Mostrando postagens com marcador Grêmio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Grêmio. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Felipão solta nota sobre sua saída do Grêmio

O técnico Felipão fez um acordo para definir a sua saída do Grêmio e muitas perguntas ficaram acerca da sua saída do comando técnico. Mais que depressa a assessoria do técnico soltou uma nota explicando essas situações, do ponto de vista do treinador.

Sobre a sua saída: "...num segundo objetivo, para que nós tivéssemos um ano tranquilo e projetos para o ano de 2015, que era a conquista do título Gaúcho, eu não consegui. E fiquei em débito junto ao doutro Fábio... E eu achei que em débito deveria conversar com o presidente atual e colocar o meu cargo à disposição”. 

Sobre a situação do Grêmio, Felipão disse: "O Grêmio de hoje não é o mesmo ambiente do Grêmio de dez anos atrás, ou cinco anos atrás. O Grêmio com problemas de facções. Muita gente dividida em relação à muitas coisas. E aí fica um pouco mais difícil de dirigir. Foi isso o que aconteceu".

Sobre o seu desempenho, declarou: "As contratações foram feitas com a minha concordância. E eu era o técnico. Então, se os erros aconteceram, aconteceram porque eu entendia que esses jogadores contratados podiam render. Se não renderam, o errado fui eu".

Confira a nota de Felipão

A novidade é o reconhecimento da responsabilidade pelo mal desempenho e da má formação da equipe. É hora de Felipão sair de cena (pelo menos no Brasil) para seu próprio bem.

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 6 de setembro de 2014

Caso Grêmio - Racismo ou Injúria racial

Vamos falar do caso da garota que na arquibancada do Estádio do Grêmio proferiu palavras ofensivas ao goleiro do Santos Aranha, no jogo em que o santos bateu o Grêmio pelo placar de dois a zero. Esse caso está sendo propagado e estão massacrando a garota na opinião pública. Acho que ela cometeu um crime, deve ser julgada e pagar pelo que fez.

Aliás, a garota é ré confessa, uma vez que admitiu ter chamado o goleiro do Santos de "macaco". O caso é que a opinião pública, por pura desinformação não consegue entender exatamente qual o crime que a garota cometeu e porque ela está respondendo na justiça.

Estamos lendo principalmente em redes sociais várias justificativas diferentes, dizendo que em estádios ocorrem intolerâncias, onde torcedores ofendem jogadores, árbitros, até membros da imprensa com palavras mais pesadas e que nada acontece, sendo portanto uma punição descabida. Tudo isso por conta da palavra "racismo".

Toda essa situação seria melhor explicada caso quem informa pudesse explicar de forma mais didática exatamente o que aconteceu naquele estádio, naquele dia. Mas ler não é o forte do brasileiro e se o caso fosse devidamente explicado não daria essa polêmica toda e não renderia tanta audiência, sobretudo nos programas estilo "papo de bar", comuns hoje até em canais pagos.

A garota não cometeu o crime de racismo. O que houve no estádio foi o crime de "injúria racial", que é diferente na essência. Explicando: 

Racismo - artigo 20 da Lei nº 7.716/89 - conduta discriminatória dirigida a um determinado grupo ou coletividade. O Racismo só será aplicado quando as ofensas não tenham uma pessoa ou pessoas determinadas, e sim venham a menosprezar determinada raça, cor, etnia, religião ou origem, agredindo um número indeterminado de pessoas. Por exemplo, negar emprego a judeus em uma determinada empresa, impedir entrada de negros em um restaurante. (crime inafiançável e imprescritível)

Injúria Racial - artigo 140, § 3º do Código Penal - Utilizar palavras depreciativas referentes a raça, cor, religião ou origem, com o intuito de ofender a honra subjetiva da vítima. Ela se caracteriza quando as ofensas de conteúdo discriminatório são empregadas a pessoa ou pessoas determinadas, procurando segregar a pessoa por sua cor, religião, ofendendo-a. Desde que o réu pague a fiança, ele poderá responder em liberdade. Com relação à prescrição, o delito prescreve em oito anos.

O crime de racismo é de ação pública incondicionada, ou seja, independe de representação da parte ofendida, enquanto a injúria racial por ser ação privada, precisa de representação da parte que se sinta ofendida em sua honra. 

