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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Tupi x Aparecidense... Alguma lição?

Ontem o tribunal de Justiça Desportiva anunciou em decisão de primeira instância que a equipe do Aparecidense está suspensa da série D e consequentemente a equipe do Tupi está classificada para a próxima fase.

Para que possamos entender, o caso ficou famoso em todo o país, após o seu massagista Romildo Fonseca da Silva ter evitdo o gol certo do Tupi que daria a classificação ao time mineiro.

O tribunal, que vibrou com os holofotes da mídia que acompanhou o julgamento, decidiu enquadrar o caso no artigo 205 do Código Brasieiro de Justiça Desportiva "Impedir o prosseguimento de partida, prova ou equivalente que estiver disputando, por insuficiência numérica intencional de seus atletas ou por qualquer outra forma".

O artigo que trata a punição é bem genérico e subjetivo e tem como objetivo coibir o "cai-cai". Porém não foi encontrada nenhuma outra solução que pudesse exprimir o que aconteceu.

Como tudo o que ocorre, essa verdade dos fatos tem seus lados, tem suas características e suas peculiaridades. De um lado, a Aparecidense, que não quer ser punida por um gesto que não foi premeditado. De outro lado temos o Tupi, que apesar de não ter tido competência em 90 minutos para fazer um gol, não quer sair de uma competição dessa maneira. Do outro lado, temos a entidade maior do Direito desportivo querendo dar uma resposta ao meio esportivo.

Toda essa situação seria muito melhor resolvida pela questão da educação. Não há nada na lei esportiva que possa prever essa situação, de um membro da comissão técnica que tenta salvar um gol do adversário. Justamente por que a situação é tão absurda, que não cabe na cabeça do legislador.

Só para ficar mais claro. Não há na lei esportiva, nenhum artigo que proíba a entrada de Leões no campo de jogo. Na certa, o legislador pensa que esse tipo de lei não cabe, pois ninguém em seu perfeito juízo, pensaria em uma situação dessa.

Falamos muito de Fair Play, que pressupõe o jogo limpo, o respeito ao adversário, o respeito as regras do jogo, o respeito ao público que assiste o jogo e ama o futebol. Porém não temos essa cultura conosco. A equipe Goiana irá até buscar um recurso na justiça para tentar marcar um outro julgamento, na esperança de ser absolvida e se classificar. Em cima de um gesto de absoluta demonstração de falta de respeito com o esporte.

Nesse momento, caso o que prevalecesse fosse a educação, o mais coerente a ser feito era a equipe goiana resignar-se de um ato tresloucado de um torcedor apaixonado e aceitar a punição, reconhecendo que esse ato prejudica o esporte como um todo e passa uma mensagem ruim ao mundo do futebol. Mas nesse ambiente em que vivemos, pouco nos preocupamos com ética, com esportividade ou com valores.

Nesse instante, o que move os times são as satisfações que cada um tem que dar a sua torcida e, no caso do time Goiano, apegar-se no fato do relator do processo ter votado de maneira contrária a decisão da exclusão do time Goiano terá um peso grande para que consiga um recurso e um novo julgamento.

O lance está aí... tirem as suas conclusões! Na narração o cronista diz que o Massagista não faz parte do jogo. Na realidade não faz mesmo, mas por pertencer a equipe da Aparecidense e dar causa a essa confusão, o time Goiano levou a punição!



Marcelo Alves Bellotti

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