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sábado, 31 de março de 2012

Futebol do Interior: Esporte Clube Hepacaré


O futebol do interior guarda em si histórias memoráveis. Hoje falarei sobre o Esporte Clube Hepacaré de Lorena.

O time foi fundado em sete de setembro de 1914 na cidade de Lorena, no Vale do Paraíba.
Profissionalmente o time disputou o Campeonato Paulista do segundo nível (Atual A2) nos anos de 1959 e 1973 e o Terceiro Nível (Atual A3) nos anos de 1956 a 1958 e de 1960 a 1966.

O nome Hepacaré a princípio foi o nome da cidade de Lorena e há dúvidas quanto ao seu significado. Há relatos que Hepacaré significa braço ou seio da Lagoa Torta, outra corrente diz que significa lugar das goiabeiras.

O time teve em suas fileiras o futebol do atacante Dondinho, pai do Rei do Futebol Édson Arantes do Nascimento. Dondinho jogou no time de Lorena na década de 40, na época Pelé era apenas um garoto de pouco mais de dois anos de idade.

Os jogos do time acontecem no estádio General Affonseca. O nome é de um oficial do Ministério da Guerra nos anos 30, com ligações com a história da cidade de Resende no Rio de Janeiro.

A sua inauguração foi em um jogo em 30 de março de 1941 entre o Hepacaré e o Fluminense, onde o time de Lorena foi goleado pelo time carioca pelo placar de 5 a 0. O amistoso foi apitado por nada menos que Arthur Friedenreich, que dizem ter sido o primeiro futebolista a chegar a marca de 1000 gols.

Hoje em dia, o Hepacaré de Lorena disputa torneios amadores na região do Vale do Paraiba.

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 24 de março de 2012

Nacional Atlético Clube

Sempre fui fã de futebol alternativo, desses que ninguém assiste ou acompanha, diferente da várzea, onde existe a paixão do time de bairro. Hoje resolvi falar do Nacional Atlético Clube, o Nacional da Comendador Souza.

A história do time se confunde com a chegada do futebol no Brasil. Conta-se que em 1895 jogaram os times da São Paulo Railway e da Companhia de Gás. A São Paulo Railway fundada pelo Barão de Mauá, foi a ligação da capital ao Porto de Santos, a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, que hoje abriga os trens da CPTM que liga o ABC à Capital de um lado e Jundiaí a São Paulo de outro.

Somente em 1919, mais precisamente em 16 de fevereiro, os funcionários da ferrovia organizaram um clube de futebol, com o nome de São Paulo Railway. O time só iria disputar o que se chama hoje de Campeonato Paulista, organizado na época pela Liga Paulista de Futebol em 1936.

Dez anos mais tarde, em 1946, chegou ao fim a concessão e houve a nacionalização da Ferrovia. O clube seguiu o mesmo caminho e nesse mesmo ano, disputou um amistoso contra o Clube de Regatas do Flamengo no Pacaembu. O clube disputou um tempo do jogo com o nome de São Paulo Railway e o segundo tempo com o nome de Nacional Atlético Clube.

O time tem em sua história uma participação em um campeonato Brasileiro, em 2.000, onde jogou dez jogos com quatro vitórias, um empate e cinco derrotas. 

Em suas fileiras já desfilaram o meia Deco (hoje no Fluminense), campeão do Mundo pelo Porto e pelo Barcelona, com duas copas do Mundo disputadas pela seleção Portuguesa, Dodô e o volante Magrão, com passagens por São Caetano, Palmeiras e Corinthians.

Seu estádio é o Nicolau Alayon, com capacidade para 11.500 pessoas. Tem tradição nas categorias de base, sendo campeão da Copa São Paulo de Futebol Junior em duas oportunidades, em 1972 e em 1988. No futebol profissional, tem dois títulos da série A3 (Terceiro Nível) em 1994 e 2000.

Seu mascote é o Ferroviário, uma homenagem aos seus fundadores, que ajudaram a propagar o futebol no país.

Porém as últimas campanhas não são motivos de orgulho ao torcedor do clube. Rebaixado para a Segunda Divisão do Campeonato Paulista (Quarto Nível) em 2.009, o time não v em fazendo boas campanhas.Em 2011 terminou a sua participação sendo eliminado na primeira fase com a pior campanha do seu grupo, somando apenas uma vitória. Seu último jogo aconteceu em 30/04/2011 na Comendador Souza que marcou uma derrota para o Jabaquara pelo placar de 3 a 1.

Esse ano o Paulistão da Segunda Divisão começa em 05 de Maio.

Marcelo Alves Bellotti

Derby promete violência e intolerância

O futebol tem servido para que os grupos de jovens demonstrem toda a intolerância com as minorias e todo o preconceito existente na sociedade brasileira. Os jovens sempre tiveram uma coragem para se expressar e, historicamente teve participação fundamental nos movimentos sociais no país.

