domingo, 17 de março de 2013

Futebol no mundo


Campeonato Espanhol - Na Espanha, nenhuma novidade. Barcelona lidera, 13 pontos a mais que o Real Madrid, que está a um ponto do Atlético de Madrid, que tem 13 pontos na frente da Real Sociedad, que figura na quarta colocação.

A rigor, em disputa está somente uma vaga da Champions League. O Barcelona é o campeão e os times de Madrid disputam apenas a afirmação de um sobre o outro.

Abaixo, todos os demais clubes sem nenhuma aspiração concreta a não ser uma eventual vaga a Champions.

Premiere League -  Dividida entre o Manchester United, quinze pontos a frente do segundo colocado e o restante.

Entre os líderes, nenhuma grande surpresa. Aos poucos o Tottenham vai voltando a ser o grande time que sempre foi. Hoje ocupa a quarta colocação do campeonato.

O time de Julio Cesar, o QPR continua firme na última colocação com louvor! Hoje sete pontos separam o time de Shepherd's Bush (um distrito de Londres) do primeiro time fora da zona de descenso.

Italiano - No Calcio, a Juventus segue firme em busca do título e hoje abriu nove pontos do Napoli, que está apenas dois pontos a frente do Milan.

O time Rossonero é o destaque da competição. depois de um início desastroso, a equipe que não é nem sobra da equipe vice campeã do ano passado, que também não era boa, se recuperou totalmente no campeonato e hoje está numa posição de destaque.

Neste domingo o time bateu o Palermo pelo placar de dois a zero, com dois gols de Balotelli, que definitivamente caiu nas graças da torcida e hoje é um dos destaques do campeonato.

Nos demais campeonatos, destaque negativo a péssima campanha do Sporting no campeonato Português, que hoje ocupa somente o décimo lugar. A liderança cabe ao Benfica, com quatro pontos de vantagem sobre o time do Porto. Na França o milhonário emergente PSG lidera o campeonato. A grande expectativa é pelo jogo do time de Lucas, Thiago Silva e Ibrahimovic contra o poderoso Barcelona de Messi e cia.

Marcelo Alves Bellotti

Rápidas do Paulistão

Série A1

A chamada elite do futebol paulista é um campeonato que não "pega" mais com o público da capital. A Federação Paulista deve repensar a maneira de tornar o campeonato mais empolgante, como sempre foi.

Os quatro times que a FPF privilegia ao pagar quatro vezes mais do que os demais, não justificam esse privilégio e somente participam como podem.

Destaque para o crescimento do futebol do São Bernardo e da participação da Penapolense que em seu primeiro ano na elite vem mostrando uma campanha consistente.

Estranho notar que a série A1 segue com os mesmos 12 jogos da série A3. Cabe pensar o que pretendeu a FPF com a tabela da A2.

Série A2

Na série A2, Audax e Portuguesa de Desportos vão fazendo um campeonato a parte, sendo que o primeiro tem dez pontos de vantagem para o terceiro colocado, o comercial de Ribeirão Preto.

Graças a um regulamento estúpido que faz com que os times joguem a cada três dias, a primeira fase se encerra no dia 30 de março, assim como se encerram as atividades de praticamente 12 times.

Sim, pois ao que me consta, apenas Santo André e Grêmio Barueri disputam um certame nacional após o término do Paulistão.

A briga pelo G8 está intensa e pelo equilíbrio de forças, acredito que ela esteja até o Barueri  que tem 17 pontos ganhos, podendo chegar a 26.

Quanto a briga contra o rebaixamento, com o crescimento do futebol do Barueri, acredito que até o Red Bull, que hoje tem 22 pontos ganhos, todos ainda correm risco de rebaixamento.

Série A3

Na série A3 o destaque é o Bentão. O time de Sorocaba lidera com grande folga, porém como nesta série o campeonato é melhor planejado, estamos na décima segunda rodada.

O campeonato segue bem disputado, não permitindo nenhum vacilo aos participantes.

A se lamentar a campanha do União São joão, que após o rebaixamento do ano passado, parece que não tem mais estruturas para sustentar um departamento de futebol profissional.

