um jogador irregular e portanto sua punição foi correta e justa, uma vez que a pena (perda de pontos) era a única cabível para esse caso.

3 - Caso sejam comprovados os indícios de que o clube tinha conhecimento de que o jogador estava irregular e que recebeu vantagens para escalar o jogador, os clubes envolvidos devem ser punidos esportivamente de maneira severa.

4 - As pessoas envolvidas em crime de corrupção ou suborno devem responder criminalmente pelos seus atos. 

Acredito que devemos agir com responsabilidade. Vi uma reportagem da Folha de São Paulo dizer em sua manchete em destaque "Ministério Público vê indícios de suborno..." e no corpo da mesma reportagem dizer  que a promotoria "... ainda não chegou a nenhuma conclusão sobre se houve corrupção...". Para ter uma opinião melhor formada, leiam mais do que simplesmente o título da matéria. Há muito mais escrito, sobretudo nas entrelinhas. 

Lamento pelo futebol brasileiro e sobretudo pelos péssimos exemplos de valores que passamos como sociedade.

Marcelo Alves Bellotti

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Dunga repete sua receita na seleção

A seleção brasileira de futebol parece não ter aprendido a lição ao ser goleada nas semi-final pela Alemanha dentro da sua própria casa. Mesmo com o quarto lugar e uma goleada vexatória que entrou para a história do futebol mundial, o Brasil segue ignorando os problemas para organizar seu próprio futebol, matando o principal esporte do país.

No que se convencionou chamar de "datas FIFA", temos as competições nacionais a todo vapor, retirando justamente na fase decisiva, jogadores importantes para os clubes. Algum desavisado pode dizer: Mas no começo do campeonato, os clubes poupam seus jogadores nos campeonatos nacionais para colocá-los em outras competições. Ora, isso é direito do clube, faz parte do seu planejamento, uma vez que tem o atleta sob contrato e paga o seu salário, coisa que não acontece com a CBF.

Enquanto os jogadores parecem somente estar interessados em como fazer para receber salários (que estão fora de qualquer padrão dentro do Brasil), os erros seguem ocorrendo. A seleção nacional decidiu inovar e trouxe de volta o técnico de 2010, o ex-jogador Dunga.

O técnico se mostra bem mais atualizado. Jogou sempre com as linhas compactas, mostra que tem um plano de jogo (meio retrancado, é verdade) mas tem dado resultado. Em quatro jogos, conseguiu quatro vitórias. O grande erro está fora de campo. A começar pela contratação de um ex-agente de jogadores para coordenar os trabalhos do técnico. 

Gilmar Rinaldi em suas declarações mostra que nada mudou. Chama os jogadores pelo orgulho de defender o seu país, que eles tem que jogar independente do que ocorre em seus clubes. Por esse motivo, afastaram a possibilidade da convocação de Hulk, que pediu dispensa de um jogo alegando contusão.

Mas o que mais chama a atenção novamente é a total falta de preparo do técnico da seleção. Com a mesma mania de perseguição que sempre o acompanhou desde 1990, Dunga sempre que pode mostra orgulhoso o seu desempenho afrente da seleção.

Porém falha, e muito, quando se trata de equilíbrio emocional. Em seu primeiro teste contra a Argentina, fez gestos no mínimo estranhos ao preparador Argentino. Dunga se defendeu dizendo que estava com o nariz trancado por conta da poluição, mas a imagem não deixa dúvidas quanto a sua intenção.


Sua falta total de preparo e decoro salta os olhos. Sempre que possível temos a mesma demonstração. O fato não tem sido comentado por seu empregador, a CBF mas tem repercutido mal em todo o mundo. O gesto pode ser interpretado como de cunho racista. 

E assim seguiremos, demonstrando os valores que realmente importam a CBF em cada jogo do Brasil. E que não aprendemos nada com a Alemanha. Lamentável!

Marcelo Alves Bellotti

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Cadeiras em Estádios. Modernidade ou problema?

A WTorre, responsável pela construção e administração da arena do Palmeiras mesmo antes de inaugurar o estádio, já não aprova a ideia de retirar as cadeiras dos setores mais populares para satisfazer o desejo de suas torcidas organizadas.

Esse ato vem somente em resposta ao que fez o Corinthians, quando retirou de seu estádio as cadeiras nos setores da arquibancada onde ficam as torcidas organizadas e no espaço destinado aos torcedores visitantes. A medida, ao contrário do Grêmio que atendeu a uma solicitação de uma torcida organizada, não visa atender a pedidos, mas sim preservar o seu próprio patrimônio. Desde que o estádio foi inaugurado essas cadeiras vem sendo sistematicamente destruidas nesses setores. Só na abertura do estádio, em um evento FIFA, 217 cadeiras foram danificadas, sendo 55 no setor das organizadas. Os números por sí apesar de serem desencontrados, tornam a ação tomada pelo time paulista como uma resposta as atitudes dos torcedores e não visa o atendimento de qualquer pedido.

