sábado, 17 de agosto de 2013

São Paulo rebaixado?

Por conta da má fase do São Paulo futebol Clube, o assunto sobre um possível rebaixamento da equipe paulista em 1991 volta à discussão. Resolvi então deixar a minha contribuição sobre o assunto.

Cabe uma explicação, em 1990 o Campeonato Paulista foi disputado por 24 equipes. A discussão da época era que o campeonato era inchado, que deveria ter um número de participantes menor.

O então presidente da Federação Paulista na época decretou que em 1991 o campeonato seria disputado somente por 14 times. Os dez times que "sobrassem" juntamente com os quatro melhores times do segundo nível da época formariam o grupo intermediário. Para acalmar os clubes pequenos, uma vez que dez times sobrariam em um grupo onde teoricamente não haveria nenhum time grande, a FPF decretou que não haveria rebaixamento.

O campeonato foi disputado e algo saiu do roteiro. O São Paulo Futebol Clube ao final da primeira fase ficou em 8º lugar, sendo eliminado na primeira fase e tendo que disputar um humilhante rebolo. O pior acabou acontecendo! No final do rebolo, o São Paulo terminou o campeonato em 15º lugar.

Definiu-se então que o campeonato de 1991 na primeira divisão seria disputado por dois grupos. Um seria formado pelos 14 principais clubes e o outro pelos dez piores clubes do Campeonato de 1990 mais os quatro melhores da Segunda Divisão. Não haveria previsão de cruzamento entre os grupos.

Tanto que o presidente em exercício da FPF, Antoine Gebran, declarou a Folha de São Paulo "(...) Resta ao São Paulo a chance de subir para a série A em 92. Apenas o campeão da série B sobe (...) Esta fórmula foi aprovada por unanimidade por todos os 24 clubes que iniciaram o campeonato este ano".

As declarações da Folha não param por aí... 'Vamos cumprir a lei. Lei é lei', disse o diretor-adjunto do São Paulo, Herman Koester (...) Segundo ele, o São Paulo vai mesmo disputar a Série B, uma Segunda Divisão que só não recebe essa denominação por uma questão de nomenclatura jurídica. (...) Já o diretor de futebol Fernando Casal de Rey, 47, ainda não se deu por vencido. Ele disse que vai acionar o departamento jurídico do clube para saber se a aprovação da fórmula do campeonato de 91 é legal. Casal de Rey disse, sem ter certeza, que não existe um documento assinado pelos clubes sobre o assunto. Assim, ele poderia recorrer à Justiça Desportiva para mudar a fórmula. Ou seja, apelar para o tapetão. 'Estamos vivendo um pesadelo', disse Casal de Rey."

Óbvio que o São Paulo não disputou a Segunda divisão em 1991. Nenhum dos dez clubes que não se classificaram na repescagem, a saber, São Paulo, Santo André, Ponte Preta, Internacional, Noroeste, União São João, São Bento, Juventus, São José e Catanduvense disputaram a Segunda Divisão. Apenas formariam um novo grupo em 1991. Esses se juntaram a Sãocarlense, Rio Branco, Marilia e Olímpia para a formação do que foi batizado de "Grupo Amarelo".

Agora convido vocês a pensar... Qual seria o ganho do campeonato de 1991 que "resolveria" o "problema" do campeonato inchado, com 24 clubes de 1990? O campeonato Paulista de 1990 foi disputado por 24 clubes em dois grupos de 12 clubes. O campeonato paulista de 1991 foi disputado por 28 clubes divididos em dois grupos de 14 clubes. Em 1990 classificava-se 12 clubes para a segunda fase, enquanto que em 1991 a segunda fase foi disputada somente por oito equipes. Esse foi o ganho??? Muito pouco!!!

Na realidade, o campeonato de 1991 foi pensado pelos clubes de modo a criar uma "divisão intermediária" obviamente sem o cruzamento e que pudesse resolver o problema do alto número de jogos.

Então teríamos dois campeões na primeira divisão??? Isso mesmo!!! Para entender essa situação, basta analisarmos o campeonato como ele é concebido hoje. A FPF hoje oferece a seus clubes um campeonato da primeira divisão com três séries (A1, A2 e A3) com vinte clubes cada. A Segunda divisão possui 45 clubes divididos regionalmente em oito grupos sendo cinco grupos com seis equipes e três grupos com cinco equipes. Corinthians (A1), Portuguesa (A2) e São Bento (A3) formam o trio campeão da Primeira Divisão do Campeonato Paulista. A segunda divisão segue a sua disputa.

