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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Colin Kaepernick vai além das 100 jardas

Acontecimentos recentes fizeram com que o QB do San Francisco 49ers, Colin Kaepernick, chamasse a atenção para si, o que é de se estranhar (Talvez não tanto devido às últimas temporadas do atleta) é que esta comoção que cerca seu nome hoje não se dá pelo que ele faz dentro do campo de jogo, mas sim por um fator extra campo, a luta contra o preconceito racial nos EUA. 

O assunto voltou a ser debatido com mais intensidade após a morte de um jovem em Ferguson, Missouri, em agosto de 2014. Michael Brown (Um jovem negro) foi morto à tiros pela polícia local e gerou revolta dos cidadãos americanos. 

Colin Kaepernick fez protestos no período de pré-temporada, durante a execução do hino nacional americano o jogador se mantinha ajoelhado e não se portando como a maioria dos jogadores (De pé e com a mão no peito), o fato de Kaepernick ter tido um relativo sucesso tendo chegado ao Super Bowl em 2013 chamou mais atenção para o protesto que vem ganhando apoiadores ao redor da liga, o WR Doug Baldwin do Seattle Seehawks foi um dos que manifestaram apoio à causa.

Luiz Henrique Pelegrini Bellotti

terça-feira, 26 de maio de 2015

Dança dos técnicos

Mais um técnico de futebol demitido no país do futebol. Trata-se agora de Wanderley Luxemburgo no Flamengo, juntando-se a outros técnicos demitidos por ausência de resultados no meio do trabalho. É estranho como um profissional aceita trabalhar nas condições que oferecem aos técnicos brasileiros.

Fica fácil compreender quando falamos em salários. Certa ocasião em um programa na FOX, o técnico Vagner Mancini quando perguntado se o Botafogo lhe devia algo, disse que tinha assinado um contrato por Nove Milhões de reais e tinha recebido apenas os dois primeiros meses. Consultando as bases do contrato na época de sua assinatura, falava-se de um contrato de nove meses, Então pela conta o treinador ganharia um milhão por mês???

É incrível como se contrata e demite sem qualquer critério. A ignorância do dirigente brasileiro é tão grande que salta os olhos. Recentemente o Vasco contratou um treinador que ficou famoso por privilegiar a construção de uma equipe pela marcação forte e na sua apresentação, o dirigente máximo falava que tinha trazido um técnico que faria com que o Vasco jogasse privilegiando o ataque.

Não sabemos planejar, não temos noção do que são valores empresariais e tratamos tudo como resultado e business, sem saber ao certo o que significam gestão por resultados e bussiness plan. E assim vamos levando... pobre futebol!

sábado, 24 de janeiro de 2015

Muito mi mi mi...

O meia Bernard criou uma polêmica com relação a sua participação na equipe do Shakhtar Donetsk. O time Ucraniano veio fazer uma excursão no Brasil e uma série de amistosos. Antes de jogar em Minas, contra o Atlético Mineiro, o meia soltou o verbo contra o seu próprio time, para tentar justificar o fracasso que tem sido as suas atuações dentro da equipe.

Mas esse desgaste não vem de agora. Em agosto, após o final da Copa do Mundo no Brasil, o jogador simplesmente não se apresentou ao elenco. Na época, seu treinador (Lucescu) reclamou "O comportamento dele é simplesmente inexplicável para mim. Em 40 anos da minha carreira de treinador, eu nunca me deparei com uma situação como esta que estou observando com ele! Nós nos separamos de Bernard no dia 15 de maio, após a final da Copa [da Ucrânia]. Permitimos que ele fosse para casa mais cedo do que todos os outros. Pois agora já vai fazer quase três meses que a gente não o vê. E todo esse tempo, ele continua recebendo o salário do seu contrato"

Com relação a esse episódio, o atleta produziu um comunicado dizendo entre outras coisas que "Confesso sim, que estou com receio de voltar à Ucrânia" (leia a íntegra do comunicado). O fato concreto é que o time Ucraniano conta com mais de dez jogadores brasileiros que se apresentaram em tempo e não causaram problemas ao time Ucraniano.

Recentemente, o atleta se atrasou novamente a sua apresentação aqui no Brasil e irritou o técnico. Quando chegou para o jogo em Minas contra o seu ex-clube, declarou: "O momento, como eu disse, é de infelicidade, estou procurando meu espaço e eles estão cientes. Feliz ou não, tenho que trabalhar, eles investiram, pagam em dia e tenho que cumprir meu contrato"

Desta vez o técnico foi mais duro: "Bernard tem que demonstrar em campo que é homem. Bernard só chora. Só veio tomar dinheiro. Sofro, mas creio que todos querem sofrer para ganhar 300 mil euros por mês". O técnico ainda complementou: "Há jogadores talentosos, mas que não são preparados para o futebol mundial. Ronaldinho foi para um PSG menor que o atual e parou no Barcelona. Romário e Ronaldo começaram no PSV (Holanda) e foram para o Barcelona. Outros têm que fazer nome. Lucas, Pato, Robinho... Por que não deram certo? Porque quando entraram nestes times, com 18 anos, 19 anos, os clubes já queriam resultados imediatos"

O fato é que essa discussão mostra como são os valores dos nossos jogadores. É preciso pensar nessas atitudaes para melhorar o nível do nosso futebol. É certo que o técnico também é um falastrão, mas ele tem razão em tudo o que fala. Em um momento da entrevista ele diz: "[No Brasil] A torcida aplaude um drible, não se importa com a organização tática. Não há juízo de valor, há juízo estético. Bernard declarou que eu não colocava os mais habilidosos para jogar? O talento precisa ser aliado à disciplina, ao coletivo".

Acho que há o exagero, mas existem pontos que podemos refletir para podermos crescer no nosso futebol. Fizemos uma copa com um time pífio que só sabia jogar pelos lados e mandar a bola pro Neymar ou cruzar bolas para a área para o Fred ou em jogadas de bola parada. E depois da copa ainda dissemos que não houve nada de novo? Então nosso modo de jogo é pensado e proposital? Onde queremos chegar? Essa deve ser a reflexão... a discussão deve ser apenas um pano de fundo... eles que se resolvam... ganham muito bem para isso!

Marcelo Alves Bellotti

quinta-feira, 24 de abril de 2014

A3 tem rodada emocionante

Ontem seguiu mais uma rodada do Paulistão da série A3 que chegou a sua fase final e indicará entre os oito classificados para essa fase, os quatro que em 2015 conseguirão o acesso para o segundo nível do Paulistão, na série A2.

Os destaques técnicos são difíceis para destacar, uma vez que não acompanhei nenhum dos jogos, mas quando analisamos os acontecimentos da rodada, poderemos ter uma ideia do que é o futebol no nosso interior do estado.