Vale ressaltar que cadeiras quebrdas em estádios de futebol não é algo que simples de resolver, nem é uma prerrogativa única do Estádio do Corinthians, como uma parte da crônica, sobretudo a Paulistana, quer fazer com que acreditamos.

Recentemente o Mineirão teve suas cadeiras quebradas no clássico. A Arena das Dunas também teve problemas regiatrados no jogo entre ABC e Vasco, válido pela série B do Brasileirão, além da Arena Fonte Nova, em um clássico Ba-Vi. No Morumbi, a situação não é diferente, com cadeiras e banheiros quebrados em clássicos pela torcida visitante e no Pacaembú tivemos recentemente um episódio com a torcidas depredando cadeiras. 

Esse problema se encontra presente então em todo o país e não é restrito a arenas, como quer insinuar parte da crônica paulista. Para resolvê-lo não bastam somentes ações repressivas, mas vontade geral de combater o problema. Esse é um problema que atinge a todos os estádios e a todas as torcidas. Os torcedores que frequentam as áreas mais populares dos estádios, em geral assistem os jogos de pé e os que frequentam os jogos clássicos nos espaços destinados aos visitantes, ou são de uniformizadas, onde impera a intolerãncia entre os rivais ou então são de tal maneira maltratados que respondem com a depredação.

Não adianta o clube desligar as luzes do estádio em um jogo as dez da noite logo após o seu término ou desligar a água nos banheiros no lado dos visitantes e esperar um comportamento exemplar da torcida. 

O problema tem que ser dimensionado e tratado de maneira adequada, olhando para um todo e não somente para o visual do Estádio em Itaquera ou o conceito de conforto nas novas arenas. 

Senão vira papo de bar... comum hoje em programas esportivos.

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 6 de setembro de 2014

Caso Grêmio - Racismo ou Injúria racial

Vamos falar do caso da garota que na arquibancada do Estádio do Grêmio proferiu palavras ofensivas ao goleiro do Santos Aranha, no jogo em que o santos bateu o Grêmio pelo placar de dois a zero. Esse caso está sendo propagado e estão massacrando a garota na opinião pública. Acho que ela cometeu um crime, deve ser julgada e pagar pelo que fez.

Aliás, a garota é ré confessa, uma vez que admitiu ter chamado o goleiro do Santos de "macaco". O caso é que a opinião pública, por pura desinformação não consegue entender exatamente qual o crime que a garota cometeu e porque ela está respondendo na justiça.

Estamos lendo principalmente em redes sociais várias justificativas diferentes, dizendo que em estádios ocorrem intolerâncias, onde torcedores ofendem jogadores, árbitros, até membros da imprensa com palavras mais pesadas e que nada acontece, sendo portanto uma punição descabida. Tudo isso por conta da palavra "racismo".

Toda essa situação seria melhor explicada caso quem informa pudesse explicar de forma mais didática exatamente o que aconteceu naquele estádio, naquele dia. Mas ler não é o forte do brasileiro e se o caso fosse devidamente explicado não daria essa polêmica toda e não renderia tanta audiência, sobretudo nos programas estilo "papo de bar", comuns hoje até em canais pagos.

A garota não cometeu o crime de racismo. O que houve no estádio foi o crime de "injúria racial", que é diferente na essência. Explicando: 

Racismo - artigo 20 da Lei nº 7.716/89 - conduta discriminatória dirigida a um determinado grupo ou coletividade. O Racismo só será aplicado quando as ofensas não tenham uma pessoa ou pessoas determinadas, e sim venham a menosprezar determinada raça, cor, etnia, religião ou origem, agredindo um número indeterminado de pessoas. Por exemplo, negar emprego a judeus em uma determinada empresa, impedir entrada de negros em um restaurante. (crime inafiançável e imprescritível)

Injúria Racial - artigo 140, § 3º do Código Penal - Utilizar palavras depreciativas referentes a raça, cor, religião ou origem, com o intuito de ofender a honra subjetiva da vítima. Ela se caracteriza quando as ofensas de conteúdo discriminatório são empregadas a pessoa ou pessoas determinadas, procurando segregar a pessoa por sua cor, religião, ofendendo-a. Desde que o réu pague a fiança, ele poderá responder em liberdade. Com relação à prescrição, o delito prescreve em oito anos.

O crime de racismo é de ação pública incondicionada, ou seja, independe de representação da parte ofendida, enquanto a injúria racial por ser ação privada, precisa de representação da parte que se sinta ofendida em sua honra. 

