sábado, 23 de fevereiro de 2013

Mortes em Estádios de futebol... Até quando?

Mais uma morte no futebol. Dessa vez fora do campo. Em um jogo internacional, válido pela Copa Libertadores da América, realizada e organizada pela Confederação Sulamericana de Futebol.

O jogo onde ocorreu a fatalidade foi realizado em Oruro, uma cidade boliviana que fica a 3.735 metros acima do nível do mar. O jogo reunia as equipes do Nacional da Bolívia e do Corinthians, atual campeão do torneio.

A morte do torcedor foi provocada pelo disparo um sinalizador, que partiu da torcida do Corinthians. Segundo informações do site "globoesporte.com", dois torcedores são apontados como causadores da morte do garoto de 14 anos. Os outros que permanecem detidos na Bolívia responderão como cúmplices.

O assunto é polêmico pois é tratado com paixão clubística pelos torcedores e de forma equivocada por muitos cronistas esportivos.

O uso de sinalizadores e de fogos de artifício é proibido pelos regulamentos de competições esportivas. Desde que se proibiram os fogos de artifício, as torcidas resolveram se utilzar de sinalizadores para chamar a atenção no estádio.

Recentemente o mau uso de sinalizadores vem causando tragédias, seja em estádios seja em boates. Sinalizador é um tipo de instrumento pirotécnico que produz uma luz brilhante ou um calor intenso sem explosão.

Porém um sinalizador náutico não é semelhante a um sinalizador comum! Seu poder de alcance é de cerca de 300 metros e tem alto poder de explosão. Entra em combustão sem a necessidade do uso de fogo. É um equipamento de segurança utilizados em grandes embarcações ou também por quem faz trilhas e é comercializado sem qualquer restrição.

A diferença entre esse sinalizador e o utilizado normalmene em estádios é que os últimos não explodem, apenas soltam fumaça colorida.

O projétil em questão atingiu o garoto Kelvin Espada e pela violência do impacto abriu um buraco em seu cérebro, fazendo com que ele perdesse massa encefálica, segundo o médico que o atendeu, doutor Jose Maria Vargas o garoto teve morte instantânea.

Sem emitir qualquer juízo de valor sobre o acontecido. Apenas esclarecendo o que diz o regulamento das competições da Conmebol... em seu artigo 11 ela decreta "associações e clubes podem ser punidos por comportamento inadequado de seus torcedores". As diversas federações e confederações espalhadas pelo mundo, como a FIFA, a própria Conmebol, CBF ou até a Federação Paulista proíbem o uso de artefatos explosivos dentro dos estádios e sujeitam as agremiações a punições para desobediência de seus torcedores. 

A responsabilidade objetiva desse fato lamentável ocorrido vem em cadeia e deve ser encarado de maneira clara... o rapaz que atirou o artefato, a polícia de Oruro, o clube mandante, o clube visitante (uma vez que o acontecido teve como responsável um torcedor seu) e a Conmebol. Todos eles tem responsabilidade objetiva pelo que aconteceu.

O Torcedor - Ao portar um artefato explosivo sabendo ou não que sua utilização é proibida dentro do estádio.

A polícia local - Não revistou os torcedores. Muitos se defendem dizendo que o porte do artefato é permitido na Bolívia e que portanto ele poderia entrar no estádio. Ora, frequento o estádio a mais de 30 anos e apesar de também ter sua venda livre e seu porte sem restrições em qualquer local do território brasileiro, não consigo entrar em um estádio em São Paulo portando uma simples caneta. A polícia se defende, dizendo que eu poderia transformar a caneta em arma em uma briga. Confesso que até o primeiro policial me falar isso, essa possibilidade nunca tinha passado pela minha cabeça. Então se a polícia pode proibir uma pessoa entrar no estádio com uma caneta, por que permite entrar com um artefato explosivo de alcance de 300 metros?

São Jose - O time local tem obrigações legais como time mandante, inclusive de alertar a polícia local da proibição do uso de artefatos explosivos para que os mesmo não adentrem os estádios.

Corinthians - Responsabilidade definida pelo regulamento da competição

Conbembol - Responsável objetiva de tudo o que ocorre em uma competição com a sua organização.