Porém hoje a preocupação social do Brasil hoje não parece estar ligada a movimentos sociais. Cada vez mais a sociedade tem demonstrado sua preocupação individual e parece estar pouco preocupada com que fazem os políticos, por exemplo.

Esse é o espaço preferido para as manifestações dos jovens. Seja para o lado "nobre" com os movimentos sociais contra a classe política, má distribuição de renda, ou seja para demonstrar toda a intolerância da sociedade.

E o futebol parece estar inserido nesse contexto. Na última semana em Campinas, em um derby válido por categorias inferiores, houve um confronto recheado de intolerância entre dois grupos rivais na cidade. Esse confronto levou a morte de uma pessoa.

Hoje acontece um novo derby na cidade, agora válido pelo Campeonato Paulista. Ponte Preta e Guarani se enfrentam no Majestoso. Gostaria de contar histórias deliciosas sobre o clássico, destacar o que representam Ponte Preta e Guarani para o crescimento de Campinas e do futebol da região, mas não tem como. No Blog do Ari, a manifestação do internauta Fernando Braga me motivou a escrever sobre isso e pedir um derby sem violência, no ano do seu centenário.

O derby de hoje não irá movimentar a sociedade campineira, mas sim as autoridades, com medo de um novo confronto que pode ter consequências desastrosas.

O fenômeno da intolerância no futebol é mundial. Assistimos mostras de manifestações racistas, homofóbicas e de intolerância em todas as partes do mundo. O Brasil basicamente está inserido nesse contexto. O que diferencia as nações nesse contexto é a reação do Estado. Não somente em repressão, mas com todo um conjunto de Leis e educação. Ha lugares onde temos essa prevenção, há lugares que não. Veremos a reação da Federação Paulista de Futebol, do Estado e da sociedade.

Marcelo Alves Bellotti 

quinta-feira, 15 de março de 2012

CBF: Nada Mudou!

Enfim, o excelentíssimo presidente da Confederação Brasileira de Futebol envolvido em uma série de denúncias que começaram com a recusa da entidade máxima do futebol Mundial a candidatura da Inglaterra como sede da Copa do Mundo, renunciou o seu cargo. A óbvia retaliação a todos os que se opuseram a candidatura dos inventores do futebol provocou essa renúncia.

Independente do nome de quem sai e de quem chega, o que parece é que só houve uma "dança de cadeiras", que não significa em nenhum momento uma mudança de filosofia. Presidentes de federação demonstram insatisfação com a troca de poder, sugerindo um favorecimento ao estado de São Paulo.

Pura cortina de fumaça! A grande reflexão está sobre o legado da última administração do futebol. O que esse modelo de Administração deixa para o futebol brasileiro? A CBF nessa administração faturou milhões tanto na venda de direitos dos eventos "jogos da seleção" quanto nas quotas de televisão.

Mas isso faz da CBF um case de sucesso? Um exemplo de administração a ser seguido? Nem de longe... Acredito que a grande missão das Confederações é a de defender e representar os seus integrantes, ou seja, os clubes. Mas o que vemos? CBF faturando milhões e os clubes praticamente falidos.

Para que serve uma confederação rica e os clubes pobres? qual o sentido de comandar jogos de uma seleção que não é feita para jogar para o seu próprio povo? Discutimos tanto a Copa do Mundo sem se dar cota de que o evento não foi feito para nós, que apenas será disputado no nosso país?

A cada movimento dos dirigentes da CBF fica mais claro o recado que ela passa para a sociedade brasileira. Sua missão mudou e consequentemente, os interesses que ela representa não são os interesses do clube, ou do futebol brasileiro como um todo.

Talvez você que lê esse post não consiga ver isso, por torcer para times elitizados, de grande torcida e que tem os seus jogos transmitidos a cada quarta e domingo. Mas o movimento de elitização está fazendo com que o futebol se transforme em esporte para poucos. A seleção há tempos não empolga, somente serve para tirar os atletas de seus clubes e dos campeonatos... os clubes grandes que só querem jogar entre si... a crônica esportiva esculhambando os regionais, enfim... aos poucos o bom e velho futebol vai perdendo o apelo dos pequenos centros. É a modernidade! 

TORCEDOR, APOIE O TIME DA SUA CIDADE! NÃO DEIXE O FUTEBOL REGIONAL MORRER!

Marcelo Alves Bellotti

domingo, 4 de março de 2012

Mascotes - Ponte Preta

A Associação Atlética Ponte Preta é um clube fundado em 1900 por jovens estudantes que praticavam o futebol como passatempo. O nome surgiu da necessidade de expansão da Estrada de Ferro de Jundiaí para Campinas. Uma ponte teria que ser construída para que os operários pudessem transportar materiais para facilitar a construção. A  ponte foi construída com madeira e, para a sua melhor conservação, foi coberta com Piche. Nascia em 1872 o bairro da Ponte Preta. Como o time foi fundado no mesmo bairro, o nome não poderia ser outro.

