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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Série C... Todo ano a mesma história

As séries C e D no Brasileirão mostram ano após ano confusões e liminares, clubes indo a Justiça Comum, confusões e paralisação de rodadas.

O que temos para esse ano... O Betim (ex-Ipatinga) que disputa a série C contratou o Paraguaio naturalizado boliviano Pablo Escobar, que jogou por essa estrutura profissional quando a sede ainda era em Ipatinga. Essa contratação que ocorreu em 2008 não foi paga e o caso foi parar na FIFA, que solicitou a CBF que punisse o clube com a perda de seis pontos no campeonato em curso.

O caso parece curioso, mas é comum... A FIFA é acionada quando do não pagamento de transferências internacionais de jogadores. Em 2008 tivemos o caso de Alcides, no Benfica, que devido ao não pagamento da transferência do jogador brasileiro do Benfica para o PSV. O América foi o time formador e não recebeu o que tinha direito na transferência. A FIFA ordenou a Federação Portuguesa de Futebol que fossem retirados seis pontos do clube português, que imediatamente entrou em um acordo com o time brasileiro garantindo o arquivamento do processo.

Ainda no futebol português, a FIFA também solicitou a retirada de seis pontos ao Boavista em 2007. Na época o time disputava a segunda divisão Zona Norte, por uma dívida do jogador camaronês Guy Essame. Em 2013, a entidade máxima do futebol retirou doze pontos do Naval, também português, pelo não pagamento de direitos relativos à formação de dois atletas brasileiros (Rodrigo Café e Felipe Brochieri) para Coritiba e Palmeiras.

Isso só mostra que a decisão da FIFA não é absurda, mas ocorre no mundo todo. Cabe ao time que atualmente se encontra na cidade de Betim comprovar o pagamento da transferência. Porém não foi essa a atitude de seus dirigentes. O clube procurou a Justiça Comum e amparada em uma carta precatória, recuperou seus pontos e suspendeu a partida que seria realizada ontem, entre Mogi Mirim e Santa Cruz, prejudicando e ocasionando gastos a duas equipes, que nada tem a ver com o não pagamento de uma dívida contraída pela equipe mineira.

A equipe mineira já havia ingressado com um pedido de liminar na sexta-feira na Justiça comum em Belo Horizonte, mas teve o seu pedido negado. A solicitação acatada pela CBF veio da própria cidade de Betim, que quer fazer prevalecer o resultado obtido em campo, que mostra o time da cidade em quarto lugar.

Cabe lembrar que a equipe mineira já havia sido punida e denunciada pela FIFA pelo não pagamento ao Nacional da Ilha da Madeira de Portugal, relativo ao lateral Luizinho. O clube entrou na Justiça Comum, revogou a punição da FIFA, que solicitou a CBF que denunciasse o fato ao STJD, que julgou o mérito e não excluiu o time da série C, mas o condenou a pagar o valor de R$15 mil reais, além de suspender o seu presidente até que a dívida fosse quitada. 

A ação na FIFA foi proposta pelo atual clube do jogador Pablo Escobar, o The Strongest e trata-se de uma discussão de dívida, que não pode ser deixada de lado. Independentemente da intervenção ou não de uma entidade internacional em solo brasileiro, se o time de um país, qualquer que seja não cumpre uma obrigação com outro clube, este deve procurar um organismo internacional para salvaguardar os seus direitos. A briga em questão é entre Ipatinga-Betim x The Strongest. Mogi Mirim, Santa Cruz e CBF nada têm a ver com o assunto. 

O dirigente do Betim apelou para a justiça divina, dizendo que se a CBF é injusta, Deus e a justiça mineira não são. Postura populista típica de dirigente. Sei que ele deve estar irritado, pois conseguiu pontuação necessária para a classificação, mas a saída para esse problema está em provar a inexistência da dívida, e não o cancelamento da partida. 

Na realidade, o que pretende o dirigente é jogar a decisão do problema mais para frente, pois até lá a série C já estará definida, ou então reverter à punição em uma multa, como já foi feito no caso do lateral Luizinho.

Mas seu ato poderá ter conseqüências na FIFA, pois a entidade ameaça a suspensão do Brasil das competições patrocinadas pela entidade. A CBF, por estar em solo brasileiro, deve acatar a decisão da justiça brasileira, e assim o fez. Cancelou a partida e providenciou o retorno do Ipatinga-Betim.

Agora é aguardar as conseqüências!

Marcelo Alves Bellotti

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