Começando pelos jogos que não encontramos nenhuma ocorrência mais séria. Apesar de demonstrar um bom trabalho fora de campo, o time do são José dos Campos FC não conseguiu o sucesso esperado pelos seus dirigentes e amargou a segunda derrota em dois jogos. O time segue sem estádio e jogou ontem em Bragança Paulista, onde tem mandado seus jogos para apenas 26 pagantes, que proporcionou uma arrecadação de R$290,00 e um prejuízo somente no borderô de R$6.571,00, onde se destacam 4 mil com "despesas diversas" e 1,9 mil com o policiamento. O resultado praticamente deixa o time de São José dos Campos sem chances de classificação, tendo que fazer pelo menos dez pontos em doze possíveis.

Já pelo Sertãozinho, a vitória pode ser considerada heroica. O time teve dois jogadores expulsos no segundo tempo e jogou pelo menos seis minutos com apenas nove jogadores. O time somou sua primeira vitória nesta fase.

Foto:Futebol Interior
O outro jogo do grupo mostrou uma partida sem maiores ocorrências. O Novorizontino levou mais de 2700 torcedores para um jogo em uma quarta-feira a noite, mostrando que a cidade está participando na campanha da equipe e focada no acesso. O resultado de empate por 1 a 1 favoreceu o time da Água Santa. Ambos chegaram a quatro pontos ganhos em dois jogos, mas a equipe de Diadema pode comemorar um empate fora de casa.

Do outro lado do grupo, dois jogos mostraram duas histórias extremamente curiosas e bizarras. Começando pelo jogo entre Rio Preto e Matonense, disputado no Estádio Anísio Haddad, em São José do Rio Preto. O jogo foi acompanhado por pouco mais de 600 pessoas e o Rio Preto jogava pressionado por um bom resultado, já que foi a melhor equipe da primeira fase.

Antes de começar o jogo, porém um fato bizarro que o árbitro relatou na súmula: "ANTES DO INÍCIO DA PARTIDA, O SR RICARDO DO NASCIMENTO MORI DIRETOR DA EQUIPE S. E. MATONENSE VEIO AO NOSSO VESTIÁRIO INFORMAR QUE QUANDO DA CHEGADA DA DELEGAÇÃO AO ESTÁDIO FOI ENCONTRADO UMA LATA COM FEZES DENTRO DE SEU VESTIÁRIO. APÓS A RETIRADA DA LATA E A SAÍDA DA DELEGAÇÃO PARA RECONHECIMENTO DO GRAMADO, A REFERIDA LATA ENCONTRAVA-SE NOVAMENTE DENTRO DO VESTIÁRIO VISITANTE. "

Foto: Futebol Interior
O jogo foi bem disputado, a equipe do Rio Preto abriu o placar no primeiro tempo, mas logo aos cinco minutos do segundo tempo, a Matonense chegou ao empate. Três minutos após o gol de empate, o Rio Preto teve um atleta expulso o que complicou a situação do time da casa. O resultado foi muito ruim para o Rio Preto que soma somente dois pontos ganhos em dois jogos. Já a Matonense chegou ao quarto ponto ganho e segue na luta pelo acesso.

Mas o jogo mais esperado da noite era o Derby de Limeira. O jogo foi disputado no Estádio Major Levy Sobrinho e as torcidas ignoraram a grande bobagem feita pela Federação e compareceram ao Limeirão para acompanhar o jogo. No total tivemos 2.961 pessoas que foram a campo para ver o clássico da cidade, sendo 1916 torcedores da Inter e 1045 torcedores do Independente.

Foto: Futebol Interior
O jogo foi cercado de muita emoção. Gols perdidos e muito nervosismo em ambas as partes. Logo, as ocorrências fora do campo foram acontecendo. Aos 32 minutos do primeiro tempo o juiz expulsou o preparador físico do Independente por reclamação. Aos 21 minutos do segundo tempo, o árbitro paralisou a partida devido a utilização de sinalizadores por parte da torcida do Independente. Após a intervenção da Policia Militar, os sinalizadores foram atirados para dentro do campo, caindo na pista lateral do campo.

O jogo terminou com o placar favorável para a equipe do Independente que venceu pelo placar de 2 a 1. Após o término jogo, o goleiro Carlos Carioca agrediu o meia Claytinho com um soco na boca. O jogador teria ficado irritado com a comemoração do meia adversário. Os jogadores levaram o goleiro para o vestiário, o que impediu o árbitro ter expulsado o jogador em campo, mas o fato foi citado na súmula. 

Irritado, o meia do Independente declarou ao Globo Esporte: "– Eu jamais esperava isso dele. Jogamos juntos por três anos. Ele me falou algumas palavras que aqui é melhor nem dizer. Agora, vou procurar os meus direitos e ele terá que se explicar".

O resultado praticamente tira as chances de acesso da Inter de Limeira que ainda não somou ponto nesta fase e afirma o Independente como candidato ao acesso, com quatro pontos ganhos em dois jogos.

Essa é a série A3... final emocionante, confusões, brigas e bizarrices... A festa do Interior.

Marcelo Alves Bellotti

Campeonatos Regionais... rivalidade e títulos

Ontem tivemos o fechamento de dois regionais empolgantes pela participação dos seus torcedores. O campeonato Cearense teve uma final empolgante entre Cará e Fortaleza, enquanto que no Recife o encontro foi entre Sport e Náutico.

O Sport chegou ao seu 40º título e consagrou como seus heróis os jogadores Magrão e Durval. O goleiro Magrão, após o jogo, confessou estar vivendo um drama familiar com a sua esposa, que luta contra um câncer. Já Durval levantou mais uma taça na sua carreira. O jogador tem mais títulos que muitos times brasileiros.  O jogo foi acompanhado por mais de 30 mil pessoas onde a maioria saiu descontente, pois o jogo era de mando do Náutico. O time do Timbu chegou ao final sofrendo muito com as contusões de seus principais jogadores, mas valorizou demais o título do rival e proporcionou um grande espetáculo ontem para os seus torcedores.

No Ceará tivemos um empate sem gols no jogo do Castelão que garantiu o título ao Vozão, do técnico Sergio Soares. O jogo não foi bom tecnicamente mas prevaleceu a vantagem do Ceará que soube jogar com essa vantagem e garantiu o título cearense.

Com o título, o Ceará sobe para 43 conquistas regionais, sendo que comemora seu quarto triunfo consecutivo no futebol do Ceará. 

Parabéns as torcidas de Ceará e do Sport, que comemoram as suas conquistas regionais e que fazem com que a rivalidade que move a paixão pelo esporte permaneça. É certo que a mídia elitista de São Paulo e do Rio de Janeiro tratarão o Sport como candidato ao rebaixamento, e certamente alguns cronistas esportivos não entenderão o fato de uma cidade como Recife possuir três times, quando o mais indicado seria somente um time forte, com estrutura... E também o "bom senso" que deverá discutir sobre "problemas de mobilidade" quando tiver que viajar pelo Nordeste para jogar contra o Sport. Com relação ao Ceará... ora, ele está na série B, não será sequer citado em programas esportivos dessa mídia!