O fato objetivo é que qualquer medida punitiva acarretará em prejuizos financeiros.

Espero que de fato se apurem os responsáveis e que as punições sejam impostas. Uma vida não pode ser perdida assim, sem que não haja culpados nem responsáveis.

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Craques cai-cai

Novamente a grande discussão do momento é o menino Neymar. Sua capacidade de driblar encanta a todos e desde que começou a jogar profissionalmente amadureceu bastante e percebeu que seria cada vez mais importante se conseguisse marcar gols.

Mas uma característica que não é do atacante santista, mas do futebol praticado no Brasil incomoda a quem observa o futebol praticado pelo menino e divide opiniões. Os saltos dados a cada tranco recebido pelos seus marcadores. Por aqui, os atacantes não podem ser tocados e sob nenhuma hipótese, sem que seja marcado falta que resulte normalmente em cartões.

Isso pode ter explicação em situações mais complicadas. A arbitragem nacional depende de indicações, mais do que boas atuações. Isso faz com que a arbitragem procure naturalmente acomodar situações e resolvê-las de modo a estar sempre bem com os mandatários da CBF e conseguir mais escalas.

O fato é que isso pode causar um  estrago muito grande na formação de atletas. Neymar foi formado em um futebol em que ele sabe que é só encostar nele que é falta. Então ele pula!!! E como pula!!!

Ao final de cada jogo são computadas mais de uma centena de faltas em cima do jogador... a crônica especializada ressalta a importância do jogador, que consegue com isso fazer com que seus marcadores sejam expulsos...

Ninguém em sã consciência é favorável a que se dê pontapés em jogadores, de maneira nenhuma. A observação pura e simples do futebol sem deixar que a paixão por clubes tome conta da análise permite avaliar que o futebol brasileiro hoje faz mal ao atacante santista.


Até o seu próprio técnico quando sai em sua defesa esquece das partidas que diz que assiste do futebol europeu, onde a maioria dos lances aqui assinalados como falta, são ignorados pelos árbitros. Lembrando-se sempre que futebol é um jogo que permite o contato físico.

Hoje não existe espaços para caminhar com a bola. A grande diferença está na atitude de quem é marcado. Enquanto o craque santista prefere o salto, jogadores consagrados no mundo do futebol como Messi, seguem jogando e encantando com seus dribles e seus gols.

Não se trata de comparação de jogadores. Isso acho extremamente injusto, nunca fiz e não faço. O que comparo são as atitudes! Messi está habituado a jogar em ligas em que sabe que se ele pular em um lance que seu marcador encosta nele, certamente o juiz não dará falta!

Há os que defendem que os adversários Europeus respeitam mais os jogadores de talento, dando espaço para que eles possam jogar! Pura falácia! O jogo lá é tão pegado quanto cá! A diferença principal está na atitude.



Cristiano Ronaldo e Messi, apenas para citar os dois melhores jogadores do mundo segundo a FIFA, sofrem com a violência dos seus marcadores todas as vezes que partem para jogadas individuais. E jogam duro também! Seus adversários tem a convicção que para pará-los em um contra-ataque, por exemplo, terão que derrubá-los... e isso não é uma tarefa fácil! Por atitude e por tudo o que cercam as ligas européias, esses jogadores seguem firmes nos lances e só caem quando realmente recebem trancos suficientemente fortes para derrubá-los! Essa atitude faz com que eles tenham algo que falta ao atacante santista: Credibilidade!



Neymar é craque! Disso eu nunca tive dúvida! Produz lances que nos fazem lembrar um pouco do que de melhor já produzimos em nosso futebol. Dribles desconcertantes e gols fabulosos, como o gol marcado contra o Inter gaúcho  quando mostrou atitude de não cair no início da jogada, quando recebeu um tranco do zagueiro!

O fato é que as discussões continuam... o menino parece não se importar com isso e segue do seu jeito! O futebol brasileiro parece não se importar em produzir jogadores com esse tipo de atitude. Mudam quando vão para a Europa, mas quando retornam é a mesma ladainha...encostou é falta!