Respondendo as inúmeras questões que surgem a respeito do tema, caso a pessoa se sinta ofendida ao ser chamada de "macaco", ou a atirarem uma banana em campo, ou praticarem qualquer tipo de injúria, chamando-a de ladrão, ou discorrendo sobre a homosexualidade, atitudes comuns em estádios de futebol, a pessoa deve fazer como o goleiro fez: Identificar o agressor e representar contra ele por injúria (seja ou não racial).

O advogado da garota afirmou que ela não é racista. Mas não é esse o crime que ela responde. Ótimo que ela não seja. Afirmou ainda que ela foi levada a injúria pela situação do jogo e pela torcida. Isso também parece óbvio, quando ofendemos a honra do árbitro e de seus auxiliares quando marcam pênalti contra o nosso time. Ocorre que eles não sentem a sua honra ofendida pelos torcedores. Porém, quando um jogador os ofende, tem uma punição esportiva (é expulso). Caso a acusação seja mais grave, como no caso do ex- zagueiro Junior Baiano, dirigida ao ex-árbitro Oscar Roberto Godói em 1995, insinuando que o árbitro estivesse bêbado, cabe uma representação penal e civil, que foi feita à época.

O Grêmio, por sua vez se diz contra o racismo. É verdade... não impede nenhuma raça de adentrar em seus espaços, dá voz e abriga todas as etnias, raças e cores e mantém uma conduta digna com relação ao tema. Mas deve ser responsabilizado conforme a Lei por qualquer ato de violência ou intolerância praticada por sua torcida em seu estádio ou fora dele, conforme Estatuto do Torcedor.

Não vou expor aqui a garota nem julgar o acontecido com o Grêmio. Acredito que o time do sul do país tem seus advogados preparados para isso e deve se defender e a garota deve responder pelo que fez e seguir a sua vida. Acho somente que as coisas devem estar muito bem esclarecidas para que possamos ter o nosso juízo sobre essas situações. O ato da menina é abominável, como qualquer ato de intolerância dentro dos estádios brasileiros. Contra essa intolerância, seguimos a nossa luta. Tirem vocês as suas conclusões

Marcelo Alves Bellotti

segunda-feira, 31 de março de 2014

O futebol é mesmo uma opção de diversão?

O futebol é conhecido no Brasil como o esporte das multidões, consegue reunir milhares de pessoas em estádios para assistir os jogos de seu time do coração e milhões de pessoas em frente a uma televisão, para ver o seu time jogar tranquilamente em um sofá.

De uns tempos para cá, os campos de futebol tem se transformado em palcos de intolerância e de verdadeiras batalhas campais entre gangues. Em geral sob o efeito de drogas e álcool e cada vez mais financiados pelos clubes de futebol.

Hoje torna-se complicado para qualquer pessoa se dirigir a um estádio, principalmente na condição de visitante, para fazer algo simples, como assistir a um jogo de futebol. A própria placa do seu carro é um sinal de que é um inimigo, pronto para ser intimidado e atacado. 

O que essas gangues pretendem é simplesmente intimidação. É deixar claro "quem manda"! Nesse sentido, quando são visitantes, eles fazem "alianças" com torcidas de um time para poder se garantir quando não estão na sua cidade ou no seu estádio.

Nesse fim de semana, mais intolerância. No Maracanã, irritada com provocações do adversário, a torcida do Fluminense iniciou uma confusão. O tumulto foi contido e não teve consequências maiores, só o susto e a correria. Confira o que ocorreu.

Em Porto Alegre no Gre-Nal 400, disputado na Arena do Grêmio,  que decidia o título, torcedores do Inter se desentenderam no intervalo de jogo e um grupo passou a depredar o estádio que visitava. Segundo os administradores do Estádio, cerca de 191 cadeiras foram destruídas. A certeza da impunidade é tão grande que os agressores mostram as cadeiras destruídas como se fosse um troféu.

Em Santos, enquanto era disputada a semi-final entre Santos e Penapolense, todos no estádio tinham a certeza da vitória do time da baixada. Porém por um vacilo da equipe santista, o time do interior empatou o jogo e logo depois virou o placar. A comemoração nas tribunas do Estádio Urbano Caldeira por parte dos dirigentes da Penapolense irritou a torcida santista, que não hesitou em tentar invadir o camarote do adversário, quebrar uma mesa (que por sinal pertence ao próprio clube) e ameaçar a integridade física dos dirigentes do time do Interior. A diretoria do time santista sequer emitiu uma nota, mas espera ansiosa ser premiada com um jogo da final em seu estádio.

