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terça-feira, 20 de novembro de 2012

O Futebol e o Preconceito

Em 1923 um time recém chegada a primeira divisão conquistou o campeonato Carioca com uma equipe formada por trabalhadores humildes, brancos, negros e mulatos. Sem dinheiro ou posição social, tornaram o então campeão carioca o Clube de Regatas Vasco da Gama.

O fato foi combatido pela aristocracia carioca, que acusou o time do Vasco de ser "profissional" em um futebol na época amador e em uma reunião na Liga Metropolitana, representantes de Fluminense, Botafogo, Flamengo e América defenderam a eliminação desses jogadores mais humildes.

Até hoje, o Vasco se orgulha de ter sido o primeiro clube a "acreditar no talento e na raça do povo negro", segundo homenagem publicada nos principais jornais cariocas em 13 de maio de 1988, no centenário da abolição da escravidão.

Conta-se que o apelido de pó de arroz atribuído ao Fluminense se deve ao jogador do Fluminense Carlos Alberto. Durante uma partida de seu clube contra o América, pelo Campeonato Carioca de 1914, a maquiagem que usava começou a escorrer, revelando sua verdadeira cor. A torcida adversária não perdoou e lhe atribuiu o apelido de Pó-de-Arroz. Em São Paulo, Arthur Friedenreich ou "El Tigre" como costumava ser chamado, também driblava a aparência para parecer branco, alisando o seu cabelo. Isso por que era o principal jogador brasileiro na época.

Em 2005 o zagueiro Argentino Leandro Desábato chamou o atacante brasileiro Grafite de "negrito de mierda" em um jogo entre São Paulo e Quilmes pela taça libertadores da América. O jogador Argentino foi preso por crime de racismo e pagou uma fiança de 10 mil reais.

Temos várias histórias relacionadas ao racismo, preconceito e discriminação existentes no futebol. Hoje comemoramos o dia da consciência negra, data criada para a reflexão da inserção do negro na sociedade brasileira.

E a participação é destacada. O maior jogador de futebol de todos os tempos é brasileiro... Edson Arantes do Nascimento formava em esquadrão Santista que orgulhava o Santos e o Brasil pelos gramados onde passavam.

O manto todo branco do time santista era vestido por craques negros, como Dorval, Mengálvio, Coutinho e Pelé... além de Pepe! Em suas histórias, Pepe conta que em certo momento o centroavante Coutinho começou a jogar com uma fita no braço. Ao ser questionado do porquê jogava com a fita, dizia que toda vez que saía um gol bonito era o Pelé... quando perdia um gol era o Coutinho.

Não me permito analisar nada sobre o ponto de vista da participação de negros e brancos não só no futebol como em qualquer setor de atividade humana. Parto do princípio que todos somos iguais e não abro sequer discussão sobre isso.

Mas proponho a reflexão sobre a influência não só do negro como da cultura africana no esporte das multidões. O jornalista Mario Filho, irmão de Nélson Rodrigues e que dava o nome para o Maracanã publicou uma obra intitulada "O Negro no Futebol Brasileiro" que conta como foi dura a batalha para a inserção do negro e das classes mais pobres dentro do futebol. E curiosamente essa batalha que levou o crescimento fabuloso e a popularidade desse esporte no mundo todo.

O preconceito racial é resultado de uma crença sem sentido da existência de raças superiores ou inferiores sem qualquer embasamento em teorias científicas, que valorizam as diferenças biológicas entre os seres humanos, justificando assim temas mais profundos como desigualdades sociais ao atribuir superioridade de alguns sobre outros.

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