Mas independentemente disso, a paixão prevalece e o Vozão é campeão cearense. E o Leão da Ilha reina no Recife... Mesmo sem a força de outrora, os estaduais seguem consagrando equipes e acirrando as rivalidades no futebol.

Marcelo Alves Bellotti

segunda-feira, 31 de março de 2014

O futebol é mesmo uma opção de diversão?

O futebol é conhecido no Brasil como o esporte das multidões, consegue reunir milhares de pessoas em estádios para assistir os jogos de seu time do coração e milhões de pessoas em frente a uma televisão, para ver o seu time jogar tranquilamente em um sofá.

De uns tempos para cá, os campos de futebol tem se transformado em palcos de intolerância e de verdadeiras batalhas campais entre gangues. Em geral sob o efeito de drogas e álcool e cada vez mais financiados pelos clubes de futebol.

Hoje torna-se complicado para qualquer pessoa se dirigir a um estádio, principalmente na condição de visitante, para fazer algo simples, como assistir a um jogo de futebol. A própria placa do seu carro é um sinal de que é um inimigo, pronto para ser intimidado e atacado. 

O que essas gangues pretendem é simplesmente intimidação. É deixar claro "quem manda"! Nesse sentido, quando são visitantes, eles fazem "alianças" com torcidas de um time para poder se garantir quando não estão na sua cidade ou no seu estádio.

Nesse fim de semana, mais intolerância. No Maracanã, irritada com provocações do adversário, a torcida do Fluminense iniciou uma confusão. O tumulto foi contido e não teve consequências maiores, só o susto e a correria. Confira o que ocorreu.

Em Porto Alegre no Gre-Nal 400, disputado na Arena do Grêmio,  que decidia o título, torcedores do Inter se desentenderam no intervalo de jogo e um grupo passou a depredar o estádio que visitava. Segundo os administradores do Estádio, cerca de 191 cadeiras foram destruídas. A certeza da impunidade é tão grande que os agressores mostram as cadeiras destruídas como se fosse um troféu.

Em Santos, enquanto era disputada a semi-final entre Santos e Penapolense, todos no estádio tinham a certeza da vitória do time da baixada. Porém por um vacilo da equipe santista, o time do interior empatou o jogo e logo depois virou o placar. A comemoração nas tribunas do Estádio Urbano Caldeira por parte dos dirigentes da Penapolense irritou a torcida santista, que não hesitou em tentar invadir o camarote do adversário, quebrar uma mesa (que por sinal pertence ao próprio clube) e ameaçar a integridade física dos dirigentes do time do Interior. A diretoria do time santista sequer emitiu uma nota, mas espera ansiosa ser premiada com um jogo da final em seu estádio.

Pra terminar, na Suécia, um torcedor morreu espancado logo na abertura do campeonato, que teve a sua primeira rodada nesse domingo.

É preciso discutirmos melhor sobre o que queremos para o nosso futebol, para a nossa sociedade. Não adiante discutirmos somente punição, ou informatização do sistema, que passa por cuidar somente da violência em times grandes. É preciso medidas de prevenção com uso de inteligência policial, é preciso medidas contundentes dos meios esportivos, de educação e de punição aos responsáveis, de acordo com o previsto na Lei. 

Estamos em São Paulo, modernizando o Morumbi e Construindo duas novas Arenas. Ao final do ano, teremos três estádios prontos para receber qualquer jogo do futebol do mundo. Estamos preparados para entregar esse serviço para o público que frequenta esse estádio? Como será essa relação, a partir das novas arenas? Notem, esse não é um problema brasileiro. Existe em todos os estádios no mundo inteiro. É um reflexo do que somos hoje como sociedade no mundo.

Que a sociedade brasileira inicie esse debate! Pra afastar a intolerância dos estádios e trazer de volta a diversão de assistir um jogo de futebol!

Marcelo Alves Bellotti

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Clubes de Futebol: Empresas comerciais ou Sociedades Civis?

Esta é uma grande discussão no futebol atual, onde convivemos com clubes tradicionais, que movimentam cidades e torcedores, paixões e intolerâncias de todas as maneiras.

A discussão vem a partir da Lei 9615 de 24 de Março de 1998, conhecida como "Lei Pelé", que foi criada com o intuito de dar mais transparência e profissionalismo ao esporte nacional. Ela previa no seu nascimento o fim do passe nos clubes de futebol no Brasil, o direito do consumidor, disciplinou a prestação de contas por dirigentes de clubes e a criação de Ligas. Determinou ainda a profissionalização, com a obrigatoriedade da transformação dos clubes em empresas. 

Porém essa Lei foi bastante modificada, até podermos chegar a situação atual, definida pela Lei 10.672 de 15 de maio de 2003, que estabelece base para tal mudança. Atualmente, o artigo 27 da Lei Pelé diz: "É facultado às entidades desportivas profissionais constituírem-se regularmente em sociedade empresária, segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil."

Até hoje se discute sobre a organização dos clubes de futebol, tentando enquadrá-la como uma atividade comercial ao invés de sociedades civis. A diferença básica está na origem da formação desses grupos.

Uma sociedade civil nasce de uma organização popular, voluntária em torno de interesses, propósitos e valores. Tem uma participação popular e política muito grande. Em geral ela auxilia na formação de um conceito de cidadania e de participação política da população. Sociedades civis são frequentemente povoadas por organizações como instituições de caridade, organizações não-governamentais de desenvolvimento, grupos comunitários, organizações femininas, organizações religiosas, associações profissionais, sindicatos, grupos de auto-ajuda, movimentos sociais, associações comerciais, coalizões e grupos ativistas.

Tudo isso é conceito, hoje em dia em geral isso tudo foi desvirtuado com as relações milionárias que em geral essas associações tem entre si ou com organismos estatais, participação política etc., mas servem como ilustração das diferenças das duas e podem auxiliar no entendimento das duas organizações e de seus objetivos.

Em geral, as sociedades civis são organizações sem fins lucrativos, destinados a promover atividades sociais, educacionais e esportivas, ligadas ao futebol profissional e amador. Já as sociedades comerciais são empresas legalmente constituídas, que fecham balanços contábeis anualmente e existem com objetivos comerciais claros. Em geral, seus objetivos estão na formação de atletas.