Pra terminar, na Suécia, um torcedor morreu espancado logo na abertura do campeonato, que teve a sua primeira rodada nesse domingo.

É preciso discutirmos melhor sobre o que queremos para o nosso futebol, para a nossa sociedade. Não adiante discutirmos somente punição, ou informatização do sistema, que passa por cuidar somente da violência em times grandes. É preciso medidas de prevenção com uso de inteligência policial, é preciso medidas contundentes dos meios esportivos, de educação e de punição aos responsáveis, de acordo com o previsto na Lei. 

Estamos em São Paulo, modernizando o Morumbi e Construindo duas novas Arenas. Ao final do ano, teremos três estádios prontos para receber qualquer jogo do futebol do mundo. Estamos preparados para entregar esse serviço para o público que frequenta esse estádio? Como será essa relação, a partir das novas arenas? Notem, esse não é um problema brasileiro. Existe em todos os estádios no mundo inteiro. É um reflexo do que somos hoje como sociedade no mundo.

Que a sociedade brasileira inicie esse debate! Pra afastar a intolerância dos estádios e trazer de volta a diversão de assistir um jogo de futebol!

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 11 de janeiro de 2014

Tapetão 2013... longe de um final!

Novamente vamos falar sobre o caso da decisão da Justiça Desportiva acerca do Campeonato Brasileiro realizado no ano passado, que alterou um resultado de campo nas partidas entre Portuguesa x Grêmio e Flamengo x Cruzeiro.

Ontem um advogado torcedor do Flamengo e outro advogado torcedor da Portuguesa conseguiram através de decisão liminar do mesmo juiz, que fosse suspensa a punição imposta para os clubes e restituída à pontuação obtida pelo resultado da partida.

Peço uma reflexão sobre as alegações e principalmente, sobre o mérito (que originou toda essa confusão) do que aconteceu na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2013 na primeira Divisão

A alegação para que a justiça concedesse a liminar é a de não cumprimento do Art. 35 da Lei 10.671, conhecida como "Estatuto do Torcedor" que garante que as decisões da Justiça Desportiva devem ter a mesma publicidade que as decisões dos tribunais federais. Note que aqui não é citado o princípio da publicidade consagrado pelo art.37 da Constituição Federal. O artigo da Lei prevê a mesma publicidade das decisões proferidas pelos tribunais federais.

Não tenho conhecimento de como é dado à publicidade aos atos dos tribunais federais, se são através de publicações em sites específicos. Sei que nunca vi tais decisões tornadas públicas. Tomei a decisão então de entrar no site do STF para verificar a publicidade quanto as suas decisões. A última atualização, feita em 11/01/2014 consta decisões do tribunal no período de 12/12 a 19/12/2013. Acompanhando um processo decidido nesse período, a publicação foi feita a partir da sentença do Ministro. Porém a publicidade só se deu em 11/01/2014.

Existe uma diferença sensível entre publicidade e publicação, onde nem sempre a publicação de uma sentença garante a publicidade da mesma. Segundo o dicionário, publicar significa tornar publico e publicidade significa divulgar informações utilizando-se de veículos normais de comunicação. A publicidade então se dá por meios de comunicação, feita de maneira clara e com qualidade suficiente para que o público entenda a mensagem. Existe uma ótima definição das diferenças feita por Antônio Carlos Cintra do Amaral, a respeito do assunto. Para conhecê-la, clique aqui.

Após ler cuidadosamente toda a Lei Federal 10.671, podemos observar vários artigos que não são cumpridos, como por exemplo, o Art. 27 II que prevê meio de transporte, ainda que oneroso, para condução de idosos, crianças e pessoas portadoras de deficiência física aos estádios, partindo de locais de fácil acesso, previamente determinados. A Lei determina ainda que somente estejam dispensados de cumprimento desse artigo, os estádios com capacidade inferior a 10.000 pessoas. Em seu art.30 parágrafo único, a Lei diz "A remuneração do árbitro e de seus auxiliares será de responsabilidade da entidade de administração do desporto ou da liga organizadora do evento esportivo." Porém, na prática, quem paga os árbitros são os clubes... O dinheiro para isso sai diretamente dos borderôs, como podemos ver em qualquer borderô disponibilizado pela CBF. 