O mais triste é constatar que o mesmo acontece na base! O menino aparece, tenta a jogada individual e "se joga"! Técnicos assistem a tudo e não falam nada, apenas passam a mão na cabeça da falta de atitude!

Essa foi uma das razões do menino ter sido vaiado em peso quando simulou uma jogada de penalti em um amistoso do Brasil na Inglaterra ou em um lance na lateral da área contra o Grêmio, onde claramente o zagueiro sequer encosta no atacante santista, recebe o amarelo e o lance resulta no gol santista. Malandragem? Talvez...



Também por isso uma boa parte da torcida brasileira parece não gostar do menino (particularmente a torcida do São Paulo FC). O fato dele também não ser decisivo em jogos importantes da seleção Brasileira ultimamente colaboram com isso.

Espero que Neymar melhore... seu futebol vai aparecer muito mais com uma atitude positiva! Assim ele poderá ser lembrado como o melhor do mundo mesmo jogando no Brasil... por enquanto... um craque cai-cai!

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 19 de janeiro de 2013

Campeonato Paulista 2013 acentua diferenças entre clubes


Hoje se inicia o Campeonato Paulista de 2013 da série A1 (primeiro nível). Mais uma vez a grande discussão gira em torno da duração do campeonato, com 19 datas na sua primeira fase e com oito times que se classificam para a segunda fase.

Ano passado os quatro clubes chamados grandes do futebol em São Paulo colecionaram títulos em nível nacional e internacional e naturalmente se distanciaram cada vez mais seus objetivos da disputa do Campeonato.

Para tornar o seu campeonato atrativo então, a FPF juntamente com uma montadora de automóveis, "engordou" a cota dos times grandes, em detrimento dos demais clubes.

Então os quatro clubes privilegiados receberão nesse campeonato o total de R$10,815 milhões para dizer que o paulistinha não é a prioridade no seu planejamento, quando por acaso no final do campeonato tiver que amargar uma eliminação para um dos 16 times de menor sorte no Estado.

Esses clubes receberão R$2,115 milhões. A proporção chega a ser desleal, pois os três clubes da capital mais o time da Baixada Santista recebem 84% do bolo, contra 16% dos demais.

Mas a desigualdade não para por aí. Para o campeão Paulista, a FPF distribui R$2,5 milhões e o vice-campeão fica com R$600 mil, enquanto que o campeão do Interior recebe R$200 mil e o vice-campeão recebe R$50 mil.

Sabemos que hoje os eventos esportivos são feitos para a televisão, e o futebol segue esse exemplo, remunerando mais a quem dá mais audiência, mas a relação de forças chega a ser desumana.

Falam da falência do futebol do interior e culpam os dirigentes dos clubes e suas péssimas administrações... discurso pronto sem apreciação do real problema. É certo que em geral os clubes são pessimamente administrados, sem planejamento e sem perspectivas profissionais, servem em geral para palanques eleitorais e como instrumento político para ascensão social. Mas essa discriminação a longo prazo vai acabar com o futebol do interior do Estado.

Passou da hora da FPF pensar no desenvolvimento de seus filiados. De trabalhar de forma a fazer um campeonato atrativo e de baixo custo para seus participantes e diminuir as diferenças entre os clubes, ao invés de acentuá-las. Ao fazer isso, atende o interesse dos grandes grupos, que querem tornar o futebol brasileiro em um evento voltado para a TV. Então o torcedor de uma cidade do interior como São Carlos por exemplo, ficaria sem opção de torcida para times locais, pois pela migalha que recebem, teriam um time semi-profissional, e tenderiam a torcer para os times da capital.

Essa é a modernidade que combatemos. Com inteligência, a FPF poderia transformar o seu campeonato realmente em entretenimento, aproximando o cidadão do interior ao clube da sua cidade, acentuando inclusive o conceito de cidadania.

É preciso haver um grande debate que leve o futebol em São Paulo a um caminho de desenvolvimento. Nos últimos anos temos notado o aumento de clubes cujo único interesse é a formação profissional de atletas (casos de Audax, Porto Feliz, etc) e clubes tradicionalíssimos praticamente quebrados, como o São Bento, por exemplo. Enquanto isso, a FPF distribui carros aos clubes em seu campeonato do primeiro nível. Não se trata de assistencialismo  mas sim de tratar o futebol como um produto rentável não somente para quatro clubes e uma emissora de TV. 