Lembro que na época da discussão sobre a Lei Pelé, veio uma questão que persiste até hoje, de que a transformação dos clubes em sociedades comerciais traria a obrigação dos seus dirigentes de serem responsáveis com relação aos gastos dos clubes, sob pena de serem responderem com seus bens pessoais para pagamento das obrigações da empresa. Ora, na organização das sociedades no Brasil, essa responsabilidade fica restrita as Sociedades em nome coletivo, em Comandita ou Sociedades em Conta de Participação, que representam uma parte muito pequena das organizações comerciais. Em geral e também no caso dos clubes de futebol, as empresas são formadas a partir de Sociedades por cotas de responsabilidade limitada (LTDA), que limitam a responsabilidade de seus dos sócios à integralização de sua cota de capital, não podendo, uma vez integralizado o capital social, o patrimônio pessoal do sócio responder pelas dívidas sociais;

Em geral então temos de um lado, clubes que contam com a mobilização de grandes massas como Palmeiras, Corinthians, etc, que são sociedades civis... Clubes do interior, que nasceram de uma vontade popular ou clubes que nasceram da organização de trabalhadores locais, especialmente ligados a formação da cidade, como no caso da ferrovia. Temos também casos de empresas formadas com participação política de seus prefeitos, visando a participação da população da cidade e o crescimento e desenvolvimento dos conceitos de cidadania e de participação popular de forma política.

Essa movimentação para transformação do clube em empresa e a criação de vários clubes comerciais veio após a regulamentação da Lei Pelé e está intimamente ligada ao objetivo do clube e na capacidade que essas empresas tem de captar investimentos. São times em geral novos e bem sucedidos, mas que apesar de terem títulos e acessos, não tem apelo popular.

Já os clubes provenientes de sociedades civís por não terem fins lucrativos são geralmente aqueles que atrasam salários, tem dezenas de ações de ex jogadores, mas que conseguem atrair umn público fanático em seus jogos.

Clubes apoiados por prefeituras também conseguem uma boa mobilização, mas estarão sempre condicionados ao apoio municipal, subsidiando ingressos para mobilizar seus torcedores. A partir do momento que a prefeitura tira o apoio... a tendência é do time sucumbir. 

Escrevi essa reflexão para tentar entender e explicar a razão da existência de clubes sem torcida e sem tradição, que tanto chamam a atenção por sua competência administrativa mas que não conseguem apoio popular contrastado com o mito que em geral a crônica tenta passar dizendo que quando um clube vira empresa, os dirigentes pagarão as dívidas do clube do próprio bolso e com isso serão mais responsáveis.

Nem uma coisa, nem outra... na realidade a Lei hoje facilita a organização de grupos seja para formação de clubes ou a formação de empresas. O futebol no Brasil continua movimentando milhões e segue sendo uma categoria profissional sem maiores regras, o que facilita grupos com maior poder de investimento. Temos empresas ricas, federações ricas, empresários ricos, jogadores ricos contrastando com clubes pobres, campeonatos pobres e futebol... Pobre Futebol!!!

Marcelo Alves Bellotti

domingo, 5 de janeiro de 2014

Copa SP movimenta o Interior e pode "salvar" o futebol

Mais um ano de Copa São Paulo de Futebol Junior... No total, chegamos a 45ª edição. E contando um pouco da história dessa Copa. Ela surgiu em 1969 como um torneio sub 20, e era organizada pela Secretaria Municipal de Esportes. A Taça São Paulo, como era chamada, comemorava o aniversário da cidade e tinha sua partida final jogada em 25 de Janeiro.

A partir de 1987, o então prefeito Jânio Quadros decidiu que o município não arcaria mais com as despesas da  Copa, e entregou a organização a Federação Paulista de Futebol. O que vimos a partir de então foi um outro torneio.

A FPF levou as sedes ao interior de São Paulo, estendendo mais convites as federações de todos os estados. Hoje a Copa São Paulo chega a sua 45ª edição com 104 times divididos em 26 grupos.

As cidades sede fazem as suas apresentações, sempre destacando a importância do futebol de base e mobilizando a cidade para participação.

É claro, aqui ninguém quer tapar o sol com a peneira... o sistema de classificação para a Copa São Paulo não é técnico, e sim político! Equipes são indicadas por suas federações que os fazem da maneira que bem entendem. A própria escolha das sedes não obedecem qualquer critério, apenas o político! O evento é muito mal vendido pela FPF, que distribui para redes pagas e para a Rede Vida em sinal aberto, somente se certificando que a final seja transmitida pela principal emissora do país, desde que envolva pelo menos um time que faça crescer o interesse das TVs.

Então, para a FPF é mais um evento televisivo, tanto que ela sem qualquer preocupação programa o início dos seus campeonatos sem que o seu campeonato de base acabe. Obviamente o interesse dos torcedores cai demais.

Mas as cidades escolhidas fazem a sua parte, como mostra o exemplo da cidade de Penápolis. Essa festa do interior faz com que o futebol ganhe novos adeptos. Ao tentar transformar o futebol em produto televisivo e elitizado, as federações podem ficar mais ricas, mas o futebol vai perdendo o seu interesse como esporte de massa.

Recentemente a Pluri Consultoria juntamente com a Stochos Sports realizou uma pesquisa para determinar o tamanho das torcidas no Brasil. O resultado não foi diferente de outros institutos, a não ser a divulgação de que hoje no Brasil, o maior contingente de pessoas não torcem para nenhum time de futebol. Para ver o resultado da pesquisa clique aqui.

Para que se tenha uma ideia do que pode ser o tamanho do estrago feito pela elitização do futebol, o que transformaria por exemplo o Flamengo como o time de maior torcida em Manaus, sendo que o último jogo que eu achei registrado do Flamengo em Manaus foi em 1996, um amistoso contra o Corinthians de apresentação do atacante Bebeto.

Se o público em Manaus não tiver um campeonato de bom nível, que faça com que seu torcedor vá ao estádio, ou que estimule suas crianças a praticarem o esporte, com certeza um outro esporte substituirá o futebol naquela praça.

Para quem acha isso difícil de acontecer, basta citar o exemplo da cidade de Leme. A cidade tem um time de futebol tradicional, a Lemense, que disputava o campeonato Paulista. Porém a falta total de um incentivo, de investimentos sério para levar o nome da cidade fizeram com que o clube pedisse licença na FPF. Aliado a esse fato, a prefeitura construiu o primeiro campo oficial de Futebol Americano no país. 

Hoje, o público em Leme assiste normalmente seus ídolos do futebol pela TV e se o futebol americano se difundir como esporte no Brasil, logo as crianças da região estarão em Leme para treinar o esporte americano. Hoje essas crianças já acompanham a NFL. Mas o que trás a identificação com o esporte é que a cidade que ele mora vive esse esporte... ele pode torcer para um time da cidade dele... se sente representado.

Obviamente isso requer tempo e investimento. O futebol hoje é um produto essencialmente de mídia e fundamentalmente feito para um público de classe média. Verificamos isso quando vamos comprar qualquer artigo esportivo (Chuteiras, camisas de clubes, bolas, etc). 

Acho que o caminho para o futebol seguir como manifestação popular está nas federações... está no apoio ao futebol em todas as cidades, em levar o público ao estádio para ver o time da sua cidade, que joga sempre em dia e horário diferente do que o time grande que passa na TV... é fazer com que o time da cidade tenha a chance de ganhar um torneio, para que os pequenos torcedores se identifiquem com o futebol, tenham gosto de ver o time de sua cidade.