Em uma primeira leitura da Lei, podemos perceber que apesar de ser uma Lei Federal, como dizem os doutos causídicos, alguns de seus artigos são sonoramente ignorados na relação entre torcedores e entidades que organizam as competições. Lembrando que a Lei foi assinada em 15 de maio de 2003.

Vamos agora refletir sobre o mérito do ocorrido, por exemplo, no caso da Associação Portuguesa de Desportos.

Um de seus atletas seria julgado. A Lusa contratou um advogado, que certamente a representou por procuração. O julgamento ocorreu... O advogado fez uma sustentação oral para defesa de seu representado. A Portuguesa perdeu a causa. Foi notificada no ato, através de seu advogado da penalização por duas partidas. Protocolou o recebimento da publicação da sentença do tribunal, dando ciência do resultado. O mundo do futebol agora condena o advogado contratado pela Portuguesa, tentando através de várias ilações, ligar a sua imagem com a dos times cariocas, sobretudo com a do Fluminense, para caracterizar a sua má fé em não informar a Portuguesa da punição de dois jogos ao seu atleta.

Porém ele era contratado da Portuguesa e, se o clube alega que não sabia da decisão proferida na sexta-feira, algo aconteceu na relação entre advogado/clube. O fato é que isso gerou a escalação de um atleta ilegal na partida em que o clube sabia da existência da pena (Seu representante legal deu ciência da punição).

Então, se olharmos para o mérito, a escalação ilegal de um atleta em que o clube envolvido sabia da punição e de forma negligente (ou por falha de comunicação) fez com que o atleta participasse do jogo.

Se olharmos o teor da Liminar, ela faz referência ao descumprimento de uma Lei Federal, que manda dar publicidade (dada ao caso somente após o jogo), o que torna a punição sem efeito, mesmo com o time punido tendo conhecimento do fato.

Ambas as teses podem ser bem fundamentadas por causídicos. O foco da mídia agora está neles. Juristas, desembargadores, especialistas deitam seus conhecimentos nas principais redes de rádio e de televisão em meio a demonstrações de ódio e de intolerâncias de cronistas esportivos e das torcidas. 

Isso em ano de Copa do Mundo, eleições para a presidência da CBF e eleições para Executivo e Legislativo. Todos querem mostrar serviço!

E o futebol... Pobre futebol!!!

Marcelo Alves Bellotti

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Opinião: Caso Portuguesa

Novamente um caso ocorrido fora de campo leva a decisão de um campeonato aos tribunais. A Portuguesa de Desportos poderá ser punida hoje com a perda de quatro pontos.

O que eu gostaria de deixar claro algumas coisas a respeito desse caso: A Portuguesa de Desportos errou ao escalar um atleta irregular no seu jogo contra o Grêmio. Não adianta alegar desconhecimento, pois seu advogado, legalmente constituído levou uma cópia da sentença protocolada logo após ela ser proferida. O atleta da Lusa pegou dois jogos e só havia cumprido um. 

O Flamengo teve um jogador expulso na final da Copa do Brasil. O atleta deveria cumprir a automática no próximo jogo da CBF e efetivamente cumpriu. Pegou um jogo de suspensão e o time do Rio pode alegar que a suspensão foi cumprida no jogo contra o Vitória.

Voltando ao caso da Portuguesa, que parece mais claro... surgiu uma interpretação de que não houve o dolo por parte da equipe paulista.

É verdade, porém temos que lembrar que as punições no Direito se dão por dolo ou culpa. No caso da Portuguesa, existe claramente a culpa.

Outra alegação é o caso do Duque de Caxias, que escalou um jogador que estava irregular, admitiu o erro, alegou desconhecimento de um dos cartões (a suspensão se deu por três amarelos, sendo que o primeiro aconteceu quando o atleta jogava pelo Ipatinga) e foi absolvido.

Novamente tentamos fazer com da exceção confirme a regra.Em todos os casos semelhantes, houve a perda de pontos para o time que escalou um jogador irregular.