Da maneira que está distribuída a grana do Campeonato, os quatro clubes da capital tem a OBRIGAÇÃO de fazer a semi-final. Não se trata de melhor estrutura, ou de melhor time... apenas chegamos ao grande problema do Brasil... a desigualdade entre ricos e pobres... clubes ricos cada vez mais ricos e clubes pobres cada vez mais na miséria...

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 12 de janeiro de 2013

Basta de Intolerância! (ou não?) O que queremos?

O futebol deve ser entendido como um entretenimento popular, onde a sociedade local se reúne em grupos em estádios para assistir partidas de futebol. Os grupos formados nos estádios, por inúmeras vezes tomam atitudes se protegendo na condição da ação anônima que em geral não seriam tomadas individualmente.
Os exemplos são vários... O povo catalão se reunia para os jogos de seu time em plena ditadura para gritar "Barcelona!". No Chile, também em pleno golpe militar do ditador de plantão, General Pinochet, um jogo de futebol chamou a atenção. Um jogador curiosamente tinha o mesmo nome do ditador. O jogador não estava em um bom dia, então o estádio inteiro gritou: "Fora Pinochet!"

Porém o que aconteceu no terceiro dia desse ano de 2013 no futebol foi mais uma demonstração de intolerância coletiva. Protegida pelo anonimato, torcedores partiram para a ignorância coletiva comum em países Europeus de demonstração de racismo.

O jogo era apenas um amistoso entre o Milan e o Pro Patria, um clube de futebol da cidade de Busto Arsizio, cidade na região da Lombardia com população de cerca de 80 mil pessoas.

O amistoso era pra servir de preparação para a continuidade do Italiano e para preparação do Milan. Porém aos 26 minutos do primeiro tempo, após ouvir várias canções de cunho racistas e a típica "imitação de macacos" dirigidas a ele, o jogador ganês da squadra rossonera Kevin-Prince Boateng abandonou a partida, visivelmente abatido.

Até por se tratar de um amistoso, a reação que se seguiu foi inusitada, porém corajosa. Todo o time Milanês acompanhou o seu jogador e também deixou o campo. Alguns jogadores do time rival tentaram fazer com que o jogador mudasse de ideia  mas aos poucos, também deixaram o campo de jogo.

A atitude de ambos os times ainda provocou aplausos de boa parte dos torcedores presentes ao estádio. Cinco torcedores do Pro Patria foram detidos e o clube foi punido com um jogo realizado com portões fechados.

O presidente do Pro Patria lamentou a reação de seus torcedores. "As pessoas que participaram dos cânticos racistas foram isoladas. Estas pessoas não eram nossas conhecidas do estádio e usaram este evento para arruinar uma celebração do futebol. O clube não pode fazer nada quando encara estes incidentes. A decisão do Milan (de cancelar o jogo) foi compreensível"

O Milan tratou o episódio como um fato isolado, mas marcou sua decisão em não tolerar situações como essa. Em nota oficial publicada em seu site afirmou "Busto Arsizio é uma cidade civilizada, ninguém pode negar. O Milan vai retornar de bom grado e com a cabeça em pé até lá, mas os cantos racistas daquelas pessoas pequenas hoje não poderia ficar impune. Em um certo ponto, o Milan disse “chega”. Aqueles que compartilham a cor do coração de Boateng, Muntary e Niang não podiam aguentar mais e decidiram que era hora de ensinar uma lição a estes tolos"


Pena que esse fato só tomou essa proporção por ser apenas um amistoso, sem maiores consequências  A UEFA e a Federação italiana deveriam ser mais efetivos no combate a intolerância. Ainda mais se tratando de Europa, onde essa prática é comum e já levou o mundo a uma grande guerra!

Situação vergonhosa que só mostra que mesmo em 2013, nada mudou!

Marcelo Alves Bellotti

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Reflexão de Natal


Fim de ano, especialmente o Natal é uma época de reflexão. Pensar em tudo o que aconteceu não somente no último ano, mas também em anos anteriores. É comum pensarmos nas passagens de ano como novos ciclos em nossa vida, o que nos dá capacidade de renovar e de inovar.