Respondendo as inúmeras questões que surgem a respeito do tema, caso a pessoa se sinta ofendida ao ser chamada de "macaco", ou a atirarem uma banana em campo, ou praticarem qualquer tipo de injúria, chamando-a de ladrão, ou discorrendo sobre a homosexualidade, atitudes comuns em estádios de futebol, a pessoa deve fazer como o goleiro fez: Identificar o agressor e representar contra ele por injúria (seja ou não racial).

O advogado da garota afirmou que ela não é racista. Mas não é esse o crime que ela responde. Ótimo que ela não seja. Afirmou ainda que ela foi levada a injúria pela situação do jogo e pela torcida. Isso também parece óbvio, quando ofendemos a honra do árbitro e de seus auxiliares quando marcam pênalti contra o nosso time. Ocorre que eles não sentem a sua honra ofendida pelos torcedores. Porém, quando um jogador os ofende, tem uma punição esportiva (é expulso). Caso a acusação seja mais grave, como no caso do ex- zagueiro Junior Baiano, dirigida ao ex-árbitro Oscar Roberto Godói em 1995, insinuando que o árbitro estivesse bêbado, cabe uma representação penal e civil, que foi feita à época.

O Grêmio, por sua vez se diz contra o racismo. É verdade... não impede nenhuma raça de adentrar em seus espaços, dá voz e abriga todas as etnias, raças e cores e mantém uma conduta digna com relação ao tema. Mas deve ser responsabilizado conforme a Lei por qualquer ato de violência ou intolerância praticada por sua torcida em seu estádio ou fora dele, conforme Estatuto do Torcedor.

Não vou expor aqui a garota nem julgar o acontecido com o Grêmio. Acredito que o time do sul do país tem seus advogados preparados para isso e deve se defender e a garota deve responder pelo que fez e seguir a sua vida. Acho somente que as coisas devem estar muito bem esclarecidas para que possamos ter o nosso juízo sobre essas situações. O ato da menina é abominável, como qualquer ato de intolerância dentro dos estádios brasileiros. Contra essa intolerância, seguimos a nossa luta. Tirem vocês as suas conclusões

Marcelo Alves Bellotti

domingo, 6 de julho de 2014

Copa 2014! Palpite ou premonição?

Chegamos na semi final da Copa do Mundo. Agora, o título está restrito a quatro equipes. Com muito mérito, Alemanha, Argentina, Brasil e Holanda chegam para decidir quem ficará com o título. Em uma copa dita como Sul americana, o equilíbrio de forças é notado com duas equipes Sul americanas e duas europeias.

Do ponto de vista da tradição em copas, mais uma vez as camisas fortes prevaleceram, sobretudo nas quartas de final, como pudemos ver nos confrontos entre Brasil x Colômbia, Argentina x Bélgica e Holanda x Costa Rica. Alemanha x França foi um clássico, não houve desequilíbrio de forças.

Mas o assunto é outro. Quero falar de previsões. É muito comum ouvirmos falar de previsões, de pessoas e até de animais que preveem o que vai acontecer. Nunca dei muita bola para isso, pois acredito que o destino por ser algo que não aconteceu, pode ser mudado a cada instante, com atitudes que tomamos no presente.

Mas em 2007, quando foi definido que a Copa do Mundo seria no Brasil, recebi uma dessas previsões. Porém essa tinha uma característica diferente. Trata-se de uma previsão feita pelo professor Jucelino Nóbrega da Luz, que se apresenta hoje como premonitor (clarividente). Tem inclusive um site (http://www.jucelinodaluz.com.br/)

Esse senhor, que hoje tem 51 anos, quando tinha dez anos escreveu uma carta para a FIFA. Nesta carta, prevê o resultados das Copas do Mundo desde 1970 até 2026. O nível de acerto é impressionante. Esperei para divulgar essa carta nesse momento, pois o professor acertou os três semifinalistas da Copa (só dá pra ver três dos quatro semifinalistas).

A notícia ruim é que ele prevê: 1 - Argentina, 2 - Brasil, 3 - Holanda.

Pode ser tudo uma grande bobagem... ou não!!! Mas quando recebi isso, esperei para verificar se Brasil e Argentina se enfrentariam antes da final... quando se definiram os grupos, vi que não se enfrentariam. Achei que era improvável que a Holanda chegasse, pois pelo que se desenhava, Brasil e Holanda se enfrentariam nas oitavas. Mas não, quis o "destino" que a Holanda fosse a primeira do grupo. Ontem após a definição da semi-final, achei que deveria divulgar...

Segue a tradução da carta...