O Palmeiras B, que segundo o seu dirigente será extinto no próximo ano, segue na zona de rebaixamento e só disputa o restante do campeonato para atrapalhar o objetivo dos demais times. A esperança é que o seu elenco seja reaproveitado por outros times da segundona.

Marcelo Alves Bellotti 

sexta-feira, 8 de março de 2013

Capivariano FC - Leão da Sorocabana

Fui buscar a história do time a partir de uma brincadeira surgida a partir de um jogo do Santo André contra "o time das capivaras". A partir daí me surgiu a idéia de buscar as origens desse clube.

A cidade de Capivari fica na região da Sorocabana e possui hoje uma população de cerca de 49 mil pessoas. É conhecida como "A Terra dos Poetas" por ter entre seus filhos ilustres os poetas Amadeu Amaral e Rodrigues de Abreu. A cidade surgiu no começo do Século 18, com a ida das monções que partiam de Porto Feliz para Cuiabá atrás de jazidas de Ouro. No caminho dessas monções, várias cidades foram formadas. O nome da cidade faz referência ao Capivary, que em Tupi significa "Rio das Capivaras". Em 1813 o povoado ficou conhecido como São João Batista de Capivary. Depois o povoado virou Vila conhecida por Vila de São João Baptista do Capivary de Baixo. Utilizava-se o termo "Capivari de Baixo" para distinguir-se da Vila de São João Baptista do Capivary de Cima, hoje conhecida por Monte Mor.

O time da cidade é o Capivariano Futebol Clube, fundado em 12 de outubro de 1918, sendo um dos clubes mais antigos da Região Sorocabana. Conta-se que nos anos 50, a equipe montou um verdadeiro esquadrão e que chegou a colecionar 32 títulos zonais. Desse esquadrão imbatível e pelo fato do time treinar ao lado da estação de trem da Sorocabana, veio o apelido do time, o Leão da Sorocabana.

Ao longo da história o Capivariano protagonizou disputas incríveis como em 2011 na disputa da Segunda Divisão (Quarto Nível) do Paulistão. Na vitória contra o Guariba pelo placar de 2 a 1, uma atitude impensada de falta de fair play e sobretudo de educação desencadeou uma imensa confusão que resultou em cinco jogadores expulsos e agressão até de jornalistas... 


Na final do mesmo campeonato, uma pancadaria ocorrida na final do jogo contra o Independente, onde a torcida do Galo de Limeira acabou provocando uma confusão imensa inclusive com casos de furtos de objetos pessoais de jogadores do time de Capivari.

Toda essa ascenção do time foi proporcionada pelo investimento do grupo Maggi e a chegada de grandes jogadores como Luiz Fernando Borges, o Romão, que foi um dos maiores artilheiros da história do time. 

Ao longo da sua história o Capivariano revelou talentos do futebol nacional como o goleiro Zetti, tetra campeão mundial de futebol com a seleção Brasileira em 1994, o volante Amaral, com passagens por Palmeiras e Corinthians e uma medalha de bronze nas Olimpiadas de 2006 pelo futebol brasileiro e o lateral direito Cicinho, que já defendeu o São Paulo e Real Madrid, participou da Copa do Mundo de 2006 pela Seleção Brasileira sendo reserva do Capitão Cafu.

O Leão mandava os seus jogos no Estádio Municipal Fernando de Marco, que fica ao lado da estação ferroviária, hoje desativada e tem capacidade para 2.000 pessoas. Hoje em dia, o tim e manda seus jogos no Estádio Municipal Carlos Colnaghi, que tem capacidade para 15.000 torcedores e foi inaugurado em 1992.

Os investimentos de 2011 levaram o time a atual série A2 (segundo nível) em 2013 e o time vem fazendo uma boa campanha comandado pelo técnico Abelha, se aproximando do sonho de estar na elite do futebol paulistano em 2014.

OBSERVAÇÃO: Após a publicação desse post, fui informado de um fato que não poderia ficar de fora de uma homenagem ao Capivariano Futebol Clube. A entrevista que tornou o ator Rowan Atkinson, popularmente conhecido pelo personagem Mr. Bean, um torcedor do Capivariano... vale a pena conferir!