A pesquisa da Pluri ainda mostra que Flamengo, Corinthians, São Paulo, Vasco e Palmeiras representam 49,5% dos torcedores no país. Fazer futebol pra esses clubes é fácil, mas privilegiá-los na mídia faz com que os times restantes percam a capacidade de captar investimentos. Sem dinheiro, esses clubes simplesmente fecham e seguirão fechando. O futebol, enquanto esporte de massa, vai fechando junto.

As federações podem mudar isso... hoje a FPF distribui R$ 15 milhões para 4 clubes disputar o torneio regional e R$ 2,4 Milhões para 16 clubes no primeiro nível (A1). No segundo nível (A2) ela distribui R$135 mil e 70 bolas. A distribuição desigual não permite aos clubes disputar o campeonato com os grandes. É óbvio que tem que haver distinção entre as divisões, mas elas não deveriam ser tão grandes. Cabe a FPF cuidar do produto futebol e dos interesses dos seus associados, e não dos interesses da TV, ou de pequenos grupos, que sequer dão valor ao regional, que fazem comissões e se unem para não participar mais do torneio regional e assim elitizar ainda mais o futebol no Brasil.

Nesse sentido, a Copa São Paulo ganha uma importância para as cidades sede, é a oportunidade que elas tem para difundir a prática do futebol nesse centros menores e cuidar do esporte como inclusão social, formando atletas paras os grandes centros, seja no Brasil ou no exterior e acima de tudo formando cidadãos, que terão orgulho de acompanhar o time da sua cidade.

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 14 de dezembro de 2013

Ano chega ao fim na FPF

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Os Campeonatos organizados pela Federação Paulista de Futebol chegaram ao seu final e proclamaram seus últimos campeões.

Pelo Campeonato amador do Estado, o vencedor foi a equipe do Ferroviários de Bragança Paulista que venceu os dois confrontos finais contra o Nacional de Vila Vivaldi, de São Bernardo do Campo.

Já pelo Paulista sub 20 - Segunda Divisão, o título ficou com o CA Diadema, que apesar da derrota no segundo jogo final contra o Taquaritinga, fez prevalecer o saldo de gols da primeira partida.

Então, nos torneios organizados pela FPF temos os seguintes campeões Paulistas em 2013:


Paulista A1 - Corinthians
Paulista A2 - Portuguesa
Paulista A3 - São Bento
Paulista - Segunda Divisão - Matonense
Copa Paulista - São Bernardo FC
Copa SP Futebol Juniores - Santos
Paulista Sub 11 - Santos
Paulista sub 13 - Corinthians
Paulista sub 15 - Corinthians
Paulista sub 17 - Corinthians
Paulista sub 20 - Primeira Divisão - Mogi Mirim
Paulista sub 20 - Segunda Divisão - CA Diadema
Paulista Feminino - Ferroviária
Seleções de Ligas - Seleção de Osasco
Amador do Estado - Ferroviários

Parabéns a todos.

Marcelo Alves Bellotti

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Bom Senso faz a primeira manifestação. Quem é o vilão?

E os membros do Bom senso FC fizeram na noite de ontem a sua primeira manifestação. E tiveram sucesso na sua iniciativa, pois paralisaram o início da partida por quase um minuto, em um gesto simbólico de braços cruzados. O protesto só não foi possível na partida entre São Paulo x Flamengo, onde o árbitro ameaçou dar cartões a todos os jogadores que participassem da ação.


O movimento busca ser ouvido pela CBF e promete seguir as suas manifestações até serem ouvidos. Rogério Ceni ontem ao final do jogo do São Paulo deu uma declaração onde esclarece vários pontos. Propõe uma rodada desmembrada, com jogos na quarta e no domingo valendo pela mesma rodada, deixou claro que o "alvo" das mudanças propostas é o campeonato regional, o grande vilão do futebol brasileiro. “O que não podemos é jogar 23 partidas no Paulista. A Libertadores te leva para o Mundial. O Brasileirão te leva para a Libertadores. A Copa do Brasil te leva para a Libertadores. E o Campeonato Paulista te leva para o Campeonato Paulista. O Brasileirão com 38 rodadas é perfeito. Todo ano o campeonato começa com pelo menos seis equipes consideradas favoritas. Mas o Paulistão não pode ter 23 partidas"

Ok... Eleito o vilão da história! Todos sejam jogadores, cronistas e torcedores seguem atacando o Campeonato Paulista e os regionais em geral. 

Façamos então uma reflexão. Por que os clubes disputam os regionais? Qual a grande razão da existência dos campeonatos estaduais, sobretudo os do eixo Rio-São Paulo, onde se concentram os clubes de maior torcida do país?

Os clubes que pertencem a esse eixo recebem cotas no campeonato Brasileiro que variam entre R$55 e R$84 milhões. A Copa do Brasil distribui cerca de R$700 mil por cada fase. Não vamos entrar no mérito da Sul americana ou da Libertadores, que tem premiação parecida com a da Copa Do Brasil, com premiações a cada fase alcançada.

Chegamos aos regionais... As cotas de TV pela simples participação no campeonato Paulista em 2014 chegará à cifra de R$25 milhões para os quatro "times grandes". Então vejamos, ao eliminarmos o Campeonato Paulista do calendário, os quatro grandes da capital perderiam uma receita de quase 25 milhões por 23 jogos. 

Estamos falando então do campeonato, que apesar de não ser classificatório para nada (a não ser para levar os dois melhores colocados para a série D), torna-se o campeonato mais rentável do país (proporcionalmente).

Essa é a principal razão de não verificarmos nenhum dirigente reclamando do excesso de jogos no Paulistão. Os jogadores se reúnem, fazem manifestações, saem a público defendendo uma causa, mas não conseguem identificar o problema.

Não adianta pedir a Rede Globo, ou a CBF, ou a FPF que aperfeiçoe o calendário, que legalize o Fair Play financeiro ou que garanta 30 dias de férias mais 20 dias de pré temporada. Essa responsabilidade é dos clubes!!!

Ano passado quem disputava a Libertadores não disputava a Copa do Brasil. Por solicitação dos clubes, esse ano já está disputando... Até o ano de 2006 o campeonato paulista era disputado com 19 jogos e pontos corridos. A partir de 2007 foi criada um mata-mata reunindo os quatro melhores, aumentando a premiação. Como em apenas uma oportunidade os quatro grandes se classificaram, para garantir uma cota maior, alteraram a fórmula para classificação dos oito melhores.

Tudo isso é de responsabilidade dos senhores presidentes dos clubes de massa, que cada dia que passa, precisam expor seus jogadores a jogos pela TV de olho nas cotas para poder fechar a conta no final do ano e poder pagar salários astronômicos aos jogadores.

Agora, pelo que eu entendi, em nome do Bom Senso eles querem encurtar o Paulistão? Ok! Encurtamos também as cotas, pois as TVs não pagarão cotas exorbitantes para quatro ou cinco jogos no começo da temporada.