SANTO ANDRÉ , 26 DE MAIO DE 1970


PARA A FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE FUTEBOL


SENHOR DIRETOR :


EU SOU ESTUDANTE DE FRANCÊS E ALEMÃO E DESDE O ANO PASSADO QUE TENHO TIDO SONHOS PREMONITÓRIOS.
TENHO APENAS 10 ANOS DE IDADE E RECEBI UMA INFORMAÇÃO SOBRE O FINAL DA COPA DO MUNDO ATÉ O ANO DE 2022(FOI RATIFICADO MAIS TARDE EM OUTRAS CARTAS ENVIADAS PORQUE NESSE DOCUMENTO CONSTA RESULTADOS ATÉ 2026 E NÃO É POSSÍVEL ALTERAR O DOCUMENTO ORIGINAL ), NÃO SEI SE CONCRETIZARÁ MAS PASSAREI O RESULTADO FINAL.
ESTOU APRENDENDO LÍNGUAS COM UM SENHOR SUÍÇO QUE VIVE PRÓXIMO A MINHA CASA.AQUI ESTÃO OS RESULTADOS:

...

2014
1º ARGENTINA ; 2º BRASIL ; 3º HOLANDA ; 4º

...



Marcelo Alves Bellotti



quarta-feira, 9 de abril de 2014

Atingido, Fred critica torcedores profissionais!

Sem qualquer juízo de valor, apenas com o intuito de propor uma reflexão sobre o papel dos torcedores profissionais que frequentam os estádios no mundo inteiro. Mais do que simplesmente ler e refletir, é chegada a hora de definir se ações semelhantes são corretas ou não. Essas ações são toleradas porque existe uma boa parte da opinião de quem milita no futebol que essa ação é legítima!

Abaixo a íntegra da declaração do Fred:

Após o "recado" dado no último fim de semana - quando um bando de marginais, travestidos de torcedores, foi para a porta das Laranjeiras ameaçar os jogadores do time -, o futebol brasileiro está prestes a viver mais uma tragédia anunciada nesta quinta-feira, caso o Fluminense não elimine o Horizonte pela Copa do Brasil. 

Sábado passado, ao sair do meu trabalho, me deparei com cerca de 20 desocupados rodeando meu carro em cima do passeio, praticamente dentro do clube. Os cinco seguranças do time até tentaram conter a fúria desses bandidos… Mas foi em vão! Minha reação, e única defesa, foi acelerar o carro, mesmo correndo o risco de machucar quem estivesse na frente, tendo em vista que começaram a bater no vidro e na lataria do meu veículo. Pra completar, quase provoquei um acidente, pois vinha um caminhão e não vi. Graças a Deus, nada de mais grave aconteceu.

Fui embora indignado, revoltado, pensando se realmente vale a pena tanto esforço e dedicação diários para esse clube que aprendi a respeitar e a gostar. Só no domingo me dei conta de que apenas 20 pessoas (geralmente, as mesmas) estavam matando a minha vontade de dar alegria a milhões de torcedores de verdade, aqueles que vibram com as conquistas e sofrem com as derrotas, mas sem partir pra agressão, pois entendem que nem sempre é possível vencer. Em 2011, vivi uma situação parecida aqui mesmo no Fluminense e, desde então, optei por não aceitar esse tipo de intimidação.

Esse bando de à toa deveria se reunir para protestar contra a falta de segurança pública, educação, saneamento básico, saúde… Ameaçar não trabalhadores e pessoas de bem como eu, mas, sim, os políticos COMPROVADAMENTE corruptos. Eles prestariam um serviço muito maior à sociedade. Mas, em vez disso, surgem do nada às 15h30 de uma quinta-feira - como ocorreu na semana passada - para xingar atletas. Isso quando não conseguem o número do telefone dos jogadores e ficam mandando mensagens com ameaças de morte.

Quantos "Kevins" ainda terão de pagar com suas próprias vidas? Quantos centros de treinamentos terão de ser invadidos? Mais quantos inocentes terão de ser espancados até a morte? Ou será que somente quando um jogador for espancado alguma providência mais enérgica e eficaz será tomada contra esses bárbaros? Ficam as perguntas. O esvaziamento dos estádios de futebol não pode ser uma mera coincidência. As bandeiras que antes tremulavam nas arquibancadas, hoje se transformaram em armas brancas nas mãos desses bandidos. 

Quando a imprensa publica tais atos de agressão e vandalismo cometidos pelas organizadas, essas matérias são exibidas entre elas como troféus e, quem os pratica, são tratados como “heróis” internamente. O enfoque deveria ser outro. É preciso questionar os prós e os contras dessas facções, que exploram de maneira ampla a imagem dos times sem pagar royalties; são as principais responsáveis pelas mortes nos dias de jogos e perdas de mandos de campo por seus times; possuem marginais infiltrados; afastam os verdadeiros torcedores dos estádios; e que, por fim, ganham ingressos e até transporte gratuito das diretorias da maioria dos clubes, que insistem em manter uma relação obscura com esse tipo de organização. 

Resumidamente, na minha opinião, os integrantes de torcidas organizadas não tem direito sequer de reclamar quando o time perde - tendo em vista que nem ingresso eles pagam -, quanto mais de agredir ou intimidar jogadores. Ser membro de torcida organizada no Brasil já virou profissão, meio de vida. Há casos de presidentes de facções que se elegem ou conseguem cargos políticos. 