Voltando a 1991... Uma disputa sem o cruzamento entre os grupos não atenderia os interesses dos clubes grandes. Então tivemos um campeonato com dois grupos com cruzamentos. Havia também outra preocupação: O Campeonato Brasileiro na época não permitia a participação de clubes que estivessem na segunda divisão dos estaduais. Então, se o São Paulo disputasse uma "segunda divisão" não teria direito de participar do Brasileiro

O mais importante é citar que o campeonato de 1991 foi planejado para que não houvesse cruzamentos entre os grupos. O objetivo eram criar duas divisões na primeira divisão.

Por conta da incompetência do time do São Paulo, os campeonatos de 1992 e 1993 foram disputados com a previsão de cruzamento entre os grupos. Ao consultar os campeonatos paulistas disputados nesses anos, constatamos que não há registros de campeonatos de segundo nível, o que caracteriza esses dois grupos como dois níveis (divisões, portanto) diferentes!

É tudo uma questão semântica! O São Paulo nunca disputou a Segunda Divisão do Campeonato Paulista. Assim como o Santo André, por exemplo, não disputa a segunda divisão em 2013 (está na série A2).


Marcelo Alves Bellotti

Rodada decisiva na Segundona Paulista

A Segunda divisão (quarto nível) do Campeonato Paulista chega a sua rodada decisiva na segunda fase.

Nesse Domingo será disputada a última rodada dessa fase. Até aqui temos definidas as classificações de oito equipes: CAD (Diadema), Internacional de Bebedouro, Tanabi, União de Suzano, XV de Jau, Primavera de Indaiatuba, Água Santa (Diadema) e Tupã.

A se destacar a ótima campanha dos dois caçulas do ABCD paulista. As equipes de Diadema brilham no ano de sua estréia. A população deu o seu apoio e tem comparecido nos jogos e as equipes tem retribuído em campo, com campanhas consistentes.

A seguir, as disputas acirradas pelas vagas restantes:

No grupo 9, com a classificação do Diadema, a segunda vaga será decidida entre Assisense e Fernandópolis, que estão empatados no segundo lugar com oito pontos cada.

No grupo 10, a classificação fica entre Grêmio Prudente com sete pontos e Paulistinha de São Carlos com seis. O Grêmio Prudente encara o Inter de Bebedouro no estádio municipal Paulo Constantino, em Presidente Prudente enquanto o Paulistinha pega o AEA Araçatuba em São Carlos.

No grupo 11 a a briga da vaga fica entre a Briosa (Portuguesa Santista) com oito pontos ganhos e a Matonense com cinco. Enquanto a Briosa enfrenta o ECUS, a Matonense enfrenta o Tanabi, de Viola e Marco Antônio Bioadeiro. Para a Briosa, basta um empate para passar a próxima fase sem depender o índice técnico.

No grupo 12 a classificação está entre o XV de Jau e o Olímpia. O Galo da Comarca (XV) tem nove pontos ganhos e joga contra o já classificado USAC (Suzano). O Olímpia joga tudo contra o SEV Hortolândia de olho na vaga por índice técnico.

No grupo 13 a situação está definida. Os classificados são Primavera e Água Santa. Osasco e União de Mogi apenas cumprem tabela.

No grupo 14 a vaga fica entre Atibaia e Cotia, que recentemente contratou Boquita, ex Corinthians e Portuguesa. As duas equipes somam oito pontos e fazem o jogo decisivo no estádio municipal Salvador Russani em Atibaia. Nesse grupo o Tupã já classificado joga contra o Américo.

Ao final da rodada, mesmo com derrota, os clubes com oito pontos se classificarão, pois além dos dois melhores de cada grupo, completarão a classificação os quatro melhores classificados por índice técnico.

A Rede Vida de televisão estará acompanhando um desses jogos. Ela transmite Fernandópolis e Assisense. O derrotado para não se classificar deverá ser ultrapassado por quatro equipes. 

Acompanhe o time da sua cidade! Não deixe que o futebol moderno te coloque trás de uma poltrona vendo os jogos somente pela TV. Compareça e prestigie!

Marcelo Alves Bellotti

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Brasileiro - Rápidas da Primeirona

O Campeonato Brasileiro seguiu com uma rodada bem interessante se não pelo lado técnico, mais pela emoção dos jogos. A rodada ontem mostrou jogos que tornaram-se interessantes pela demonstração de vontade dos atletas em campo.