No futebol, propriamente dito estamos em um período pré Copa do Mundo, com um grande evento mundial no Brasil marcado para 2013, a Copa das Confederações e finalmente em 2014 teremos o maior evento mundial do futebol no planeta, a Copa do Mundo.

O prestígio internacional do futebol Brasileiro está extremamente baixo na seleção nacional. Atualmente o Brasil encontra-se na medíocre 18ª posição, atrás dos sul americanos Argentina (3º), Colômbia (5º), Equador (13º) e Uruguai (16º). Muitos tentam explicar o fato dizendo que o Brasil não disputa torneios oficiais, como as eliminatórias por exemplo. Mas em 1997 a equipe brasileira também não disputou as eliminatórias e seguiu liderando o ranking da FIFA.

Em contrapartida, os clubes brasileiros estabelecem um paradoxo com a seleção. Todos os campeões dos torneios sul-americanos em 2012 foram brasileiros. O Santos ganhou a recopa, o Corinthians a Libertadores e o São Paulo ganhou a Sul-americana.

Isso reflete bem o pensamento do torcedor brasileiro no momento. Hoje em dia, a maioria do torcedor e uma boa parte da imprensa não apóiam a seleção nacional e acredita que ela atrapalha os clubes e os campeonatos nacionais, inviabilizando investimentos dos clubes em grandes jogadores.

O fato é que há um grande bolo de dinheiro que envolve as transmissões de eventos esportivos no mundo de hoje. Ninguém quer ficar fora desse bolo, então cada um defende o seu interesse, sem se importar com o interesse do produto futebol.

Hoje o Corinthians só pensa em internacionalização da sua marca... Dirigentes dos principais clubes em São Paulo brigam pelo direito de disputar amistosos com grandes clubes no mundo. Mas a CBF não abre mão do seu campeonato de pontos corridos com 38 rodadas nem a Copa do Brasil, que nesse ano terá a participação de todos os grandes. O Paulistão segue com as suas 19 rodadas na fase de classificação.

Tudo isso com um campeonato atropelando o outro, um interesse atropelando o outro... Sem planejamento, pois ninguém quer abrir mão do seu objetivo em favor do produto futebol.

Planejamento, profissionalismo nesse caso são substituídos por interesses pessoais e vaidades, privilegiando somente a sua própria agremiação em detrimento das demais. Isso levará os grandes clubes brasileiros a um patamar internacional, transformará finalmente o futebol em um esporte economicamente rentável.

Mas há um preço para tudo isso. A transformação do futebol em um esporte de elite fixará preços cada vez mais altos para que as pessoas possam acompanhar seus jogos. Estádios serão transformados em grandes Arenas, com estruturas de Shoppings e Espaços de lazer. Recursos eletrônicos e as 185 câmeras espalhadas pelo campo de jogo garantem que nenhuma decisão errada será tomada nos 90 minutos. Regulamentos serão feitos de modo a privilegiar os times de grandes torcidas, garantindo a esses recursos para que sejam cada vez maiores e que possam trazer mais torcedores para assim aumentar a audiência de quem transmite os jogos...

É o começo do fim do futebol nos centros menores. O que hoje já é difícil, em muito pouco tempo se tornará inviável e muitos times desaparecerão. Estruturas profissionais já se aproveitam disso hoje e entram no futebol do Interior somente para formar jogadores na base, aproveitando-se da lei para lucrar como clube formador e repassar jogadores para clubes tanto no Brasil como na Europa.

E isso parece ser um caminho sem volta... Todos entendem que esse é o futuro para o futebol brasileiro... Meia dúzia de times muito ricos, uns poucos times com condições de fazer frente a esses clubes e torcedores de sofá... Uma geração que só consegue analisar futebol pelo vídeo tape e não sabe a diferença entre táticas e esquemas de jogo.

Bem vindos à modernidade!!!

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 15 de dezembro de 2012

Futebol - Histórias de Intolerância e Abandonos...