Lutarei com a arma que tenho. Por isso, a partir de hoje, as comemorações dos meus gols não serão mais para as torcidas organizadas. Meus gols serão dedicados exclusivamente aos verdadeiros torcedores do Fluzão, a não ser que a lei seja mais rigorosa ou os responsáveis por essas facções revejam o papel que elas deveriam exercer, que é apoiar o time do coração incondicionalmente, principalmente nos momentos de dificuldade, pois é quando mais precisamos de incentivo.

Marcelo Alves Bellotti

segunda-feira, 31 de março de 2014

O futebol é mesmo uma opção de diversão?

O futebol é conhecido no Brasil como o esporte das multidões, consegue reunir milhares de pessoas em estádios para assistir os jogos de seu time do coração e milhões de pessoas em frente a uma televisão, para ver o seu time jogar tranquilamente em um sofá.

De uns tempos para cá, os campos de futebol tem se transformado em palcos de intolerância e de verdadeiras batalhas campais entre gangues. Em geral sob o efeito de drogas e álcool e cada vez mais financiados pelos clubes de futebol.

Hoje torna-se complicado para qualquer pessoa se dirigir a um estádio, principalmente na condição de visitante, para fazer algo simples, como assistir a um jogo de futebol. A própria placa do seu carro é um sinal de que é um inimigo, pronto para ser intimidado e atacado. 

O que essas gangues pretendem é simplesmente intimidação. É deixar claro "quem manda"! Nesse sentido, quando são visitantes, eles fazem "alianças" com torcidas de um time para poder se garantir quando não estão na sua cidade ou no seu estádio.

Nesse fim de semana, mais intolerância. No Maracanã, irritada com provocações do adversário, a torcida do Fluminense iniciou uma confusão. O tumulto foi contido e não teve consequências maiores, só o susto e a correria. Confira o que ocorreu.

Em Porto Alegre no Gre-Nal 400, disputado na Arena do Grêmio,  que decidia o título, torcedores do Inter se desentenderam no intervalo de jogo e um grupo passou a depredar o estádio que visitava. Segundo os administradores do Estádio, cerca de 191 cadeiras foram destruídas. A certeza da impunidade é tão grande que os agressores mostram as cadeiras destruídas como se fosse um troféu.

Em Santos, enquanto era disputada a semi-final entre Santos e Penapolense, todos no estádio tinham a certeza da vitória do time da baixada. Porém por um vacilo da equipe santista, o time do interior empatou o jogo e logo depois virou o placar. A comemoração nas tribunas do Estádio Urbano Caldeira por parte dos dirigentes da Penapolense irritou a torcida santista, que não hesitou em tentar invadir o camarote do adversário, quebrar uma mesa (que por sinal pertence ao próprio clube) e ameaçar a integridade física dos dirigentes do time do Interior. A diretoria do time santista sequer emitiu uma nota, mas espera ansiosa ser premiada com um jogo da final em seu estádio.

Pra terminar, na Suécia, um torcedor morreu espancado logo na abertura do campeonato, que teve a sua primeira rodada nesse domingo.

É preciso discutirmos melhor sobre o que queremos para o nosso futebol, para a nossa sociedade. Não adiante discutirmos somente punição, ou informatização do sistema, que passa por cuidar somente da violência em times grandes. É preciso medidas de prevenção com uso de inteligência policial, é preciso medidas contundentes dos meios esportivos, de educação e de punição aos responsáveis, de acordo com o previsto na Lei. 

Estamos em São Paulo, modernizando o Morumbi e Construindo duas novas Arenas. Ao final do ano, teremos três estádios prontos para receber qualquer jogo do futebol do mundo. Estamos preparados para entregar esse serviço para o público que frequenta esse estádio? Como será essa relação, a partir das novas arenas? Notem, esse não é um problema brasileiro. Existe em todos os estádios no mundo inteiro. É um reflexo do que somos hoje como sociedade no mundo.

Que a sociedade brasileira inicie esse debate! Pra afastar a intolerância dos estádios e trazer de volta a diversão de assistir um jogo de futebol!

Marcelo Alves Bellotti

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O que é isso, companheiro?

Em meio a várias manifestações sobre o fato lamentável ocorrido no Peru no jogo que envolveu Cruzeiro e Real Garcilaso, que culminaram na manifestação racista de sua torcida, uma voz destoa na multidão. O ex-jogador de futebol Deco afirmou ao Estadão ter dúvidas sobre a intenção das ofensas a Tinga.