Lembrei do caso do lateral direito Claudio, que em 2012 na estréia da série C jogou sem condições pelo Brasil de Pelotas no jogo contra o Santo André, uma vez que tinha sido expulso na final da série C um ano antes. Não houve nenhum jogo da CBF nesse período e a punição deveria ser cumprida no próximo jogo válido em uma competição da CBF. O time acabou sendo punido por seis pontos e foi rebaixado. O jogo contra o Santo André foi vencido pelo Caxias e foi válido pela primeira rodada da série C. O beneficiado com a perda de seis pontos pelo time do Brasil foi o próprio Santo André, que permaneceu na série C nesse ano.

Não sei se a Portuguesa deveria ser rebaixada pelo fato... não sei qual deveria ser a punição para a Portuguesa. Mas o fato é que a Portuguesa com certeza deve ser punida. Se isso vai favorecer Fluminense ou qualquer outro time, se a punição deve ser somente financeira... isso os senhores juízes que decidam!

Essa é a minha opinião.

Marcelo Alves Bellotti

domingo, 10 de novembro de 2013

Audax x Grêmio Osasco...

A semi final da copa Paulista definiu nessa semana os finalistas da competição. Em uma ponta, um time apoiado pela prefeitura e com a "tradição" de pouco mais de 8 anos de existência, o São Bernardo eliminou com sobras em dois jogos a equipe do XV de Piracicaba. Tecnicamente, nada a contestar, apenas a esperança que daqui a quinze anos, o time do ABC ainda exista.

Na outra ponta, um caso inédito! Dois times teoricamente do mesmo dono... O time do Audax superou o seu comprador, o Grêmio Osasco.

Após ser adquirido pelo Grupo Casino, a rede de supermercados Pão de Açucar começou o processo de venda da sua estrutura de futebol em São Paulo e no Rio de Janeiro, uma vez que não era do interesse do grupo comprador dar continuidade ao projeto.

Após várias reuniões, um grupo comandado pelo empresário Mario Teixeira (integrante do Conselho do Bradesco), dono do Grêmio Osasco, tendo a participação do Bradesco, que tem a sua sede naquele município e com o apoio da prefeitura, efetivaram a compra do Audax. 

O projeto de Mario Teixeira, segundo reportagem do Estadão, já contou com a construção da cobertura do Estádio Jose Liberatti, prevê uma parceria com a prefeitura na reforma dos CTs, e construção de alojamentos para 70 atletas, pintura e iluminação da área externa do estádio, ônibus para transporte da delegação e segurança.

O prefeito Jorge Lapas (PT) ainda garantiu a inauguração do sistema de iluminação do Estádio, em parceria com a Eletropaulo. 

O projeto, que parece ser econimicamente lucrativo para todos os lados, cria um dilema ético, iniciado com o confronto válido pela semi-final da Copa Paulista. Pelo que se tem notícia, o Audax (não há informações se esse será o nome do time) disputará a primeira divisão e mudará a sua sede para Osasco e o Grêmio Osasco disputará a série A2, com uma "estrutura B" até decidir o que fará desta vaga no campeonato.

Acho toda essa negociação aceitável. Quando a cerca de dez anos pregavam a profissionalização do futebol, era inevitável que esse tipo de situação surgisse. Porém isso não pode ser encarado como "maldições do futebol moderno". Fusões de clubes sempre aconteceram e continuarão acontecendo, como a junção entre Pinheiros e Colorado em Curitiba, que originou o Paraná Clube, em 1989.

Porém quando o assunto é futebol, a coisa não parece ser tão simples assim... os torcedores do GEO em sua maioria se mostraram contrários em disputar a primeira divisão com uma "compra de vaga" conforme podemos observar clicando aqui

O fato é que a Federação deve estar atenta para evitar situações como a que ocorreu nesse fim de semana. Jogo limpo, mas que sempre será questionado, pois apesar de legal, pode ser discutido eticamente, como o duelo entre Palmeiras e Palmeiras B ocorrido na Copa São Paulo de 2005 e vencido pela estrutura principal pelo placar de 4 a 0. Após o questionamento ético do jogo, a Federação Paulista tratou de excluir o Palmeiras B dos convites para a Copa São Paulo.