Principais Títulos:
Campeonato Paulista - Série A3 (terceiro Nível) - 1984
Vice Campeão da Segunda Divisão (quarto Nível) SP - 1994 e 2011
Vice Campeão da Segunda Divisão B2 (quinto nível) SP - 2002

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Mortes em Estádios de futebol... Até quando?

Mais uma morte no futebol. Dessa vez fora do campo. Em um jogo internacional, válido pela Copa Libertadores da América, realizada e organizada pela Confederação Sulamericana de Futebol.

O jogo onde ocorreu a fatalidade foi realizado em Oruro, uma cidade boliviana que fica a 3.735 metros acima do nível do mar. O jogo reunia as equipes do Nacional da Bolívia e do Corinthians, atual campeão do torneio.

A morte do torcedor foi provocada pelo disparo um sinalizador, que partiu da torcida do Corinthians. Segundo informações do site "globoesporte.com", dois torcedores são apontados como causadores da morte do garoto de 14 anos. Os outros que permanecem detidos na Bolívia responderão como cúmplices.

O assunto é polêmico pois é tratado com paixão clubística pelos torcedores e de forma equivocada por muitos cronistas esportivos.

O uso de sinalizadores e de fogos de artifício é proibido pelos regulamentos de competições esportivas. Desde que se proibiram os fogos de artifício, as torcidas resolveram se utilzar de sinalizadores para chamar a atenção no estádio.

Recentemente o mau uso de sinalizadores vem causando tragédias, seja em estádios seja em boates. Sinalizador é um tipo de instrumento pirotécnico que produz uma luz brilhante ou um calor intenso sem explosão.

Porém um sinalizador náutico não é semelhante a um sinalizador comum! Seu poder de alcance é de cerca de 300 metros e tem alto poder de explosão. Entra em combustão sem a necessidade do uso de fogo. É um equipamento de segurança utilizados em grandes embarcações ou também por quem faz trilhas e é comercializado sem qualquer restrição.

A diferença entre esse sinalizador e o utilizado normalmene em estádios é que os últimos não explodem, apenas soltam fumaça colorida.

O projétil em questão atingiu o garoto Kelvin Espada e pela violência do impacto abriu um buraco em seu cérebro, fazendo com que ele perdesse massa encefálica, segundo o médico que o atendeu, doutor Jose Maria Vargas o garoto teve morte instantânea.

Sem emitir qualquer juízo de valor sobre o acontecido. Apenas esclarecendo o que diz o regulamento das competições da Conmebol... em seu artigo 11 ela decreta "associações e clubes podem ser punidos por comportamento inadequado de seus torcedores". As diversas federações e confederações espalhadas pelo mundo, como a FIFA, a própria Conmebol, CBF ou até a Federação Paulista proíbem o uso de artefatos explosivos dentro dos estádios e sujeitam as agremiações a punições para desobediência de seus torcedores. 

A responsabilidade objetiva desse fato lamentável ocorrido vem em cadeia e deve ser encarado de maneira clara... o rapaz que atirou o artefato, a polícia de Oruro, o clube mandante, o clube visitante (uma vez que o acontecido teve como responsável um torcedor seu) e a Conmebol. Todos eles tem responsabilidade objetiva pelo que aconteceu.

O Torcedor - Ao portar um artefato explosivo sabendo ou não que sua utilização é proibida dentro do estádio.

A polícia local - Não revistou os torcedores. Muitos se defendem dizendo que o porte do artefato é permitido na Bolívia e que portanto ele poderia entrar no estádio. Ora, frequento o estádio a mais de 30 anos e apesar de também ter sua venda livre e seu porte sem restrições em qualquer local do território brasileiro, não consigo entrar em um estádio em São Paulo portando uma simples caneta. A polícia se defende, dizendo que eu poderia transformar a caneta em arma em uma briga. Confesso que até o primeiro policial me falar isso, essa possibilidade nunca tinha passado pela minha cabeça. Então se a polícia pode proibir uma pessoa entrar no estádio com uma caneta, por que permite entrar com um artefato explosivo de alcance de 300 metros?

São Jose - O time local tem obrigações legais como time mandante, inclusive de alertar a polícia local da proibição do uso de artefatos explosivos para que os mesmo não adentrem os estádios.