O primeiro exemplo foi no jogo Cruzeiro x Criciúma. O Cruzeiro disputa ponto a ponto a liderança do campeonato e não poderia pensar em um outro resultado que não fosse a vitória. E ela veio com um gol fantástico do jovem Ricardo Goulart, revelado nas categorias de Base do Esporte Clube Santo André, onde participou da campanha do vice campeonato Paulista de 2010. Goulart teve ainda uma passagem pelo Inter e se destacou pelo Goias na série B do ano passado.


O Fluminense teve outro bom jogo contra o Vitória. O elenco tricolor tem potencial e não figuraria por muito tempo na zona de rebaixamento. A chegada de Wanderley Luxemburgo contribuiu para a subida do time na tabela. Novamente o time mostrou força e Fred provou que está em boa fase, aproveitou a falha do goleirão e fez o gol de empate, já no final do jogo.

Aliás, os lances finais dos jogos deixa a certeza que o Campeonato Brasileiro de 2013 é realmente jogado ponto a ponto. Em Minas Gerais, o Atlético mediu forças contra o líder Botafogo e chegou ao empate no último lance do jogo. Aliás, não é a primeira vez que o Botafogo sofre o empate no fim do jogo, já tinha sido assim contra o Flamengo. Por pouco o Atlético-MG não chega a vitória, tal a pressão exercida no segundo tempo em busca do empate.

Mas a emoção maior veio do estádio Mané Garrincha, em Brasilia. Lá estavam em campo as equipes do Flamengo e da Portuguesa. O Flamengo derrotava a Lusa poo um a zero e tinha um jogador a mais. No último lance do jogo, escanteio para a Lusa e o goleiro Lauro vai a área, no desespero para empatar o jogo. E o empate veio. Gol de Lauro, para delírio da torcida da Lusa. E o goleirão Lauro comemora o seu segundo gol marcado contra o Flamengo. Em 2003, jogando pela Ponte Preta, também marcou contra o Rubro Negro e ajudou a Ponte a permanecer na elite daquele ano.

Aos poucos o Brasileirão vai "pegando" para os torcedores, seja na parte de cima da tabela, seja na parte de baixo. E quando falta técnica, a raça e a vontade garantem a emoção dos torcedores. Bel rodada.

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 27 de julho de 2013

Festa do Interior: Começa a segunda fase da Segundona Paulista

A Segunda Divisão (quarto nível) do Campeonato Paulista chega a sua segunda fase. Nesta fase ficam geralmente os clubes que tiveram apoio de suas prefeituras e que conseguiram um investimento para o futebol na cidade.

No Grupo 09 temos o Diadema (CAD), com apoio da prefeitura, o Assisense que conta com a simpatia do amigo Mauricio Noznica, o tradicional Fefece, o Fernandópolis e o Taboão da Serra que estranhamente mandou seus jogos na primeira fase em Barueri, em Guarulhos e em Jundiaí.

No grupo 10 temos o Araçatuba, o Grêmio Prudente (sim... ele ainda existe!!!) A Inter de Bebedouro e o Paulistinha de São Carlos.

No grupo 11 temos o ECUS (Suzano), já tradicional, a Matonense, a Briosa (Portuguesa Santista) que conta com Rodrigão e Pio, vice-campeões Paulista em 2010 pelo Santo André, além do trabalho competente de Edu Marangon como gerente de futebol. 

Outro destaque do grupo é o Tanabi, que conta com os gols e a irreverência do atacante Viola e uma figura até então desconhecida... trata-se do volante Cristian, irmão do lutador de UFC Anderson Silva.Como não bastasse, a diretoria do Tanabi também trouxe o veteraníssimo Marco Antônio Boiadeiro.

No Grupo 12 temo o SEV Hortolândia, o Olímpia, o União de Suzano (USAC) e o XV de Jau, que fez um ótimo trabalho na primeira fase. Suzano tem algo especial... as duas equipes foram formadas para unir a população da cidade em torno do futebol... então os dois times (ECUS e USAC) chamam-se União de Suzano!

No grupo 13 temos o Água Santa (Diadema), o Osasco, o Primavera de Indaiatuba e o União de Mogi, do amigo Roberto Marciano.

Pra finalizar o grupo 14 temos as equipes do Tupã, o Atibaia, Cotia e Américo.

Essa é a festa do Interior, que começou hoje! O que não faltam são atrações! Sempre que possível estaremos destacando as melhores equipes.

Marcelo Alves Bellotti

domingo, 21 de julho de 2013

São Paulo e seus desmandos

Hoje acompanhei a derrota da equipe do São Paulo para o Cruzeiro pelo placar de três a zero em pleno Morumbi. A derrota leva o time a sua sétima derrota seguida. Tal marca supera a de 1936, quando o time completou seis derrotas consecutivas.

