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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Bom Senso faz a primeira manifestação. Quem é o vilão?

E os membros do Bom senso FC fizeram na noite de ontem a sua primeira manifestação. E tiveram sucesso na sua iniciativa, pois paralisaram o início da partida por quase um minuto, em um gesto simbólico de braços cruzados. O protesto só não foi possível na partida entre São Paulo x Flamengo, onde o árbitro ameaçou dar cartões a todos os jogadores que participassem da ação.


O movimento busca ser ouvido pela CBF e promete seguir as suas manifestações até serem ouvidos. Rogério Ceni ontem ao final do jogo do São Paulo deu uma declaração onde esclarece vários pontos. Propõe uma rodada desmembrada, com jogos na quarta e no domingo valendo pela mesma rodada, deixou claro que o "alvo" das mudanças propostas é o campeonato regional, o grande vilão do futebol brasileiro. “O que não podemos é jogar 23 partidas no Paulista. A Libertadores te leva para o Mundial. O Brasileirão te leva para a Libertadores. A Copa do Brasil te leva para a Libertadores. E o Campeonato Paulista te leva para o Campeonato Paulista. O Brasileirão com 38 rodadas é perfeito. Todo ano o campeonato começa com pelo menos seis equipes consideradas favoritas. Mas o Paulistão não pode ter 23 partidas"

Ok... Eleito o vilão da história! Todos sejam jogadores, cronistas e torcedores seguem atacando o Campeonato Paulista e os regionais em geral. 

Façamos então uma reflexão. Por que os clubes disputam os regionais? Qual a grande razão da existência dos campeonatos estaduais, sobretudo os do eixo Rio-São Paulo, onde se concentram os clubes de maior torcida do país?

Os clubes que pertencem a esse eixo recebem cotas no campeonato Brasileiro que variam entre R$55 e R$84 milhões. A Copa do Brasil distribui cerca de R$700 mil por cada fase. Não vamos entrar no mérito da Sul americana ou da Libertadores, que tem premiação parecida com a da Copa Do Brasil, com premiações a cada fase alcançada.

Chegamos aos regionais... As cotas de TV pela simples participação no campeonato Paulista em 2014 chegará à cifra de R$25 milhões para os quatro "times grandes". Então vejamos, ao eliminarmos o Campeonato Paulista do calendário, os quatro grandes da capital perderiam uma receita de quase 25 milhões por 23 jogos. 

Estamos falando então do campeonato, que apesar de não ser classificatório para nada (a não ser para levar os dois melhores colocados para a série D), torna-se o campeonato mais rentável do país (proporcionalmente).

Essa é a principal razão de não verificarmos nenhum dirigente reclamando do excesso de jogos no Paulistão. Os jogadores se reúnem, fazem manifestações, saem a público defendendo uma causa, mas não conseguem identificar o problema.

Não adianta pedir a Rede Globo, ou a CBF, ou a FPF que aperfeiçoe o calendário, que legalize o Fair Play financeiro ou que garanta 30 dias de férias mais 20 dias de pré temporada. Essa responsabilidade é dos clubes!!!

Ano passado quem disputava a Libertadores não disputava a Copa do Brasil. Por solicitação dos clubes, esse ano já está disputando... Até o ano de 2006 o campeonato paulista era disputado com 19 jogos e pontos corridos. A partir de 2007 foi criada um mata-mata reunindo os quatro melhores, aumentando a premiação. Como em apenas uma oportunidade os quatro grandes se classificaram, para garantir uma cota maior, alteraram a fórmula para classificação dos oito melhores.

Tudo isso é de responsabilidade dos senhores presidentes dos clubes de massa, que cada dia que passa, precisam expor seus jogadores a jogos pela TV de olho nas cotas para poder fechar a conta no final do ano e poder pagar salários astronômicos aos jogadores.

Agora, pelo que eu entendi, em nome do Bom Senso eles querem encurtar o Paulistão? Ok! Encurtamos também as cotas, pois as TVs não pagarão cotas exorbitantes para quatro ou cinco jogos no começo da temporada.

Senhores jogadores que formaram o grupo denominado "Bom Senso". Vocês detectaram o problema (excesso de jogos), mas estão atuando em uma causa que não resolverá o problema do futebol brasileiro.

O movimento de vocês deveria estar sentado com quem lhes paga o salário e que age nas federações para inchar os campeonatos de olho nas cotas de TV.

Agora que conseguiram a mobilização, a real causa deve ser atacada, para que o problema seja de fato resolvido e que o calendário possa atender a todos. Atacar uma das possíveis causas me parece uma movimentação política, justo na véspera de eleições na CBF.

Marcelo Alves Bellotti

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