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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Público Pagante

Cada vez mais em fóruns, mídias sociais como twitter, google+ ou facebook, e até nos programas esportivos, uma grande discussão é proposta sobre a fidelidade do torcedor pelo seu time do coração.

Isso tudo tem como o pano de fundo a utilização do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, de propriedade do São Paulo Futebol Clube. No próximo fim de semana teremos o evento "Estréia do Ganso" que está sendo tratada com maestria pela diretoria do São Paulo, com uma promoção que pode levar cerca de 60 mil pessoas no seu estádio.

Atualmente o estádio tem capacidade para 65 mil pessoas aproximadamente, com as restrições impostas pela Polícia Militar para garantir a segurança dos torcedores. A grande discussão é para que Palmeiras, Corinthians e Santos retomem os seus jogos no Estádio.

Hoje o público é medido pela presença média no estádio. Então um clube que joga no Pacaembu, por exemplo, nunca terá uma ocupação média maior que a capacidade do estádio, que hoje gira em torno de 38 mil pessoas.

Acredito que mais importante do que discussões inócuas sobre presença de público no Morumbi ou no Pacaembu seja medir a capacidade da torcida de ocupação nos estádios onde seu clube manda os seus jogos, seja lá onde for.

Nesse ponto, a Liga Inglesa dá o exemplo, quando cita que clubes como o Arsenal e o Manchester tem cerca de 99% de ocupação de seus estádios garantidos pela venda antecipada de carnês, logo que o campeonato se inicia.

Veja que em nenhum momento citam a capacidade do Old Trafford (76 mil pessoas) ou do Emirates Stadium (60 mil pessoas). Lembrando que só na capital Inglesa temos os estádios de Wembley (90 mil lugares), Stamford Bridge (Chelsea - 43 mil lugares), Boleyn Ground (West Ham - 35 mil lugares), White Hart Lane (Totteham - 36 mil lugares) e do Craven Cottage (Fulham - 25,5 mil lugares). Em nenhum momento é sugerido a um clube inglês que troque o estádio que manda os seus jogos por razões econômicas. Isso em uma liga que privilegia o lucro acima de tudo!

A paixão das torcidas locais e seu interesse por determinadas competições então deveriam ser mediadas por um índice mais eficiente do que uma média simples feita entre público presente ao estádio. Por esse índice, um público de 54,118 mil pessoas no Morumbi como o observado na partida contra o Cruzeiro mostra uma ocupação de 83% do estádio.

O Grêmio, cujo estádio Olímpico tem capacidade para 52 mil pessoas, teve no jogo contra o São Paulo o índice de 77% de ocupação de seu estádio. O público registrado foi de 40,217 mil pessoas.

O Corinthians que aparece em terceiro lugar como o clube de maior público no Brasileirão 2012, com 34,843 pagantes no jogo contra o Atlético-MG ocupou 92% do Pacaembu. Essa deveria ser a medida para decidir a maior participação do torcedor dentro do seu estádio, inclusive para cálculo de investimentos. Ao analisarmos o público médio do Corinthians, por exemplo, que lidera o ranking teremos 65% de ocupação do Pacaembu nos jogos em que ele é mandante no estádio. Quando comparamos com o Náutico, a ocupação média do Estádio dos Aflitos é de 64% com um público médio de 12,322 mil pessoas por jogo.

Vejam como a perspectiva muda. Não podemos solicitar ao Náutico, sob qualquer pretexto financeiro, que deixe de jogar nos Aflitos, cuja capacidade é de 19 mil lugares para jogar no Arruda, por exemplo, cuja capacidade passa de 60 mil pessoas. O nível de ocupação do estádio cairia sensivelmente, juntamente com a satisfação dos seus torcedores.

Se tomarmos por base os públicos médios do Brasileirão e compararmos com a capacidade total dos estádios em que os clubes mandam seus jogos, teremos algumas surpresas quanto ao comparecimento do torcedor para apoiar seu time no estádio.

E a preocupação principal de qualquer estrutura minimamente profissional deve ser sempre a satisfação do seu cliente final. É por eles e para eles que qualquer empresa existe. No caso dos clubes de futebol, a razão da existência dos clubes e da sua longevidade são os seus torcedores. E em nome deles, o clube deve agir e pautar as suas decisões de onde jogar.

Marcelo Alves Bellotti

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