Corinthians - Responsabilidade definida pelo regulamento da competição

Conbembol - Responsável objetiva de tudo o que ocorre em uma competição com a sua organização.

O fato objetivo é que qualquer medida punitiva acarretará em prejuizos financeiros.

Espero que de fato se apurem os responsáveis e que as punições sejam impostas. Uma vida não pode ser perdida assim, sem que não haja culpados nem responsáveis.

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Craques cai-cai

Novamente a grande discussão do momento é o menino Neymar. Sua capacidade de driblar encanta a todos e desde que começou a jogar profissionalmente amadureceu bastante e percebeu que seria cada vez mais importante se conseguisse marcar gols.

Mas uma característica que não é do atacante santista, mas do futebol praticado no Brasil incomoda a quem observa o futebol praticado pelo menino e divide opiniões. Os saltos dados a cada tranco recebido pelos seus marcadores. Por aqui, os atacantes não podem ser tocados e sob nenhuma hipótese, sem que seja marcado falta que resulte normalmente em cartões.

Isso pode ter explicação em situações mais complicadas. A arbitragem nacional depende de indicações, mais do que boas atuações. Isso faz com que a arbitragem procure naturalmente acomodar situações e resolvê-las de modo a estar sempre bem com os mandatários da CBF e conseguir mais escalas.

O fato é que isso pode causar um  estrago muito grande na formação de atletas. Neymar foi formado em um futebol em que ele sabe que é só encostar nele que é falta. Então ele pula!!! E como pula!!!

Ao final de cada jogo são computadas mais de uma centena de faltas em cima do jogador... a crônica especializada ressalta a importância do jogador, que consegue com isso fazer com que seus marcadores sejam expulsos...

Ninguém em sã consciência é favorável a que se dê pontapés em jogadores, de maneira nenhuma. A observação pura e simples do futebol sem deixar que a paixão por clubes tome conta da análise permite avaliar que o futebol brasileiro hoje faz mal ao atacante santista.


Até o seu próprio técnico quando sai em sua defesa esquece das partidas que diz que assiste do futebol europeu, onde a maioria dos lances aqui assinalados como falta, são ignorados pelos árbitros. Lembrando-se sempre que futebol é um jogo que permite o contato físico.

Hoje não existe espaços para caminhar com a bola. A grande diferença está na atitude de quem é marcado. Enquanto o craque santista prefere o salto, jogadores consagrados no mundo do futebol como Messi, seguem jogando e encantando com seus dribles e seus gols.

Não se trata de comparação de jogadores. Isso acho extremamente injusto, nunca fiz e não faço. O que comparo são as atitudes! Messi está habituado a jogar em ligas em que sabe que se ele pular em um lance que seu marcador encosta nele, certamente o juiz não dará falta!

Há os que defendem que os adversários Europeus respeitam mais os jogadores de talento, dando espaço para que eles possam jogar! Pura falácia! O jogo lá é tão pegado quanto cá! A diferença principal está na atitude.



Cristiano Ronaldo e Messi, apenas para citar os dois melhores jogadores do mundo segundo a FIFA, sofrem com a violência dos seus marcadores todas as vezes que partem para jogadas individuais. E jogam duro também! Seus adversários tem a convicção que para pará-los em um contra-ataque, por exemplo, terão que derrubá-los... e isso não é uma tarefa fácil! Por atitude e por tudo o que cercam as ligas européias, esses jogadores seguem firmes nos lances e só caem quando realmente recebem trancos suficientemente fortes para derrubá-los! Essa atitude faz com que eles tenham algo que falta ao atacante santista: Credibilidade!



Neymar é craque! Disso eu nunca tive dúvida! Produz lances que nos fazem lembrar um pouco do que de melhor já produzimos em nosso futebol. Dribles desconcertantes e gols fabulosos, como o gol marcado contra o Inter gaúcho  quando mostrou atitude de não cair no início da jogada, quando recebeu um tranco do zagueiro!

O fato é que as discussões continuam... o menino parece não se importar com isso e segue do seu jeito! O futebol brasileiro parece não se importar em produzir jogadores com esse tipo de atitude. Mudam quando vão para a Europa, mas quando retornam é a mesma ladainha...encostou é falta!