Os especialistas que no começo da série negativa procuravam apontar erros individuais ou coletivos, falhas técnicas ou comando técnico ineficiente, hoje parecem chegar a conclusão quase que unânime que o real culpado pela situação vexatória em que o clube se meteu vem da alta direção do clube, na figura do seu mandatário.

Juvenal Juvêncio é uma figura grotesca (que suscita o riso por sua extravagância). Nos últimos anos de clube, protagonizou cenas e entrevistas que beiram o ridículo. (Pérolas do Juju)  A situação que o time chegou hoje parece estar de maneira inexorável ligada aos desmandos e desatinos cometidos pelo seu mandatário maior, a partir da decisão de rasgar o estatuto do clube em nome de mais um mandato obtido em maio de 2011, questionado na justiça até hoje.

Seu jeito debochado fez com que o São Paulo colecionasse vários inimigos principalmente entre os clubes de São Paulo. É o principal responsável pela transformação do Morumbi em "elefante branco", só recebendo jogos do São Paulo e sendo há pelo menos dois anos seguidos um dos piores clubes em ocupação do estádio (Público total/capacidade do estádio)

Famoso pelas declarações polêmicas, em certa vez disse que o ex-presidente do Corinthians tinha o "Mobral inconcluso". Até hoje as diretorias não tem um bom relacionamento. Em outra ocasião, para dizer que a única opção para a Copa em São Paulo seria o seu estádio, declarou que para chegar em Itaquera era necessário chamar os bombeiros! Ridículo! Entrevista a ESPN

Principal responsável pela exclusão do estádio do Morumbi da Copa do Mundo, até então o melhor estádio existente na capital Paulista, Juvenal coleciona também desafetos nas federações.

Hoje o Sãopaulino sabe a razão pela qual o seu time sofre. A crônica especializada também. Porém Juvenal tem o total controle de tudo. Centralizador, ele costurou apoios e hoje não conta com oposição declarada ao seu trabalho ou a sua situação. Somente Marco Aureio Cunha surge, com vontade de ser presidente, para questioná-lo. Mas o seu caminho é longo, por não ser conselheiro vitalício, terá que ser confirmado como conselheiro e ter um número muito grande de assinaturas no conselho para ser candidato. 

Com o total controle sobre seus conselheiros, o mandatário maior do São Paulo Futebol Clube segue costurando apoios para sua perpetuação. Os resultados são desastrosos dentro de campo. Demitiu um corpo técnico digno dos melhores do mundo como o Dr. Turíbio em 2010 e o Dr. Rosan agora em 2013, a demissão de Rene Simões, contratado para cuidar da base expôs como o São Paulo é costurado politicamente para fortalecer essa figura.

O pior é ouvir as suas entrevistas. Dá a impressão de que tudo está bem, que o time é excelentemente bem dirigido. Que se preciso dá palestras aos jogadores para ganhar jogo e que o que se observa dos outros clubes é pura inveja! Chegou ao absurdo de dizer que seria um grande técnico para o São Paulo!



Enfim... a solução está somente ao alcance do conselho deliberativo do São Paulo Futebol Clube... ao torcedor de arquibancada, como disse na sexta-feira o Sombra, do Estádio 97, resta apenas rezar!

Marcelo Alves Bellotti

domingo, 16 de junho de 2013

Elefantes Brancos

Hoje teve início a Copa das Confederações, um evento preparatório da Copa do Mundo organizado pela FIFA a cada quatro anos no país sede da Copa.

A Copa do mundo no Brasil foi tratada com extremo descaso pela sociedade brasileira desde que foi anunciada. É flagrante o quanto as corporações como a CBF e as demais Federações estão desacreditadas no Brasil. O Governo e a classe política então... Nem se fala!

As discussões sempre com muita razão estão no mau uso do dinheiro público, que no caso do evento, foi generosamente derramado para a construção de Estádios sob a alegação que o evento deixaria um legado ao país. Porém ao analisarmos os eventos anteriormente realizados, não conseguimos ter bons exemplos de legados, mesmo em Copas feitas em países ricos ou com extremo grau de desenvolvimento.

A construção de estádios em centros afastados de Rio e São Paulo concentraram na sociedade em geral, sobretudo no Sudeste e Sul do país uma discussão que na maioria das vezes passa pela discriminação. Certamente que os governos de cidades do Norte e Nordeste deveriam construir escolas e hospitais ao invés de estádios. Mas se esses mesmos governos e a população quiserem, conseguirão construir algo de útil ao redor desses estádios, tal como sugere os movimentos oportunistas apoiados por partidos políticos que surgem nas redes sociais nesse momento.