Em entrevista ao "Estado de São Paulo", o ex-jogador afirmou: "É claro que toda manifestação racista deve ser punida e reclamada. Isso não se discute. Mas tenho dúvidas se foi isso mesmo que o torcedor peruano tentou fazer. Acredito mais que a intenção era fazer com que Tinga perdesse a concentração no jogo do Cruzeiro."

Mais do que um contraponto a discussão, Deco revela o pensamento de muitos sobre o ocorrido. Ele parte do princípio de que no Cruzeiro havia mais jogadores negros, como por exemplo, Dedé e Julio Batista e que os insultos só eram dirigidos ao atleta Tinga. Ao pensar assim, ele descaracteriza o fato, tratando-o somente como uma tentativa de desestabilizar o adversário.

Ora, quando se disputa uma partida de futebol, o principal objetivo de um time é derrotar o outro. Para isso, ele precisa se mostrar superior ao seu adversário. Nem sempre ele consegue isso tecnicamente, então ele usa de outras formas variadas, como a transformação do jogo em uma guerra, ou cortar a luz e a água do adversário, jogar em um campo onde a torcida seja próxima ao time adversário. Todas elas são formas de se impor ao adversário, desestabilizá-lo emocionalmente, se mostrar superior!

A mecânica do racismo, da intolerância e da discriminação é exatamente igual... A tentativa de desestabilizar um grupo com as mesmas características, colocando-os em uma condição de inferioridade para se impor perante esse grupo e poder justificar os seus atos perante aos seus semelhantes. Assim surgiram vários movimentos discriminatórios e racistas como o nazismo, o apartheid.

O que aconteceu no Peru foi exatamente isso. Na tentativa de se colocar como superiores ao grupo que estavam enfrentando, e com isso justificar tudo o que tinha sido feito até então para quebrar a estabilidade do time do Cruzeiro, a torcida optou pela manifestação racista. O fato de tê-lo feito somente com um jogador não significa nada. Da mesma forma é feito na Europa, onde as manifestações são mais freqüentes. Lembro de uma manifestação racista feita contra Prince Boateng, em um amistoso do Milan. O time italiano tinha três jogadores negros em campo, mas os insultos eram dirigidos somente ao atleta de Gana.

Ao tentar descaracterizar a atitude dos Peruanos, o ex-atleta Deco se mostra tolerante a esse tipo de manifestação. Ou então falou por puro desconhecimento do que seja racismo, intolerância e preconceito.

O fato de entender a ação da torcida local como parte de um processo de mostrar domínio ao adversário, não exime aos envolvidos uma reação de punição exemplar as atitudes que coloquem seres humanos como superiores a outros, seja qual for a sua pele, raça ou crença. O futebol como um esporte de forte participação popular no mundo inteiro, deve dar esse exemplo.

Deco demonstrou uma visão míope sobre o assunto. Entendendo a miopia como a dificuldade de enxergar a longa distância, Deco conseguiu somente enxergar o fato que ocorreu no campo de jogo, tratando-o como provocação e não enxergando o que está mais a frente disso, traços de intolerância que queremos nos livrar no futebol.

Marcelo Alves Bellotti

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Mais racismo no futebol

Mais um caso de racismo relacionado ao futebol. Esse caso porém não é um "fato isolado", ou seja, uma demonstração isolada de preconceito. A atitude racista está ligada a outras atitudes também condenáveis no nosso futebol.

Ontem a noite, pela Taça Libertadores da América jogaram Cruzeiro e Real Garcilaso, do Peru. A partida foi vencida pelo time peruano, em uma operação que contou com com a participação de todos, além do bom futebol apresentado pelo time peruano.

O time peruano tem sede na cidade de Cusco, no Peru. Porém não tem condições de jogar na cidade, então preferiu jogar em Huancayo. O time peruano começou a dar as suas "boas vindas" ao Cruzeiro já na segunda-feira. Quando o time mineiro foi fazer o reconhecimento do local da partida, as luzes simplesmente se apagaram e os responsáveis alegaram falta de combustível nos geradores.

O time conta também com a "ajuda" da altitude de 3.200 metros e que sempre assustou os times brasileiros. O ambiente de "guerra" também é comum quando falamos de Libertadores da América ou de torneios realizados nas Américas. 

No estádio, o tratamento foi o pior possível. O time da casa deixou os visitantes sem água, atitude típica dos times sulamericanos, inclusive os brasileiros. Porém o ápice da guerra tomou proporções que o time peruano não esperava. Quando o time do Cruzeiro colocou em campo o atleta Tinga, a torcida do time peruano passou a dirigir a ele ofensas raciais, comuns em países europeus.

O árbitro nada fez a respeito, os próprios jogadores do Cruzeiro não cobraram nenhuma atitude e o jogo seguiu até o final. Mas o gesto caiu como uma bomba na imprensa internacional. O caso repercutiu muito mal e pode render ao time peruano uma punição mais dura.