Não sou favorável a intervenções da FPF nos clubes, mas uma Federação deve zelar pela reputação de seus campeonatos, fazendo deste uma disputa que não pode ser questionada pela sua lisura ou pelo comportamento ético de seus clubes. É o mínimo esperado. Vamos aguardar o desenrolar da situação.

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 6 de abril de 2013

Grêmio Esportivo Mauaense

O futebol na região do ABC sempre foi muito forte no amadorismo. Temos até hoje uma tradição de grandes clubes e ligas muito bem organizadas. Por essa razão, a história dos clubes da região das sete cidades (Santo André, São Caetano do Sul, São Bernardo do Campo, Mauá, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra) em geral é bem recente.

No caso de Mauá, a cidade também tem uma história recente de emancipação. A história da cidade nos remete a figura de um dos maiores empresários brasileiros, o senhor Irineu Evangelista de Souza, Barão e Visconde com grandeza de Mauá. Em 1856 o Barão teve aprovado o decreto que autorizava a construção de uma linha férrea que ligara Santos a Jundiaí. Criou-se então a São Paulo Railway Company para a realização da obra. Como a presença do Barão na construção da Ferrovia era intensa, resolveram então se fixar em um vilarejo, a redor da Capela Nossa Senhora do Pilar as margens do Rio Tamanduateí, denominada povoado de Pilar.
Então em 1862 foi construída uma fazenda para abrigar o Barão e toda a comitiva que estava sempre presente na construção da ferrovia. A fazenda era de propriedade do Capitão João e possuía uma casa grande, onde hoje abriga a Casa da Cultura e o Museu Barão de Mauá. Desde a sua fundação, o povoado ou Vila do Pilar pertenceu a São Bernardo. Após o funcionamento da Ferrovia, em 1883 foi inaugurada a Estação Pilar e em 1926 ela passou a se chamar Estação Mauá. A partir de 1938 virou então Distrito de Mauá e foi integrada a Santo André.

Em 1943 começaram os movimentos entre os distritos andreenses para a emancipação. O plebiscito que tornou o Distrito de Mauá um município ocorreu em 22 de novembro de 1953. Em 1954 houve uma eleição e a posse da primeira prefeitura e a instalação dos vereadores eleitos se deu a partir de Janeiro de 1955.

Portanto estamos falando de um município de apenas 58 anos de vida e que a partir de 1981, por sugestão do então presidente da Federação Paulista de Futebol, o sr. Nabi Abi Chedid, resolveu inscrever um time de futebol para participar ativamente do cenário esportivo paulista e nacional. O nome encontrado foi Grêmio Esportivo Mauaense.

O legítimo representante de Mauá foi fundado em 15 de dezembro de 1981 e tem como suas cores o azul e branco. O Brasão, a exemplo do vizinho Santo André, remete ao brasão da cidade e ressalta a importância da ferrovia na vida do Mauaense.

O mascote é também curioso: a Locomotiva, surge no cenário como uma forma de homenagear o Barão de Mauá, principal inspirador do nome da cidade.

O time então começa a sua história a partir de 1982. Suas principais conquistas foram os títulos da série A3 em 1985, logo após a sua fundação, e o título da segunda divisão em 2003. A se destacar também a campanha do vice campeonato Paulista da Segunda Divisão em 1996.

Nesse período tivemos uma breve interrupção entre 1992 e 1993, quando a locomotiva encerrou as atividades profissionais.

Hoje, mesmo com todas as dificuldades impostas pela elitização do futebol moderno, sem uma imprensa forte devido a proximidade a São Paulo, o que impossibilita a maior divulgação do time, o Grêmio segue firme representando o município de Mauá no cenário futebolístico paulista.
O time manda seus jogos no estádio Municipal Pedro Benedetti, com capacidade para 10.500 pessoas e que foi inaugurado em 8 de dezembro de 1984, na partida Mauaense 1x2 São Paulo. Ao contrário do que acontece em outras praças esportivas, o nome Pedro Benedetti homenageia um grande futebolista da cidade que brilhou nas seleções locais na década de 60.

Em 2013 o Grêmio Mauaense disputará a partir de 27 de abril a segunda divisão do Campeonato Paulista, ao lado de Diadema, Jabaquara, EC São Bernardo (o legítimo Bernô), a Portuguesa Santista e o Água Santa de Diadema.