O comentário geral e que domina os noticiários é que os estádios de futebol se transformariam logo após a copa em Elefantes Brancos. Porém quem afirma isso, não se deu ao trabalho de pesquisar se hoje já existem estádios "Elefantes Brancos" no Brasil. E eles existem... A proposta é apresentar um potencial Elefante Branco... O Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi!

Para começo de conversa, vamos definir o significado do termo: Elefante branco é uma expressão idiomática para uma posse valiosa da qual seu proprietário não pode se livrar e cujo custo (em especial o de manutenção) é desproporcional à sua utilidade ou valor. 

Todos os Estádios de clubes de futebol se prestam a receber partidas dos seus respectivos clubes. O Estádio em questão pertencente ao São Paulo Futebol Clube não fica atrás.

Mas qual a razão dele ser um potencial Elefante Branco? 

No total o São Paulo joga aproximadamente 40 jogos por ano em seu estádio, que tem um custo fixo aproximado de R$300.000,00 por mês. Esse custo seria facilmente coberto caso todos os eventos realizados no estádio fossem um sucesso, uma vez que a sua capacidade chega a 64.000 pessoas.

Porém o clube do Morumbi excetuando-se quando joga a Libertadores (cerca de seis jogos por ano) e em algumas ocasiões especiais, não consegue uma ocupação razoável para o seu estádio. Segundo o site Globo Esporte.com, o time no Brasileirão 2012 apesar da sexta colocação em média de público (16 mil pessoas) foi somente o décimo oitavo em percentual de ocupação do seu estádio. No Brasileiro desse ano, em cinco rodadas, a situação segue pífia. O time do Morumbi é o décimo colocado em público e o décimo oitavo em ocupação do seu estádio, com 12% de ocupação.


Essa situação, por si só já caracteriza o Morumbi como um autêntico Elefante Branco. É exatamente o cenário descrito aos estádios de Manaus, ou de Recife ou até mesmo o de Brasília. Quando digo, por exemplo, que existe flagrante discriminação, me refiro a um comentário que ouvi de um cronista esportivo de São Paulo: Fazer uma arena como o Mané Garrincha pra receber Brasiliense x Gama??? 

Para que se tenha uma ideia, os eventos no Morumbi já são planejados para receber públicos pequenos. Ao analisarmos o comportamento do time em quatro rodadas do Campeonato Paulista, por exemplo, verificamos que a quantidade de ingressos colocados a venda no Morumbi não chega a 25 mil pessoas, ou seja, é sempre inferior a 40% da sua ocupação máxima.

O efeito visual é óbvio... Estádio vazio! 

Como fechar essa conta? Como o Morumbi se viabiliza no ano? 

Se verificarmos o ticket médio do ingresso no Morumbi, concluiremos que para qualquer evento no seu estádio, o público deve se dispor a pagar em média R$30,00. Considerando que um clube fica com aproximadamente 40% da arrecadação bruta dos jogos em que é mandante, isso pode viabilizar o pagamento dos custos fixos. Já os eventos especiais (libertadores, por exemplo) podem ter os seus ingressos majorados para compensar as despesas totais de abertura do estádio, que não constam do borderô, mas é de responsabilidade do proprietário.

A boa sacada do time foram os Mega Shows, que engordaram a receita do clube e a venda dos espaços internos para organização de bares e espaços corporativos.

Com uma boa dose de inteligência, o clube do Morumbi consegue se equilibrar. Se o estádio não é 100% viável, pelo menos não parece em nenhum momento um Elefante Branco.

Essa é a proposta para as grandes arenas. Com uma boa dose de inteligência e vontade política e, sobretudo, a participação popular, os estádios podem se transformar em economicamente viáveis e não grandes Elefantes Brancos. 

Caso a solução fique restrita a somente ao uso do estádio por um time de futebol, utilizado somente para jogos e sem a preocupação com o espaço, provavelmente teremos uma repetição do que se transformou o Estádio João Havelange, o Engenhão no Rio de Janeiro, que foi interditado com ameaça de queda da estrutura metálica com menos de dez anos de uso, vitima de puro descaso.

A Copa pode ter sido um evento inconveniente para o país, que tem vários problemas para cuidar, porém agora é algo que não podemos mais voltar atrás. Os estádios estão lá e devem ser pensados para comportarem mais eventos do que simplesmente os jogos de futebol.

Esse pode ser o único grande legado dessa copa no Brasil. 

Marcelo Alves Bellotti