O fato porém não pode ser tratado como "isolado", partindo somente de uma manifestação da torcida, descolada do time que inclusive nem é da cidade. O que aconteceu ontem foi uma soma de fatores de uma "guerra" que o time peruano quis fazer para sair vitorioso do confronto. Deve ser julgado então, o time que deu causa a tudo o que aconteceu desde segunda-feira até depois do jogo. Que não se trate do assunto como um fato isolado da torcida em relação ao time. Tudo foi uma ação conjunta.

Após o jogo, o atleta visivelmente abalado, fez uma declaração bem apropriada com relação ao fato: "Fico muito chateado. Joguei quatro anos na Alemanha e nunca passei por isso. Agora acontece em um país parecido com o nosso, cheio de mistura. Trocaria um título pela igualdade entre raças e classes e respeito", declarou a Radio Globo.

Agora teremos que prestar atenção às atitudes, pois elas falam mais do que palavras. Jogar simplesmente palavras de repúdio na imprensa e na Internet de nada valem. Cruzeiro, CBF, Conmebol e FIFA devem tomar atitudes a esse respeito. Todas elas tem que ser firmes na luta contra o preconceito, a discriminação e a intolerância. Atos como esse tem que ser reprimidos com firmeza para que não tornem a acontecer.

Todos sabemos que essas questões extrapolam o mundo do futebol, elas estão presentes na nossa sociedade. Mas as atitudes que possamos tomar com relação a cada ato que ocorre é o que nos diferencia como cidadão e como ser humano.

Marcelo Alves Bellotti

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Clubes de Futebol: Empresas comerciais ou Sociedades Civis?

Esta é uma grande discussão no futebol atual, onde convivemos com clubes tradicionais, que movimentam cidades e torcedores, paixões e intolerâncias de todas as maneiras.

A discussão vem a partir da Lei 9615 de 24 de Março de 1998, conhecida como "Lei Pelé", que foi criada com o intuito de dar mais transparência e profissionalismo ao esporte nacional. Ela previa no seu nascimento o fim do passe nos clubes de futebol no Brasil, o direito do consumidor, disciplinou a prestação de contas por dirigentes de clubes e a criação de Ligas. Determinou ainda a profissionalização, com a obrigatoriedade da transformação dos clubes em empresas. 

Porém essa Lei foi bastante modificada, até podermos chegar a situação atual, definida pela Lei 10.672 de 15 de maio de 2003, que estabelece base para tal mudança. Atualmente, o artigo 27 da Lei Pelé diz: "É facultado às entidades desportivas profissionais constituírem-se regularmente em sociedade empresária, segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil."

Até hoje se discute sobre a organização dos clubes de futebol, tentando enquadrá-la como uma atividade comercial ao invés de sociedades civis. A diferença básica está na origem da formação desses grupos.

Uma sociedade civil nasce de uma organização popular, voluntária em torno de interesses, propósitos e valores. Tem uma participação popular e política muito grande. Em geral ela auxilia na formação de um conceito de cidadania e de participação política da população. Sociedades civis são frequentemente povoadas por organizações como instituições de caridade, organizações não-governamentais de desenvolvimento, grupos comunitários, organizações femininas, organizações religiosas, associações profissionais, sindicatos, grupos de auto-ajuda, movimentos sociais, associações comerciais, coalizões e grupos ativistas.

Tudo isso é conceito, hoje em dia em geral isso tudo foi desvirtuado com as relações milionárias que em geral essas associações tem entre si ou com organismos estatais, participação política etc., mas servem como ilustração das diferenças das duas e podem auxiliar no entendimento das duas organizações e de seus objetivos.

Em geral, as sociedades civis são organizações sem fins lucrativos, destinados a promover atividades sociais, educacionais e esportivas, ligadas ao futebol profissional e amador. Já as sociedades comerciais são empresas legalmente constituídas, que fecham balanços contábeis anualmente e existem com objetivos comerciais claros. Em geral, seus objetivos estão na formação de atletas.

Lembro que na época da discussão sobre a Lei Pelé, veio uma questão que persiste até hoje, de que a transformação dos clubes em sociedades comerciais traria a obrigação dos seus dirigentes de serem responsáveis com relação aos gastos dos clubes, sob pena de serem responderem com seus bens pessoais para pagamento das obrigações da empresa. Ora, na organização das sociedades no Brasil, essa responsabilidade fica restrita as Sociedades em nome coletivo, em Comandita ou Sociedades em Conta de Participação, que representam uma parte muito pequena das organizações comerciais. Em geral e também no caso dos clubes de futebol, as empresas são formadas a partir de Sociedades por cotas de responsabilidade limitada (LTDA), que limitam a responsabilidade de seus dos sócios à integralização de sua cota de capital, não podendo, uma vez integralizado o capital social, o patrimônio pessoal do sócio responder pelas dívidas sociais;

Em geral então temos de um lado, clubes que contam com a mobilização de grandes massas como Palmeiras, Corinthians, etc, que são sociedades civis... Clubes do interior, que nasceram de uma vontade popular ou clubes que nasceram da organização de trabalhadores locais, especialmente ligados a formação da cidade, como no caso da ferrovia. Temos também casos de empresas formadas com participação política de seus prefeitos, visando a participação da população da cidade e o crescimento e desenvolvimento dos conceitos de cidadania e de participação popular de forma política.