O futebol guarda na sua histórias, alguns casos célebres de abandono de campo. Na última quarta-feira, pudemos ver de perto novamente essa prática antiga, tipica do time que está em inferioridade e que em um último gesto de protesto e indignação, decide pela total radicalização e deixa o campo de jogo.

O Tigre não pareceu em nenhum momento no jogo em São Paulo, querer jogar bola, apenas fazer do confronto uma guerra e de todo lance uma polêmica. Produziu um fato e lançou a polêmica no ar, se recusando a voltar do intervalo e agora contestando o título do São Paulo. O caso será investigado pelos órgãos competentes e promete desdobramentos nos próximos dias.

Esse acontecimento fez alguns torcedores citarem uma partida de 1942, uma decisão entre São Paulo e Palmeiras em que o São Paulo abandonou o campo, a exemplo do Tigre. Falou-se muito dessa partida, com foco apenas no fato do abandono do São Paulo. Resolvi pesquisar sobre a partida, famosa não somente por esse lance mas por toda uma história de intolerância e ódio no futebol.

Estávamos em 1942, o auge da Segunda Guerra Mundial marcava batalhas entre Americanos e Ingleses sobretudo contra investidas japonesas para conquista da Austrália e da Alemanha em direção a Russia. No Brasil vivíamos um Governo totalitário, denominado posteriormente de Estado Novo, implantado após um golpe de Estado em 1937 e comandado por Getúlio Vargas.

O futebol seria então influenciado pela Guerra. O Brasil declarou guerra aos países do Eixo. Começava então um período de perseguição as colônias desses países no Brasil. Então, por exemplo o Sport Club Germânia passou a se chamar Esporte Clube Pinheiros. O governo Vargas decretou que nenhuma entidade com sede no país pudesse fazer uso de nomes relacionados a países do Eixo.

Essa decisão fez com que a Società Sportiva Palestra Italia então decidisse alterar o nome para Palestra de São Paulo.

Porém a alteração não agradou totalmente o poder político vigente tanto na esfera esportiva quanto na comum, as pressões aumentavam para que o time fosse retirado do campeonato e que perdesse o seu patrimônio para outro clube. O time palestrino era considerado por muitos como "inimigo da Pátria".

Nessa época diziam que o campeonato era decidido na cara ou coroa: Ou Palestra ou Corinthians eram os vencedores no final de cada campeonato. Em 1942 surgia então o São Paulo como força para combater a hegemonia de Corinthians e Palestra. Tanto que no campeonato seguinte, que o São Paulo foi campeão, diziam que a moeda "caiu em pé"

O fato que as finais do Paulistão de 1942 reuniam São Paulo, Corinthians e Palestra de São Paulo. A pressão foi tanta para o jogo contra o São Paulo que as vésperas da partida, no dia 14 de setembro, uma reunião da diretoria paelstrina resolveu alterar o nome de Palestra Italia para Palmeiras, por sugestão do Dr. Mario Minervino.

Em 20 de setembro de 1942 no Pacaembu, o São Paulo entrou em campo para enfrentar a Sociedade Esportiva Palmeiras, que entrou em campo conduzindo uma bandeira do Brasil. O jogo foi extremamente tenso, com ânimos acirrados dos dois lados, já que se dizia que o São Paulo reivindicava para si o patrimônio do Palestra Italia.

O Palmeiras já vencia o jogo pelo placar de 3 a 1 quando  aos 19 minutos do segundo tempo, o árbitro marcou um pênalti cometido por Virgilio, que posteriormente seria expulso. A equipe tricolor não aceitou a marcação do pênalti e se recusou a continuar jogando. 

Os gols do Palmeiras foram marcados por Claudio (Cristóvão Pinho, maior artilheiro da história do Corinthians), José Del Nero (pai de Marco Polo Del Nero, presidente da FPF) e Echevarrieta. O recém nascido Palmeiras tornava-se campeão Paulista de 1942 devido ao abandono do jogo por parte do seu adversário. O vice-campeão foi o Corinthians e o São Paulo ficou com o terceiro lugar.

Esses são os fatos, descritos apenas sem emoção ou qualquer juízo de valor. Essa partida ficou marcada como o início de uma época de intolerância entre as equipes de São Paulo e Palmeiras devido a tudo o que se cercou no contexto da sua realização. 