O mais triste é constatar que o mesmo acontece na base! O menino aparece, tenta a jogada individual e "se joga"! Técnicos assistem a tudo e não falam nada, apenas passam a mão na cabeça da falta de atitude!

Essa foi uma das razões do menino ter sido vaiado em peso quando simulou uma jogada de penalti em um amistoso do Brasil na Inglaterra ou em um lance na lateral da área contra o Grêmio, onde claramente o zagueiro sequer encosta no atacante santista, recebe o amarelo e o lance resulta no gol santista. Malandragem? Talvez...



Também por isso uma boa parte da torcida brasileira parece não gostar do menino (particularmente a torcida do São Paulo FC). O fato dele também não ser decisivo em jogos importantes da seleção Brasileira ultimamente colaboram com isso.

Espero que Neymar melhore... seu futebol vai aparecer muito mais com uma atitude positiva! Assim ele poderá ser lembrado como o melhor do mundo mesmo jogando no Brasil... por enquanto... um craque cai-cai!

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 19 de janeiro de 2013

Campeonato Paulista 2013 acentua diferenças entre clubes


Hoje se inicia o Campeonato Paulista de 2013 da série A1 (primeiro nível). Mais uma vez a grande discussão gira em torno da duração do campeonato, com 19 datas na sua primeira fase e com oito times que se classificam para a segunda fase.

Ano passado os quatro clubes chamados grandes do futebol em São Paulo colecionaram títulos em nível nacional e internacional e naturalmente se distanciaram cada vez mais seus objetivos da disputa do Campeonato.

Para tornar o seu campeonato atrativo então, a FPF juntamente com uma montadora de automóveis, "engordou" a cota dos times grandes, em detrimento dos demais clubes.

Então os quatro clubes privilegiados receberão nesse campeonato o total de R$10,815 milhões para dizer que o paulistinha não é a prioridade no seu planejamento, quando por acaso no final do campeonato tiver que amargar uma eliminação para um dos 16 times de menor sorte no Estado.

Esses clubes receberão R$2,115 milhões. A proporção chega a ser desleal, pois os três clubes da capital mais o time da Baixada Santista recebem 84% do bolo, contra 16% dos demais.

Mas a desigualdade não para por aí. Para o campeão Paulista, a FPF distribui R$2,5 milhões e o vice-campeão fica com R$600 mil, enquanto que o campeão do Interior recebe R$200 mil e o vice-campeão recebe R$50 mil.

Sabemos que hoje os eventos esportivos são feitos para a televisão, e o futebol segue esse exemplo, remunerando mais a quem dá mais audiência, mas a relação de forças chega a ser desumana.

Falam da falência do futebol do interior e culpam os dirigentes dos clubes e suas péssimas administrações... discurso pronto sem apreciação do real problema. É certo que em geral os clubes são pessimamente administrados, sem planejamento e sem perspectivas profissionais, servem em geral para palanques eleitorais e como instrumento político para ascensão social. Mas essa discriminação a longo prazo vai acabar com o futebol do interior do Estado.

Passou da hora da FPF pensar no desenvolvimento de seus filiados. De trabalhar de forma a fazer um campeonato atrativo e de baixo custo para seus participantes e diminuir as diferenças entre os clubes, ao invés de acentuá-las. Ao fazer isso, atende o interesse dos grandes grupos, que querem tornar o futebol brasileiro em um evento voltado para a TV. Então o torcedor de uma cidade do interior como São Carlos por exemplo, ficaria sem opção de torcida para times locais, pois pela migalha que recebem, teriam um time semi-profissional, e tenderiam a torcer para os times da capital.

Essa é a modernidade que combatemos. Com inteligência, a FPF poderia transformar o seu campeonato realmente em entretenimento, aproximando o cidadão do interior ao clube da sua cidade, acentuando inclusive o conceito de cidadania.

