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sábado, 12 de janeiro de 2013

Basta de Intolerância! (ou não?) O que queremos?

O futebol deve ser entendido como um entretenimento popular, onde a sociedade local se reúne em grupos em estádios para assistir partidas de futebol. Os grupos formados nos estádios, por inúmeras vezes tomam atitudes se protegendo na condição da ação anônima que em geral não seriam tomadas individualmente.
Os exemplos são vários... O povo catalão se reunia para os jogos de seu time em plena ditadura para gritar "Barcelona!". No Chile, também em pleno golpe militar do ditador de plantão, General Pinochet, um jogo de futebol chamou a atenção. Um jogador curiosamente tinha o mesmo nome do ditador. O jogador não estava em um bom dia, então o estádio inteiro gritou: "Fora Pinochet!"

Porém o que aconteceu no terceiro dia desse ano de 2013 no futebol foi mais uma demonstração de intolerância coletiva. Protegida pelo anonimato, torcedores partiram para a ignorância coletiva comum em países Europeus de demonstração de racismo.

O jogo era apenas um amistoso entre o Milan e o Pro Patria, um clube de futebol da cidade de Busto Arsizio, cidade na região da Lombardia com população de cerca de 80 mil pessoas.

O amistoso era pra servir de preparação para a continuidade do Italiano e para preparação do Milan. Porém aos 26 minutos do primeiro tempo, após ouvir várias canções de cunho racistas e a típica "imitação de macacos" dirigidas a ele, o jogador ganês da squadra rossonera Kevin-Prince Boateng abandonou a partida, visivelmente abatido.

Até por se tratar de um amistoso, a reação que se seguiu foi inusitada, porém corajosa. Todo o time Milanês acompanhou o seu jogador e também deixou o campo. Alguns jogadores do time rival tentaram fazer com que o jogador mudasse de ideia  mas aos poucos, também deixaram o campo de jogo.

A atitude de ambos os times ainda provocou aplausos de boa parte dos torcedores presentes ao estádio. Cinco torcedores do Pro Patria foram detidos e o clube foi punido com um jogo realizado com portões fechados.

O presidente do Pro Patria lamentou a reação de seus torcedores. "As pessoas que participaram dos cânticos racistas foram isoladas. Estas pessoas não eram nossas conhecidas do estádio e usaram este evento para arruinar uma celebração do futebol. O clube não pode fazer nada quando encara estes incidentes. A decisão do Milan (de cancelar o jogo) foi compreensível"

O Milan tratou o episódio como um fato isolado, mas marcou sua decisão em não tolerar situações como essa. Em nota oficial publicada em seu site afirmou "Busto Arsizio é uma cidade civilizada, ninguém pode negar. O Milan vai retornar de bom grado e com a cabeça em pé até lá, mas os cantos racistas daquelas pessoas pequenas hoje não poderia ficar impune. Em um certo ponto, o Milan disse “chega”. Aqueles que compartilham a cor do coração de Boateng, Muntary e Niang não podiam aguentar mais e decidiram que era hora de ensinar uma lição a estes tolos"


Pena que esse fato só tomou essa proporção por ser apenas um amistoso, sem maiores consequências  A UEFA e a Federação italiana deveriam ser mais efetivos no combate a intolerância. Ainda mais se tratando de Europa, onde essa prática é comum e já levou o mundo a uma grande guerra!

Situação vergonhosa que só mostra que mesmo em 2013, nada mudou!

Marcelo Alves Bellotti

Um comentário:

  1. O ser humano por si só já possui uma característica racista. Quando é provocado por um sentimento passional, como acontece em partidas de futebol onde seu adversário é seu "inimigo", e aliado ao anonimato que o estádio lhe confere temos atitudes como esta. Infelizmente, mesmo com punição, esta prática ainda vai demorar a acabar

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