Senhores jogadores que formaram o grupo denominado "Bom Senso". Vocês detectaram o problema (excesso de jogos), mas estão atuando em uma causa que não resolverá o problema do futebol brasileiro.

O movimento de vocês deveria estar sentado com quem lhes paga o salário e que age nas federações para inchar os campeonatos de olho nas cotas de TV.

Agora que conseguiram a mobilização, a real causa deve ser atacada, para que o problema seja de fato resolvido e que o calendário possa atender a todos. Atacar uma das possíveis causas me parece uma movimentação política, justo na véspera de eleições na CBF.

Marcelo Alves Bellotti

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Bom senso FC Melhor futebol pra quem?

Em mais uma reunião do grupo agora denominado Bom Senso FC, jogadores representando a elite do futebol nacional e alegando estar representando cerca de 300 atletas de futebol das séries A e B decidiram a pauta das reivindicações a serem apresentadas a CBF.

Cada vez mais o movimento deixa claro que o bem do futebol profissional abrange somente 40 clubes e a TV que os patrocina. As séries A e B e o futebol regional que também é profissional e que movimenta mais de 1,2 milhões de jogadores de futebol não parece interessar a esse grupo.

Segue a ínegra do comunicado:

"Hoje, dia 30 de setembro de 2013, reunimos pela primeira vez parte do grupo signatário do movimento Bom Senso F.C., que já conta com o apoio de mais de 300 atletas das Séries A e B do Campeonato Brasileiro.

O encontro contou com a presença de 20 jogadores de vários clubes do país e teve como objetivo definir propostas centrais para questões que têm repercutido no rendimento dos atletas e na qualidade do nosso futebol, tais como:

1- Calendário do futebol nacional
2- Férias dos atletas
3- Período adequado de pré-temporada
4- Fair Play Financeiro
5- Participação nos conselhos técnicos das entidades que regem o futebol

Ao fim da reunião, um documento foi assinado por todos os atletas presentes. O mesmo será encaminhado para a CBF requisitando um encontro para que possam ser debatidos os temas acima, visando benefícios ao futebol brasileiro."

Bom Senso Futefol Clube,
Por um futebol melhor.
Para quem joga,
Para quem torce,
Para quem transmite,
Para quem patrocina.
Por um futebol melhor para todos.

domingo, 29 de setembro de 2013

Manifesto

Algo inédito e inesperado no futebol brasileiro: Jogadores se unem e publicam um manifesto onde se dizem preocupados com a quantidade de jogos e com o pequeno tempo para preparação. Pedem que os apaixonados por futebol se unam a eles em benefício do futebol Brasileiro.

O texto é assinado por 75 atletas sendo que 70 deles joga a série A. Não estão representados nesse documento nenhum jogador do Vitória ou do Nautico. Aliás, das equipes do Norte/Nordeste, consta apenas a equipe do Bahia, e no Centro Oeste, apenas o Goias é representado no manifesto. Na série B temos a presença de 5 atletas, sendo dois do Palmeiras, dois do Paraná Clube e um do Figueirense. 

O objetivo a partir desse documento é discutir acerca do calendário, passando por pontos como o excesso de jogos e frequentes contusões dos atletas. Proponho então uma reflexão sobre todos os pontos apresentados pelos atletas. 

Segue a íntegra do manifesto (retirada do site da Revista Fórum):

Nós, atletas profissionais de futebol, com representantes em clubes das séries A e B do Campeonato Brasileiro, vimos, de forma oficial, demonstrar nossa preocupação com relação ao calendário de jogos divulgado na última sexta-feira (20) pela Confederação Brasileira de Futebol para o ano de 2014.

Devido ao curto período de preparação proposto e ao elevado número de jogos em sequência, decidimos nos reunir, de forma inédita e independente, para discutir melhorias em prol do futebol e da qualidade do espetáculo apresentado por nós a milhões de torcedores.

Queremos ser uma parte mais efetiva deste movimento que se faz extremamente necessário e, para tanto, solicitamos uma reunião com a entidade que administra o futebol brasileiro (CBF) para tratar de questões propositivas e de comum interesse.

Estamos convictos de que dar esse primeiro passo significa caminhar na direção do profissionalismo, da transparência e da busca pela excelência no futebol de alto rendimento praticado no Brasil.

Contamos com o apoio de outros atletas e convidamos todos os profissionais do futebol e apaixonados pelo esporte a se unirem a nós nesta iniciativa em benefício do futebol brasileiro.

Informaremos ao público o andamento e os resultados desta nova discussão assim que possível

Sem mais para o momento,

ABAIXO A LISTA DOS JOGADORES QUE ASSINARAM O DOCUMENTO:

Alessandro (Corinthians)
Alex (Coritiba)
Alex (Internacional)
Alexandre Pato (Corinthians)
Anderson (Paraná Clube)
André Rocha (Figueirense)
Arouca (Santos)
Barcos (Grêmio)
Bolívar (Botafogo)
Cássio (Corinthians)
Ceará (Cruzeiro)
Cícero (Santos)
Corrêa (Portuguesa)
Cris (Vasco)
D’Alessandro (Internacional)
Dedé (Cruzeiro)
Deivid (Coritiba)
Dida (Grêmio)
Diego Cavalieri (Fluminense)
Douglas (Corinthians)
Edson Bastos (Ponte Preta)
Edu Dracena (Santos)
Edu Schimidt (Sem Clube)
Elano (Grêmio)
Elias (Flamengo)
Fabinho (Criciúma)
Fábio (Cruzeiro)
Fábio Santos (Corinthians)
Fabrício (São Paulo)
Fahel (Bahia)
Felipe (Fluminense)
Fernando Prass (Palmeiras)
Gilberto Silva (Atlético-MG)
Ibson (Corinthians)
Jadson (São Paulo)
Jefferson (Botafogo)
Juan (Internacional)
Júlio Baptista (Cruzeiro)
Juninho Pernambucano (Vasco)
Kleber Gladiador (Grêmio)
Lauro (Ponte Preta)
Léo Moura (Flamengo)
Leonardo (Criciúma)
Lima (Portuguesa)
Lincoln (Coritiba)
Lúcio Flávio (Paraná Clube)
Luís Alberto (Atlético-PR)
Luís Fabiano (São Paulo)
Luís Ricardo (Portuguesa)
Maldonado (Corinthians)
Marcel (Criciúma)
Marcelo Lomba (Bahia)
Marco Antonio (Atlético-PR)
Moisés/Meia (Portuguesa)
Moisés/Zagueiro (Portuguesa)
Neto Baiano (Goiás)
Paulo André (Corinthians)
Paulo Baier (Atlético-PR)
Paulo Cesar (Sem Clube)
Rafael Moura (Internacional)
Rafael Sobis (Fluminense)
Roberto (Ponte Preta)
Rodrigo (Goiás)
Rogério Ceni (São Paulo)
Serginho (Criciúma)
Souza (Portuguesa)
Thiago Ribeiro (Santos)
Tinga (Cruzeiro)
Titi (Bahia)
Valdívia (Palmeiras)
Valdomiro (Portuguesa)
Victor (Atlético-MG)
Wendel (Vasco)
William (Ponte Preta)
Zé Roberto (Grêmio)

Seguiremos com a análise desses pontos a partir dessa postagem. Participe! Envie a sua opinião!

