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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Caso Portuguesa. Holofotes e desencontros

Novamente retornamos ao caso da Portuguesa e a escalação irregular do meia Heverton no final do ano passado, que levou o time do Canindé de uma situação tranquila dentro da série A para um rebaixamento com a consequente perda de pontos.

Desde o começo das conversas ficou claro que a Portuguesa cometeu um erro ao utilizar o atleta irregularmente e pagou por esse erro. Porém o que se viu foi uma série de pré julgamentos de todos os lados da sociedade, sempre colocando como pano de fundo a possibilidade de rebaixamento de dois times cariocas.

Primeiramente vieram os "defensores do resultado de campo". Ou seja, escalem quem quiser, pois o que deve prevalecer é o resultado dentro de campo. Depois os defensores de que a pena foi desproporcional. Ora, esses "paladinos da justiça" não se pronunciaram quando do rebaixamento de outras equipes pelo mesmo caso (O Brasil de Pelotas, por exemplo, por escalação irregular de um atleta, onde não pareceu haver dolo). Depois ainda causídicos citaram a Lei Federal conhecida como "Estatuto do Torcedor" para comprovar um erro da CBF que revogaria o julgamento.

Agora, um promotor de justiça do consumidor em São Paulo que encampou o caso, envolvendo nele recursos públicos e um ano de investigação para uma denúncia envolvendo possível corrupção, afirma ter indícios do conhecimento de membros da direção da Portuguesa no caso, mas afirma que "a Portuguesa foi vítima".

Ora, se o presidente da Portuguesa e mais alguns funcionários tinham conhecimento do fato de que o atleta não poderia ser escalado e tomaram uma decisão, não vejo como isentar o clube de culpa. Então os atos de um presidente de clube no exercício do seu mandato não caracterizam atos do clube?  Se o presidente da Portuguesa sabia do fato então a Portuguesa sabia, se o presidente agiu errado, então a Portuguesa também agiu. Não vejo como isolar os atos do presidente de uma empresa aos atos da mesma.

Seguindo ainda nessa linha, em onze meses de investigação, que contou ainda com o GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) a promotoria pública movimentou todo um aparato do Estado (com o custo pago pelos contribuintes) para investigar a movimentação financeira dos dirigentes da Lusa.

No final do seu pronunciamento, o promotor afirmou que não há comprovação de irregularidade, apenas indícios. Jornais e meios de comunicação (sobretudo os sediados em São Paulo) de apressaram em estampar manchetes dizendo do suborno, isentando a Portuguesa de culpa e transferindo a culpa para dois times cariocas (Fluminense e Flamengo) que tinham total interesse nesse caso. Inclusive o próprio promotor paulista cita nominalmente esses dois clubes.

Raramente me posiciono com opiniões nesse blog, prefiro relatar os fatos e deixar que vocês cheguem a uma conclusão, porém nesse fato gostaria de me posicionar.

1 - Acho um absurdo que um órgão público utilize recusrsos dos contribuintes para assuntos de futebol, seja qual for a justificativa.

2 - A Portuguesa escalou um jogador irregular e portanto sua punição foi correta e justa, uma vez que a pena (perda de pontos) era a única cabível para esse caso.

3 - Caso sejam comprovados os indícios de que o clube tinha conhecimento de que o jogador estava irregular e que recebeu vantagens para escalar o jogador, os clubes envolvidos devem ser punidos esportivamente de maneira severa.

4 - As pessoas envolvidas em crime de corrupção ou suborno devem responder criminalmente pelos seus atos. 

Acredito que devemos agir com responsabilidade. Vi uma reportagem da Folha de São Paulo dizer em sua manchete em destaque "Ministério Público vê indícios de suborno..." e no corpo da mesma reportagem dizer  que a promotoria "... ainda não chegou a nenhuma conclusão sobre se houve corrupção...". Para ter uma opinião melhor formada, leiam mais do que simplesmente o título da matéria. Há muito mais escrito, sobretudo nas entrelinhas. 

Lamento pelo futebol brasileiro e sobretudo pelos péssimos exemplos de valores que passamos como sociedade.

Marcelo Alves Bellotti

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