Em 1948 foi erguido o seu estádio, o Majestoso em um terreno comprado pelos torcedores  Olímpico Dias Porto, José Cantúsio e Moisés Lucarelli e doado para o time construir o seu estádio.

Seu mascote é a Macaca. O que dizem é que o símbolo foi criado para atrair e cativar crianças e adultos e por ser diferente, seria exclusivo da Ponte. O mascote é conhecido no feminino devido ao nome da entidade ser Associação Atlética Ponte Preta. 

O time também é conhecido pelos apelidos "Nega Véia" e "Veterana", sendi que o último se deve ao fato de ser o mais antigo time paulista, e um dos primeiros clubes de futebol do país.

Muito se fala sobre os títulos da Macaca, que sua sala de troféus só tem taças de vice. Uma grande bobagem. Seguem abaixo todos os títulos da querida Nega Véia.

1912 - Campeã Campineira de Futebol - Taça "Liga Operária de Foot - Ball".
1923 - Campeã da Zona Paulista (APEA)
1925 - Campeã da 4ª Região do Interior (APEA)
1927 - Campeã da Zona Mogiana (L.A.F.)
1928-1929 - Bicampeã Paulista da Divisão Principal - 2º quadro (L.A.F.)
1930 - Campeão Invicta da 4º Região APEA)
1931 - Campeã Campineira
1935-1936-1937 - Tri-campeã Campineira de Futebol - 1º e 2º quadro (L.C.F.)
1951 - Campeã Amadora do Estado (45 partidas invictas)
1969 - Campeã da Primeira Divisão de Profissionais - Acesso à divisão especial F.P.F.
1981 - Campeã da Copa São Paulo de Futebol Jr.
1981 - Campeã Paulista das Categorias Infantil, Juvenil e Júnior (F.P.F.)
1982 - Bi-Campeã da Copa São Paulo de Futebol Jr.
1991 - Campeã do Campeonato de Aspirantes da F.P.F.
2009 - Campeonato Paulista de Futebol de 2009 Campeão do Interior Paulista

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 3 de março de 2012

Seleção de quem?

A seleção Brasileira de futebol jogou na última semana no estádio AFG Arena, na Suíça contra a equipe da Bósnia. O estádio pertence ao  St. Gallen F.C. que disputa a segunda divisão do Campeonato Suíço e tem capacidade para 19.500 pessoas.

É difícil saber o que leva  a Confederação Brasileira de Futebol a realizar os seus jogos nessas condições. Cada vez mais a reflexão de que esse tipo de análise deve ser feita a luz do atendimento aos interesses dos organizadores do evento "seleção Brasileira".

Há alguns anos, a UEFA desobrigou aos clubes europeus o cumprimento das liberações dos seus jogadores em datas FIFA na America do Sul, evitando grandes viagens e desgastes dos seus jogadores. Isso inviabilizou os jogos da Seleção Brasileira em seu próprio país.

Porém o que vemos hoje é um completo absurdo. Quando a seleção joga por aqui, há uma farra do poder público na divisão dos ingressos, além dos preços abusivos. A seleção há tempos não empolga pelas suas atuações.

Mas a CBF não reclama. O evento "jogo do Brasil" é vendido mundialmente a um preço muito bom, a empresa é coroada de lucros incríveis e os jogos são acompanhados ao vivo por grande parte do mundo da bola, com grande interesse.

Voltamos a reflexão de que para definirmos o sucesso ou não de um evento, temos que perceber para quem ele é feito. Tanto o evento "Copa do Mundo" quanto o evento "jogos da seleção" não são feitos para o público brasileiro que normalmente vai ao estádio. Esses eventos são para as grandes redes e corporações mundiais que pagam verdadeiras fortunas para receber a equipe pentacampeã mundial.

Se olharmos nesse ponto de vista, o evento tem sido um sucesso. Justamente por esse ponto de vista que é um grande erro comparar o que normalmente é feito no país com seus estádio, etc, etc. com o que será feito no evento "Copa de 2014". Não sei se o evento será um sucesso, mas que sua organização nada tem a ver com o que está sendo visto hoje nos campeonatos regionais, isso eu tenho certeza.

Isso faz com que o evento deixe de ser a "seleção Brasileira" e hoje ele é visto como "O time do Mano" ou ainda "a seleção da CBF". Como o evento não é feito para os brasileiros, sobretudo os que frequentam os estádios, o time perde a identificação com a torcida local. Hoje o evento é tratado como sub evento pela imprensa esportiva brasileira (com justa razão), com jogos na Europa e em horários alternativos, a seleção Brasileira hoje faz verdadeiros "jogos secretos". A única diferença desses jogos para o futebol alternativo das diversas divisões no Interior do Brasil talvez seja a narração do Galvão Bueno.

Marcelo Alves Bellotti