Não cabe aqui qualquer julgamento do fato... apenas o relato histórico. A opinião pertence a vocês!!!

Marcelo Alves Bellotti

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira



Nascido em 19 de fevereiro de 1954, o Paraense de Belém foi em sua vida um dos maiores jogadores de futebol que esse país já teve. Polêmico em suas declarações, nunca escondeu seu lado boêmio e suas preferências políticas.

Sócrates iniciou sua carreira futebolística em meio ao curso de medicina na USP de Ribeirão Preto jogando pelo Botafogo. Logo se destacou no título da Taca Cidade de São Paulo em 1977. Pretendido pelo São Paulo, o Doutor como era conhecido, acabou se transferindo para o Corinthians, graças a uma manobra de bastidores do então presidente corintiano, Vicente Mateus.
Certamente o Corinthians foi o grande time onde Sócrates jogou. Ao lado primeiro de Geraldão, depois de Palhinha e por último seu amigo Casagrande, Sócrates viveu no timão as suas grandes alegrias e a melhor fase de sua carreira, com os títulos paulistas de 1979, e o bi campeonato 1982/83.

Nessa época, o jogador liderou um movimento político em meio a um processo de redemocratização do país, a democracia corintiana  que determinava liberdade aos jogadores sempre com responsabilidades.


Atuante e sempre se posicionando com relação ao momento político do país, participou do movimento "Diretas Já" que lutava pela eleição direta para presidente da República.

Sócrates jogou ainda na Fiorentina, no Flamengo e no Santos. Participou com destaque de duas copas do Mundo, em 1982 formou um meio campo com Falcão, Toninho Cerezo e Zico que encantou o mundo da bola.

Sua atuação foi além dos gramados, lançou livros (Ser Campeão é Detalhe - 2011 e Democracia Corinthians - 2002). Era articulista da revista Carta Capital e integrante da equipe do Cartão Verde, programa esportivo da TV Cultura.


Porém perdeu a batalha contra o alcoolismo. Sócrates teve seus problemas de saúde agravados a partir de agosto de 2011, até que na madrugada de 4 de dezembro de 2011 deixou-nos órfãos de seu talento e da sua irreverência.

Certa vez quando perguntado sobre sua própria morte, o doutor respondeu:  "Quero morrer em um Domingo e com o Corinthians Campeão".

E foi feita a sua vontade! No dia 4 de dezembro de 2011, exatamente a um ano atrás, o Corinthians era decretado Campeão Brasileiro de futebol, após um empate contra o Palmeiras. Seguiram-se homenagens do Botafogo e da Fiorentina, destaques no site da FIFA e até da Presidente do Brasil.

O Corinthians, clube de coração do Doutor soltou essa nota no dia da sua morte... 

Hoje, que seria um dia apenas de alegria pela decisão do Brasileirão, começou triste para o futebol brasileiro, principalmente para os corinthianos.
Um dos maiores ídolos da história do Timão, Sócrates Brasileiro Sampaio de Sousa Vieira de Oliveira morreu às 4h30m da madrugada deste domingo, em consequência a um choque séptico, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Ele tinha 57 anos e era pai de seis filhos.
Sócrates disputou 297 jogos, marcou 172 gols e venceu três Campeonatos Paulistas (1979, 1982 e 1983) com a camisa do Timão, além de ter sido um dos principais idealizadores da Democracia Corinthiana.
O Sport Club Corinthians Paulista e toda a sua Fiel Torcida se despedem com tristeza do Magrão, mas também ficamos agradecidos pela honra de ter visto um dos maiores jogadores da história do futebol vestindo o manto alvinegro por tantos jogos. Obrigado pelos lindos gols, pelos toques geniais, pelo futebol magistral que só Sócrates tinha.
Obrigado, Doutor! 

Sócrates uma vez declarou que só havia uma maneira de se destacar no futebol, já que declaradamente ele não gostava de treinar... tornando-se diferenciado. E assim foi a sua carreira profissional e na sua vida pessoal... Pessoas podem gostar ou não do Doutor, mas não há como negar que ele foi diferenciado!


Descanse em paz...

Marcelo Alves Bellotti