É preciso haver um grande debate que leve o futebol em São Paulo a um caminho de desenvolvimento. Nos últimos anos temos notado o aumento de clubes cujo único interesse é a formação profissional de atletas (casos de Audax, Porto Feliz, etc) e clubes tradicionalíssimos praticamente quebrados, como o São Bento, por exemplo. Enquanto isso, a FPF distribui carros aos clubes em seu campeonato do primeiro nível. Não se trata de assistencialismo  mas sim de tratar o futebol como um produto rentável não somente para quatro clubes e uma emissora de TV. 

Da maneira que está distribuída a grana do Campeonato, os quatro clubes da capital tem a OBRIGAÇÃO de fazer a semi-final. Não se trata de melhor estrutura, ou de melhor time... apenas chegamos ao grande problema do Brasil... a desigualdade entre ricos e pobres... clubes ricos cada vez mais ricos e clubes pobres cada vez mais na miséria...

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 12 de janeiro de 2013

Basta de Intolerância! (ou não?) O que queremos?

O futebol deve ser entendido como um entretenimento popular, onde a sociedade local se reúne em grupos em estádios para assistir partidas de futebol. Os grupos formados nos estádios, por inúmeras vezes tomam atitudes se protegendo na condição da ação anônima que em geral não seriam tomadas individualmente.
Os exemplos são vários... O povo catalão se reunia para os jogos de seu time em plena ditadura para gritar "Barcelona!". No Chile, também em pleno golpe militar do ditador de plantão, General Pinochet, um jogo de futebol chamou a atenção. Um jogador curiosamente tinha o mesmo nome do ditador. O jogador não estava em um bom dia, então o estádio inteiro gritou: "Fora Pinochet!"

Porém o que aconteceu no terceiro dia desse ano de 2013 no futebol foi mais uma demonstração de intolerância coletiva. Protegida pelo anonimato, torcedores partiram para a ignorância coletiva comum em países Europeus de demonstração de racismo.

O jogo era apenas um amistoso entre o Milan e o Pro Patria, um clube de futebol da cidade de Busto Arsizio, cidade na região da Lombardia com população de cerca de 80 mil pessoas.

O amistoso era pra servir de preparação para a continuidade do Italiano e para preparação do Milan. Porém aos 26 minutos do primeiro tempo, após ouvir várias canções de cunho racistas e a típica "imitação de macacos" dirigidas a ele, o jogador ganês da squadra rossonera Kevin-Prince Boateng abandonou a partida, visivelmente abatido.

Até por se tratar de um amistoso, a reação que se seguiu foi inusitada, porém corajosa. Todo o time Milanês acompanhou o seu jogador e também deixou o campo. Alguns jogadores do time rival tentaram fazer com que o jogador mudasse de ideia  mas aos poucos, também deixaram o campo de jogo.

A atitude de ambos os times ainda provocou aplausos de boa parte dos torcedores presentes ao estádio. Cinco torcedores do Pro Patria foram detidos e o clube foi punido com um jogo realizado com portões fechados.

O presidente do Pro Patria lamentou a reação de seus torcedores. "As pessoas que participaram dos cânticos racistas foram isoladas. Estas pessoas não eram nossas conhecidas do estádio e usaram este evento para arruinar uma celebração do futebol. O clube não pode fazer nada quando encara estes incidentes. A decisão do Milan (de cancelar o jogo) foi compreensível"

O Milan tratou o episódio como um fato isolado, mas marcou sua decisão em não tolerar situações como essa. Em nota oficial publicada em seu site afirmou "Busto Arsizio é uma cidade civilizada, ninguém pode negar. O Milan vai retornar de bom grado e com a cabeça em pé até lá, mas os cantos racistas daquelas pessoas pequenas hoje não poderia ficar impune. Em um certo ponto, o Milan disse “chega”. Aqueles que compartilham a cor do coração de Boateng, Muntary e Niang não podiam aguentar mais e decidiram que era hora de ensinar uma lição a estes tolos"


Pena que esse fato só tomou essa proporção por ser apenas um amistoso, sem maiores consequências  A UEFA e a Federação italiana deveriam ser mais efetivos no combate a intolerância. Ainda mais se tratando de Europa, onde essa prática é comum e já levou o mundo a uma grande guerra!

Situação vergonhosa que só mostra que mesmo em 2013, nada mudou!

Marcelo Alves Bellotti