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 19 de janeiro de 2013

Campeonato Paulista 2013 acentua diferenças entre clubes


Hoje se inicia o Campeonato Paulista de 2013 da série A1 (primeiro nível). Mais uma vez a grande discussão gira em torno da duração do campeonato, com 19 datas na sua primeira fase e com oito times que se classificam para a segunda fase.

Ano passado os quatro clubes chamados grandes do futebol em São Paulo colecionaram títulos em nível nacional e internacional e naturalmente se distanciaram cada vez mais seus objetivos da disputa do Campeonato.

Para tornar o seu campeonato atrativo então, a FPF juntamente com uma montadora de automóveis, "engordou" a cota dos times grandes, em detrimento dos demais clubes.

Então os quatro clubes privilegiados receberão nesse campeonato o total de R$10,815 milhões para dizer que o paulistinha não é a prioridade no seu planejamento, quando por acaso no final do campeonato tiver que amargar uma eliminação para um dos 16 times de menor sorte no Estado.

Esses clubes receberão R$2,115 milhões. A proporção chega a ser desleal, pois os três clubes da capital mais o time da Baixada Santista recebem 84% do bolo, contra 16% dos demais.

Mas a desigualdade não para por aí. Para o campeão Paulista, a FPF distribui R$2,5 milhões e o vice-campeão fica com R$600 mil, enquanto que o campeão do Interior recebe R$200 mil e o vice-campeão recebe R$50 mil.

Sabemos que hoje os eventos esportivos são feitos para a televisão, e o futebol segue esse exemplo, remunerando mais a quem dá mais audiência, mas a relação de forças chega a ser desumana.

Falam da falência do futebol do interior e culpam os dirigentes dos clubes e suas péssimas administrações... discurso pronto sem apreciação do real problema. É certo que em geral os clubes são pessimamente administrados, sem planejamento e sem perspectivas profissionais, servem em geral para palanques eleitorais e como instrumento político para ascensão social. Mas essa discriminação a longo prazo vai acabar com o futebol do interior do Estado.

Passou da hora da FPF pensar no desenvolvimento de seus filiados. De trabalhar de forma a fazer um campeonato atrativo e de baixo custo para seus participantes e diminuir as diferenças entre os clubes, ao invés de acentuá-las. Ao fazer isso, atende o interesse dos grandes grupos, que querem tornar o futebol brasileiro em um evento voltado para a TV. Então o torcedor de uma cidade do interior como São Carlos por exemplo, ficaria sem opção de torcida para times locais, pois pela migalha que recebem, teriam um time semi-profissional, e tenderiam a torcer para os times da capital.

Essa é a modernidade que combatemos. Com inteligência, a FPF poderia transformar o seu campeonato realmente em entretenimento, aproximando o cidadão do interior ao clube da sua cidade, acentuando inclusive o conceito de cidadania.

É preciso haver um grande debate que leve o futebol em São Paulo a um caminho de desenvolvimento. Nos últimos anos temos notado o aumento de clubes cujo único interesse é a formação profissional de atletas (casos de Audax, Porto Feliz, etc) e clubes tradicionalíssimos praticamente quebrados, como o São Bento, por exemplo. Enquanto isso, a FPF distribui carros aos clubes em seu campeonato do primeiro nível. Não se trata de assistencialismo  mas sim de tratar o futebol como um produto rentável não somente para quatro clubes e uma emissora de TV. 

Da maneira que está distribuída a grana do Campeonato, os quatro clubes da capital tem a OBRIGAÇÃO de fazer a semi-final. Não se trata de melhor estrutura, ou de melhor time... apenas chegamos ao grande problema do Brasil... a desigualdade entre ricos e pobres... clubes ricos cada vez mais ricos e clubes pobres cada vez mais na miséria...

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 1 de setembro de 2012

Paralimpíadas

Isso mesmo... Paralimpíadas. Tem que contrariar o corretor ortográfico que teima em querer escrever Paraolimpíada.

A polêmica agora é o nome do evento, pois pelo que pude apurar, o Comitê Olímpico Internacional detém os direitos do nome "Olimpíada" e sugeriu que o nome fosse alterado nos países de língua portuguesa.

A medida já havia sido adotada por todos os outros países de língua portuguesa: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, onde já se usava o termo Paralimpíadas. A escolha da palavra veio do Inglês "Paralympic".

Alheios a isso, os atletas brasileiros seguem em sua saga solitária e conquistando medalhas. Antes do final do terceiro dia de competição, o Brasil já conta com sete medalhas, sendo 3 de Ouro, 2 de prata e 2 de bronze.

Destaque absoluto a André Brasil, com 2 medalhas de ouro na natação masculina, sendo que uma com quebra de recorde mundial. Outro recorde mundial foi obtido com a medalha de ouro de Daniel Dias, também na natação.

As outras medalhas foram do judô feminino, com prata para Lucia Teixeira e dois bronzes para Michele Ferreira e Daniele Bernardes.

Essa conquista deve ser atribuída ao talento dos atletas. Não há nesse país educação suficiente para apoio a qualquer esporte que não seja o futebol. Que ninguém se aproveite do resultado para falar de planejamento, por favor! São verdadeiros heróis, que não deixam frutos por pura falta de competência de quem deveria planejar.

Marcelo Alves Bellotti

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Mascotes - Histórias do Futebol Brasileiro

O futebol brasileiro é rico em histórias. Por ser um esporte popular, gestos e atitudes simples marcam a história de um time de futebol. Muitas vezes são situações engraçadas e ouras curiosas, como a do Taubaté.

O Esporte Clube Taubaté foi fundado em 01/11/1914, porém um fato curioso deternimou o apelido do clube que se transformou em seu mascote: Hoje o Taubaté é conhecido como "o Burro da Central".

Diz a história que durante a disputa do Campeonato Paulista de 1.954 da segunda divisão, vencido pelo prórpio Taubaté, em um jogo no dia primeiro de maio contra o Comercial de Ribeirão Preto, o time de Taubaté escalou o atacante Alcino, mesmo sabendo que ele estava com a situação irregular junto a Federação Paulista de Futebol. O Taubaté venceu a  partida pelo placar de 6 a 3, mas teve os seus pontos retirados pela Federação Paulista que o puniu pela escalação do atacante.

A imprensa paulista, porém não perdoou o fato, passando a chamar o Taubaté de "o Burro da Central"... 