Essa movimentação para transformação do clube em empresa e a criação de vários clubes comerciais veio após a regulamentação da Lei Pelé e está intimamente ligada ao objetivo do clube e na capacidade que essas empresas tem de captar investimentos. São times em geral novos e bem sucedidos, mas que apesar de terem títulos e acessos, não tem apelo popular.

Já os clubes provenientes de sociedades civís por não terem fins lucrativos são geralmente aqueles que atrasam salários, tem dezenas de ações de ex jogadores, mas que conseguem atrair umn público fanático em seus jogos.

Clubes apoiados por prefeituras também conseguem uma boa mobilização, mas estarão sempre condicionados ao apoio municipal, subsidiando ingressos para mobilizar seus torcedores. A partir do momento que a prefeitura tira o apoio... a tendência é do time sucumbir. 

Escrevi essa reflexão para tentar entender e explicar a razão da existência de clubes sem torcida e sem tradição, que tanto chamam a atenção por sua competência administrativa mas que não conseguem apoio popular contrastado com o mito que em geral a crônica tenta passar dizendo que quando um clube vira empresa, os dirigentes pagarão as dívidas do clube do próprio bolso e com isso serão mais responsáveis.

Nem uma coisa, nem outra... na realidade a Lei hoje facilita a organização de grupos seja para formação de clubes ou a formação de empresas. O futebol no Brasil continua movimentando milhões e segue sendo uma categoria profissional sem maiores regras, o que facilita grupos com maior poder de investimento. Temos empresas ricas, federações ricas, empresários ricos, jogadores ricos contrastando com clubes pobres, campeonatos pobres e futebol... Pobre Futebol!!!

Marcelo Alves Bellotti

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Opinião: Caso Portuguesa

Novamente um caso ocorrido fora de campo leva a decisão de um campeonato aos tribunais. A Portuguesa de Desportos poderá ser punida hoje com a perda de quatro pontos.

O que eu gostaria de deixar claro algumas coisas a respeito desse caso: A Portuguesa de Desportos errou ao escalar um atleta irregular no seu jogo contra o Grêmio. Não adianta alegar desconhecimento, pois seu advogado, legalmente constituído levou uma cópia da sentença protocolada logo após ela ser proferida. O atleta da Lusa pegou dois jogos e só havia cumprido um. 

O Flamengo teve um jogador expulso na final da Copa do Brasil. O atleta deveria cumprir a automática no próximo jogo da CBF e efetivamente cumpriu. Pegou um jogo de suspensão e o time do Rio pode alegar que a suspensão foi cumprida no jogo contra o Vitória.

Voltando ao caso da Portuguesa, que parece mais claro... surgiu uma interpretação de que não houve o dolo por parte da equipe paulista.

É verdade, porém temos que lembrar que as punições no Direito se dão por dolo ou culpa. No caso da Portuguesa, existe claramente a culpa.

Outra alegação é o caso do Duque de Caxias, que escalou um jogador que estava irregular, admitiu o erro, alegou desconhecimento de um dos cartões (a suspensão se deu por três amarelos, sendo que o primeiro aconteceu quando o atleta jogava pelo Ipatinga) e foi absolvido.

Novamente tentamos fazer com da exceção confirme a regra.Em todos os casos semelhantes, houve a perda de pontos para o time que escalou um jogador irregular.

Lembrei do caso do lateral direito Claudio, que em 2012 na estréia da série C jogou sem condições pelo Brasil de Pelotas no jogo contra o Santo André, uma vez que tinha sido expulso na final da série C um ano antes. Não houve nenhum jogo da CBF nesse período e a punição deveria ser cumprida no próximo jogo válido em uma competição da CBF. O time acabou sendo punido por seis pontos e foi rebaixado. O jogo contra o Santo André foi vencido pelo Caxias e foi válido pela primeira rodada da série C. O beneficiado com a perda de seis pontos pelo time do Brasil foi o próprio Santo André, que permaneceu na série C nesse ano.

Não sei se a Portuguesa deveria ser rebaixada pelo fato... não sei qual deveria ser a punição para a Portuguesa. Mas o fato é que a Portuguesa com certeza deve ser punida. Se isso vai favorecer Fluminense ou qualquer outro time, se a punição deve ser somente financeira... isso os senhores juízes que decidam!

Essa é a minha opinião.

Marcelo Alves Bellotti