Marcelo Alves Bellotti

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Público Pagante

Cada vez mais em fóruns, mídias sociais como twitter, google+ ou facebook, e até nos programas esportivos, uma grande discussão é proposta sobre a fidelidade do torcedor pelo seu time do coração.

Isso tudo tem como o pano de fundo a utilização do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, de propriedade do São Paulo Futebol Clube. No próximo fim de semana teremos o evento "Estréia do Ganso" que está sendo tratada com maestria pela diretoria do São Paulo, com uma promoção que pode levar cerca de 60 mil pessoas no seu estádio.

Atualmente o estádio tem capacidade para 65 mil pessoas aproximadamente, com as restrições impostas pela Polícia Militar para garantir a segurança dos torcedores. A grande discussão é para que Palmeiras, Corinthians e Santos retomem os seus jogos no Estádio.

Hoje o público é medido pela presença média no estádio. Então um clube que joga no Pacaembu, por exemplo, nunca terá uma ocupação média maior que a capacidade do estádio, que hoje gira em torno de 38 mil pessoas.

Acredito que mais importante do que discussões inócuas sobre presença de público no Morumbi ou no Pacaembu seja medir a capacidade da torcida de ocupação nos estádios onde seu clube manda os seus jogos, seja lá onde for.

Nesse ponto, a Liga Inglesa dá o exemplo, quando cita que clubes como o Arsenal e o Manchester tem cerca de 99% de ocupação de seus estádios garantidos pela venda antecipada de carnês, logo que o campeonato se inicia.

Veja que em nenhum momento citam a capacidade do Old Trafford (76 mil pessoas) ou do Emirates Stadium (60 mil pessoas). Lembrando que só na capital Inglesa temos os estádios de Wembley (90 mil lugares), Stamford Bridge (Chelsea - 43 mil lugares), Boleyn Ground (West Ham - 35 mil lugares), White Hart Lane (Totteham - 36 mil lugares) e do Craven Cottage (Fulham - 25,5 mil lugares). Em nenhum momento é sugerido a um clube inglês que troque o estádio que manda os seus jogos por razões econômicas. Isso em uma liga que privilegia o lucro acima de tudo!

A paixão das torcidas locais e seu interesse por determinadas competições então deveriam ser mediadas por um índice mais eficiente do que uma média simples feita entre público presente ao estádio. Por esse índice, um público de 54,118 mil pessoas no Morumbi como o observado na partida contra o Cruzeiro mostra uma ocupação de 83% do estádio.

O Grêmio, cujo estádio Olímpico tem capacidade para 52 mil pessoas, teve no jogo contra o São Paulo o índice de 77% de ocupação de seu estádio. O público registrado foi de 40,217 mil pessoas.

O Corinthians que aparece em terceiro lugar como o clube de maior público no Brasileirão 2012, com 34,843 pagantes no jogo contra o Atlético-MG ocupou 92% do Pacaembu. Essa deveria ser a medida para decidir a maior participação do torcedor dentro do seu estádio, inclusive para cálculo de investimentos. Ao analisarmos o público médio do Corinthians, por exemplo, que lidera o ranking teremos 65% de ocupação do Pacaembu nos jogos em que ele é mandante no estádio. Quando comparamos com o Náutico, a ocupação média do Estádio dos Aflitos é de 64% com um público médio de 12,322 mil pessoas por jogo.

Vejam como a perspectiva muda. Não podemos solicitar ao Náutico, sob qualquer pretexto financeiro, que deixe de jogar nos Aflitos, cuja capacidade é de 19 mil lugares para jogar no Arruda, por exemplo, cuja capacidade passa de 60 mil pessoas. O nível de ocupação do estádio cairia sensivelmente, juntamente com a satisfação dos seus torcedores.

Se tomarmos por base os públicos médios do Brasileirão e compararmos com a capacidade total dos estádios em que os clubes mandam seus jogos, teremos algumas surpresas quanto ao comparecimento do torcedor para apoiar seu time no estádio.

E a preocupação principal de qualquer estrutura minimamente profissional deve ser sempre a satisfação do seu cliente final. É por eles e para eles que qualquer empresa existe. No caso dos clubes de futebol, a razão da existência dos clubes e da sua longevidade são os seus torcedores. E em nome deles, o clube deve agir e pautar as suas decisões de onde jogar.

Marcelo Alves Bellotti