Alguns anos depois, o apelido foi incorporado pelo clube, que criou o mascote e até hoje é conhecido pelo apelido. O curioso é que quando a torcida quer incentivar o time, grita "Burro, Burro...", os técnicos que não estão acostumados pensam que é com eles...

Títulos:
Campeonato Paulista do Interior - 1919, 1926 e 1942
Campeonato Paulista Segunda Divisão - 1954
Campeonato Paulista Intermediária - 1979
Campeonato Paulista Série A3 - 2003
Campeonato Paulista Sub-20 - Segunda Divisão - 1985


Outra história curiosa de mascotes é a do Clube Atlético Linense. O time é conhecido como "o Elefante da Noroeste". O clube foi fundado em 11/02/1930.

Contam que o apelido surgiu no final da década de 40, quando o time foi pentacampeão da região Noroeste e por três vezes chegou a final do Campeonato de Acesso, que daria a oportunidade do time de Lins participar do Campeonato da Pirmeira Divisão Paulista.

Na seguda vez em que o Linense disputou o acesso, o jogo foi acompanhado pelo jornalista de "A Gazeta Esportiva", chamado Ricardo Menegel, que ao escrever sobre a derrota da Linense disse que o time de Lins era muito pesado, porém muito persistente. Daí então foi criado o Elefante da Noroeste, já que o elefante é pesado, mas persiste no que faz.

O apelido perdura até hoje e traz fatos curiosos como o desfile de jogadores montados em elefantes, na comemoração do título de 1.952 ou um desfile de elefantes na pista de atletismo do estádio Municipal no ano de 2.000.

Titulos:
Campeonato Paulista - Segunda Divisão - 1952
Campeonato Paulista do Interior - 1952
Campeonato Paulista - Série A3 - 1977
Campeonato Paulista Série A2 - 2010
Penta Campeão do Noroeste Paulista - 1948, 1949, 1950, 1951 e 1952

Marcelo Alves Bellotti

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Estaduais no Brasil... problema sem solução?

Domingo após domingo, nas aberturas das Jornadas Esportivas, podemos observar o Senhor Cronista Esportivo desfilando a sua sabedoria suprema em todos os assuntos, sobretudo o futebol. Um assunto teima em constar nas pautas dos seus programas esportivos ultimamente... os estaduais pelo Brasil.

O Brasil é um país continente. Sua área abrange por exemplo, praticamente toda a Europa Ocidental. Comparar os seus campeonatos seria então, para ser simplista, insano. A única opção para popularizar qualquer esporte deve passar pela regionalização de seus campeonatos. O esporte torna-se mais barato e contará com o apoio popular. Esta é a razão pela qual hoje temos times populares no Brasil fora do Rio de Janeiro, sede do Governo Central até 1960 e sede da CBF.

Em São Paulo, o próprio Campeonato Paulista nasceu elitizado, para poucos participantes. Porém se repararmos, no interior existem clubes que são da mesma idade ou até mesmo mais velhos que os grandes de São Paulo. Como isso aconteceu?

As histórias que cercam esses times estão longes do conhecimento desses senhores, que parece não  passar de seu próprio umbigo. Torneios regionais, que beiravam o amadorismo faziam com que no interior do Brasil, o interesse no futebol atingisse o que é hoje, em plena geração de futebol de Sofá.

Acabar com o regional é acabar com esse orgulho. Mas hoje ponderaram que os campeonatos de Volei tem um público superior. Assim é a sua atuação... procura fatos isolados para justificar sua opinião torta. Vamos refletir sobre a afirmação:
Como analisar o sucesso de um evento? Pela verificação se o seu objetivo foi atingido.
Qual o objetivo do Volei, ao transmitir os seus jogos apenas em TV fechada? Popularizar o Esporte, trazendo o público aos ginásios.
Qual o objetivo dos clubes ao permitir transmissão para a TV aberta, inclusive para a praça onde o evento está sendo realizado? Atingir o maior número de telespectadores. Sim, pois as TVs são hoje a principal fonte de renda dos clubes.

Analisando então os fatos, veremos que ambos atingem os seus objetivos. Então futebol não dá lucro? Para os clubes que podem ter os seus jogos transmitidos pelas TVs, é claro que sim! Se acabarmos com os regionais, a receita da TV vai ficar apenas nas mãos dos grandes clubes. Com dívidas e sem apoio das federações, o futuro dos clubes pequenos é o encerramento das atividades, como mostra a reportagem de Edélcio Cândido para o Blog Grande ABC Esportes. http://grandeabcesportes.blogspot.com/2012/02/palestra-ameaca-nao-disputar-segunda.html

Com relação ao público pagante, antigamente o apelo para o torcedor comparecer ao estádio era maior. Hoje os estádios são de propriedade das Organizadas que em sua maioria, levam pânico ao torcedor comum. Sem público, sem o dinheiro da televisão e sem a Federação para promover os seus eventos... assim caminham os times pequenos... aí vem o cronista e decreta... por que esses clubes não fecham? Lamentável...

TORCEDOR, APOIE O TIME DA SUA CIDADE!!!

Marcelo Alves Bellotti

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Árbitros à Brasileira

Eles estão virando o motivo principal de tudo o que há de errado no futebol moderno. Chamados de juízes na realidade são os árbitros que comandam um espetáculo de futebol. Hoje a televisão acaba com o trabalho de qualquer profissional.

Aliás essa é a maior discussão do momento. A profissionalização dos árbitros. Muitos pontos a favor e pouquíssimos pontos contra. Mas a grande discussão que pode formar verdadeiramente a opinião sobre esse assunto é... quem paga essa conta?

Hoje, muito se fala dos dirigentes que vetam árbitros nos seus jogos, que é um absurdo e que não tem cabimento. Mas pelo que posso perceber na realidade do futebol de hoje é legítimo. Sim, pois a responsabilidade de pagamento do quarteto de arbitragem é do time mandante. O cara vem na sua casa, erra, faz e desfaz e o dirigente ainda tem que pagar pelo serviço. Aliás paga-se até por árbitros na categoria de base, onde não se cobra ingresso.

Árbitros profissionais serão profissionais Liberais? Quem será responsável pela escala? E pelo pagamento? Se caso for de acordo com o modelo atual, os árbitros serão cada vez mais "caseiros" e subservientes aos times de maior poder aquisitivo. Pois nessa hora, o que interessa e sempre interessou é o poder de influência para ser escalado. Aí é melhor estar "de bem" com os grandes e garantir escalas.

Quando tiramos as idéias brilhantes e a prova de erro do papel e tentamos colocar em prática, descobrimos que para ser verdadeiramente profissional, o plano de profissionalização da arbitragem deve ser discutido, planejado e muito bem conduzido para resguardar os interesses de quem defende a prática como uma melhoria para o futebol mundial. Isso não pode ser feito por uma canetada. Dessa maneira está fadada ao fracasso, como a história do sorteio que a Lei brasileira inventou para o esporte nacional.

Marcelo Alves Bellotti